Eletrobras: demanda do FGTS chega a R$ 9 bi e ações sobem na véspera da oferta

Ações ordinárias subiram 0,81% e preferenciais, 0,68% nesta quarta-feira
Eletrobras: 'prévia' da privatização mostra alto interesse de investidores (Caio Coronel/Divulgação)
Eletrobras: 'prévia' da privatização mostra alto interesse de investidores (Caio Coronel/Divulgação)
Por Graziella ValentiPublicado em 08/06/2022 18:08 | Última atualização em 08/06/2022 18:08Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A definição do preço de ações da Eletrobras teve um ‘preview’ no pregão de hoje. Na véspera do fechamento de uma oferta de R$ 30 bilhões, as ações ordinárias subiram 0,81% e as preferenciais B, 0,68%. Em tese, esse volume deveria pressionar os papéis para baixo. Em especial, no atual momento de fuga da renda variável para a renda fixa. A demanda, segundo pessoas próximas à operação, é superior a quatro vezes o total. Contudo, ainda é cedo para cravar ‘um resultado’ pois é comum que os fundos ajustem seus pedidos e preços no último momento. 

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No varejo, as reservas do FGTS totalizaram R$ 9 bilhões, para um total disponível de R$ 6 bilhões. Portanto, haverá rateio para quem fez reserva. No total, considerando os lotes extras, a operação pode alcançar R$ 35 bilhões. Do valor total da oferta, R$ 25 bilhões serão recursos que irão para o caixa da Eletrobras, reforçar sua situação financeira e capacidade de investimento. 

A oferta pública primária e secundária resultará na privatização da estatal de energia, uma vez que a União ficará com uma fatia de 45% do capital total. A operação é a segunda maior já realizada no mercado brasileiro, atrás apenas da megacapitalização da Petrobras, de R$ 120 bilhões, realizada em 2010 – quando a União aportou os ativos do pré-sal dentro da companhia. 

O interesse pelas ações é reflexo da mistura de oportunidade de melhoria do negócio, com gestão privada, combinado a um momento em que os investidores estão em busca de companhias com patrimônio elevado, ativos fixos e geração de caixa previsível.

A companhia reúne cerca de 30% da capacidade de geração de energia do país — e um continental como o Brasil —  e 40% da de transmissão. É ativo para ninguém botar defeito: 50.500 MW de capacidade instalada (considerando 50% de Itaipu, que ficará de fora da privatização junto com a Eletronuclear) e quase 74 mil quilômetros de linhas de transmissão.

Em um ambiente como esse, a oferta pode ajudar a colocar o Brasil novamente dentro da rota de investidores globais. De olho nas expectativas mais otimistas, pode ser o ‘ponto de partida’ para o mundo olhar para a região com mais apreço – já que o atual momento geopolítico pode favorecer a América Latina, apesar da volatilidade da região. 

A estatal está avaliada hoje na B3 por R$ 66 bilhões, perto do valor de referência da privatização. Mas a expectativa, ao que tudo indica, é de que a companhia pode valer bastante mais. 

 

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