Com R$ 50 mi da chinesa Ant, Dotz tenta garantir valor de R$ 1 bi para IPO

Companhia dos irmãos Chade foi avaliada em cerca de R$ 1 bilhão pelo novo sócio chinês

Na briga pelo investidor, que não anda nada fácil, a Dotz trouxe um selo de peso para tentar garantir suas letrinhas no pregão da B3. O movimento agrega mais simbologia que dinheiro, neste momento. A Ant Financial, braço financeiro do superapp chinês Alibaba, investiu R$ 50 milhões para comprar uma fatia de 5% da plataforma de fidelidade fundada pelos irmãos Alexandre e Roberto Chade.

Foi uma aquisição secundária, ou seja, de ações dos sócios fundadores e que avaliou a empresa em aproximadamente R$ 1 bilhão, valor pré-capitalização. A Dotz está na fila para fazer sua oferta pública inicial (IPO) e vai tentar uma operação superior a R$ 800 milhões. A parceria chinesa pode trazer brilho ao negócio, em um momento de mercado bem diferente daquele visto no começo do ano.

A Ant aceitou pagar R$ 18,80 por ação, centro da faixa que será sugerida para o IPO, de R$ 16,20 a R$ 21,40, e tem opção de adquirir mais 10% do negócio. Após a oferta, se conseguir emplacar esse mesmo preço no mercado — tarefa hercúlea no momento — a Dotz vai valer pouco menos de R$ 2 bilhões. Com isso, vai carimbar que antes mesmo do novo caixa, era um negócio de bilhão.

A ideia é que o mercado veja valor na operação, principalmente, porque a Ant vai sentar no conselho de administração e no comitê de estratégia da companhia — e aparentemente os chineses entendem tudo de superapps. Pelo menos, é isso que a experiência na China leva a crer. Será importante frisar que a riqueza da Ant não foi a aquisição, mas o que ela pode trazer em experiência e inovação.

Na bolsa, a Dotz será a terceira empresa que trabalha como plataforma agregadora de clientes por meio de vantagens oferecidas aos usuários a listar ações. Já fizeram IPO a Méliuz, hoje avaliada em R$ 3,8 bilhões depois de triplicar de valor, e a Mosaico, dona das bandeiras Zoom, Buscapé e Bondfaro. Apesar da estreia apoteótica, devido a uma oferta altamente demandada, a Mosaico andou pouco desde a listagem. Chegou valendo R$ 2,5 bilhões e agora está em R$ 2,78 bilhões.

Quem entende do negócio diz que não será fácil essa disputa e que não tem espaço para todo mundo. A briga pelo consumidor está valendo bilhões e essas empresas não são as únicas atrás desse ativo. Os próprios marketplaces, na corrida para ser superapps, concorrem com os agregadores, ao mesmo tempo que bebem dessa fonte por meio de parcerias. O que todo mundo sabe é que o consumidor não vai colecionar apps. O que ninguém sabe é qual será o vitorioso.

As últimas estreias na bolsa foram suadas. Todo mundo saiu abaixo da faixa de preço sugerida. E aqui, estamos falando de negócios lucrativos e grandes. O Grupo GPS, por exemplo, que provê soluções de gestão de segurança e logística indoor, um negócio com receita de R$ 4,9 bilhões e Ebitda de R$ 565 milhões, já aceitou um desconto de 15% em relação ao piso da faixa proposta.  A oferta fecha amanhã, quinta-feira. As empresas de saúde Dasa e Mater Dei passaram pela mesma provação, mostrando que não se trata de questão setorial, mas de fluxo.

E, quando o assunto é setor, as techs e digitais foram as mais afetadas recentemente. A perspectiva de aumento da taxa de juro no longo prazo, em especial nos Estados Unidos, subtrai valor justamente desses negócios, em que o retorno da atividade da empresa está em um futuro ainda distante. A Dotz, pelo visto, tem um desafio que não é pequeno à frente.

Mesmo digital e do varejo — em tese, na crista da onda durante a pandemia — a Dotz sofreu. A receita líquida da companhia recuou de R$ 127 milhões para R$ 111 milhões, na comparação entre 2019 e 2020.

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