Com Amos, fundos do BTG querem negócio de R$ 25 bi de fibra da Oi

Proposta pela empresa de fibra exige compromisso mínimo de R$ 11 bilhões dos interessados no ativo

Além da Oi Móvel e das torres de telefonia celular, a Oi também está em processo de venda de uma participação de controle na companhia de fibra, a Infra Co.. A tele será sócia minoritária e cliente desse negócio. As propostas foram recebidas na terça-feira desta semana e entre os interessados estão fundos de infraestrutura geridos pelo BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME), junto com Amos Genish, que ganhou reputação internacional no setor com a GVT.

O BTG Pactual não é o proponente, mas sim os fundos de private equity que são geridos pela instituição. O plano é que Amos seja o presidente do conselho de administração da Infra Co., caso a proposta seja a vencedora, conforme o EXAME In apurou com fontes que acompanham a transação de perto. Além de fundar a GVT, vendida para a Telefônica Vivo por 25 bilhões de reais, ele presidiu a própria Telefônica Vivo para conduzir a integração das empresas e, em seguida, tornou-se executivo do grupo francês Vivendi e depois presidente da Telecom Itália, em Milão. Hoje, Amos é sócio do BTG Pactual, à frente do projeto digital de varejo do banco.

Para participar do processo de competição pela Infra Co., o investimento mínimo é de 11,5 bilhões de reais. Mas os interessados poderão colocar mais na sua proposta. Esse valor inclui 6,5 bilhões de reais para compra de um pedaço mínimo de 51% do controle (ações ordinárias) — equivalente a 25,5% do capital total (ordinárias + preferenciais) da Infra Co. — e o compromisso de um aporte de pelo menos 5 bilhões de reais na companhia de fibra. Do dinheiro aportado, 2,4 bilhões de reais serão usados para pagar dívidas ligadas ao processo de recuperação judicial da Oi. A diferença fica no caixa da empresa de rede.

Os interessados são livres para querer comprar uma participação total maior no negócio. A avaliação mínima integral da Infra Co. pela Oi é de 25,5 bilhões de reais — sem contar o aporte de capital. Trata-se do ativo mais disputado da Oi e com maior potencial de geração de caixa também, segundo pessoas próximas à operação. A concorrência se dá, especialmente, entre fundos de infraestrutura, mercado com diversos atores globais de peso e em um momento de grande liquidez internacional. Quem conduz essa transação pelo lado da Oi é o banco de investimentos Lazard.

A expectativa é que a própria Highline do Brasil também esteja entre as competidoras. A companhia foi criada pela gestora de recursos Pátria Investimentos e pertence ao fundo americano Digital Colony Management desde dezembro do ano passado. Fora do Brasil, o fundo busca 6 bilhões de dólares em capital e, pelo visto, boa parte será direcionada ao Brasil — se comprasse todos os principais ativos da Oi seria basicamente todo o dinheiro.

As demais teles não entram nessa briga, por limites regulatórios, e porque a rede continuará sendo o suporte para a Oi seguir com sua operação de atendimento ao cliente na fibra — varejo e corporativo. A atuação da tele ficará concentrada na Oi Client Co. e também como minoritária na Infra Co.. Fora do Brasil, há diversas companhias do setor que já possuem um modelo de separação da companhia de infraestrutura da unidade de prestação de serviço ao consumidor.

Com a venda de todos os ativos listados no plano atualizado de recuperação judicial, a Oi deve obter pelo menos 22,8 bilhões de reais — considerando o preço mínimo que estabelece para os negócios. Assim como no caso da Oi Móvel, o próximo passo será definir quem será o líder do processo de venda, a figura conhecida no mercado internacional como stalking horse.

Esse interessado oferece garantia de compra e a partir de uma proposta é feito uma espécie de leilão, nos quais os demais interessados podem fazer suas ofertas. Quem garante a posição de líder tem o direito de fazer o último lance e igualar o valor ao do maior proponente — se quiser. A venda dos ativos só pode ser assinada depois que a Oi submeter o plano atualizado a assembleia de credores. O encontro está previsto para o próximo mês de agosto.

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