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Cogna entra no mercado infinito de cursos livres com Voomp Creators

Em nova frente de negócios, os clientes serão os "professores", não os estudantes

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Cursos livres: mercado infinito que transforma professores e especialistas em infoprodutores (Carol Yepes/Getty Images)

Cursos livres: mercado infinito que transforma professores e especialistas em infoprodutores (Carol Yepes/Getty Images)

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Graziella Valenti

Publicado em 28 de fevereiro de 2023, 13h35.

Última atualização em 28 de fevereiro de 2023, 13h42.

Atenta ao seu objetivo de estar presente em todas as etapas da vida do estudante, o grupo de educação Cogna (COGN3) decidiu colocar um pé no mercado de cursos livres e criou a Voomp Creators. Dessa forma, vai competir com nomes conhecidos como Hotmart e Monetize. O objetivo é, com o tempo, mergulhar de cabeça nesse segmento. Felipe Donato é o sócio da Cogna que está à frente da empreitada, ainda sem números para serem comentados, dada a novidade. Mas, o executivo enfatiza que o objetivo é tornar essa uma linha de negócios relevante para a companhia. Trocando em miúdos, considerando as operações mais maduras do grupo, como Somos (Vasta) e Kroton, a Voomp tem tudo para ser uma frente de crescimento dentro do negócio.

O grupo teve receita líquida de R$ 3,4 bilhões nos primeiros nove meses de 2022 (último dado disponível), com expansão de 3,5%, e Ebitda da ordem de R$ 1 bilhão. A Kroton, frente de ensino universitário, é o maior negócio, respondendo por cerca de 70% do total. Apesar de apresentar expansão da base de alunos nos cinco trimestres mais recentes de divulgação de números, a receita da Kroton não mostrava expansão. O terceiro trimestre de 2022 marcou o primeiro crescimento em após 14 trimestres de queda.

O setor de educação foi um dos que mais sofreu com a pandemia. A covid-19 acelerou em muitos anos o desenvolvimento do mercado de ensino à distância, que tem tíquetes menores. Mas a transformação é muito maior e mais profunda no setor de educação do que simplesmente a migração da base de alunos do ensino presencial para o mundo online. A Voomp é uma forma de a Cogna acompanha essa revolução. Embora ainda seja cedo para projeções de tamanho, Donato afirma, em entrevista ao EXAME IN, que está mais para "o céu é o limite". Mas, logo em seguida, pontua o tamanho que o segmento de graduação tem dentro do grupo. "Será proporcionalmente sempre menor, mas o objetivo é que seja [uma receita] importante."

Os clientes da Voomp, diferentemente dos demais segmentos, não são os estudantes. São os professores, digamos assim. São os infoprodutores, os especialistas que possuem ou desejam criar cursos próprios. “Assistimos a um crescimento exponencial do consumo de cursos livres por profissionais que buscam uma especialização ou conhecimento mais específico”, comenta Donato. A Voomp vai oferecer para o infoprodutor todo suporte para produção do conteúdo e ainda sistema de pagamento, check-out e até mesmo acesso a parcerias para o marketing digital. Importante ressaltar, porém, que a gestão da comunidade de compradores do curso e divulgação ficam sob responsabilidade do especialista infoprodutor, e não da Voomp. Aqui, a receita da Cogna é uma parcela na participação das vendas dos clientes.

Como diferencial, para competir pela atenção dos infoprodutores, a Cogna entende que tem mais do que apenas a plataforma para ‘embalar’ o curso. Donato destaca que por ser uma companhia de educação, tem muito mais para oferecer: desde uma possibilidade de certificação do curso junto ao Ministério da Educação (MEC), até toda estrutura de estúdios para gravação de aulas e ainda acesso a laboratórios e estrutura para eventos presenciais. “Muitas vezes, mesmo nesses cursos livres, existe necessidade de algumas aulas presenciais. E esses profissionais vão poder até mesmo usar os laboratórios do grupo, auditórios.”

Além de ser complementar na oferta de conteúdo educacional, o projeto da Voomp também carrega a oportunidade para o grupo Cogna utilizar de forma mais eficiente todo investimento em campus e pólos educacionais. A explosão do ensino à distância após a pandemia transformou em desafio para as empresas do setor rentabilizar seus ativos fixos.

Como tamanho da oportunidade, Donato cita dado da empresa de pesquisa Statista que projeta um mercado de US$ 370 bilhões de ensino digital no mundo em 2026. “É um mercado enorme e muito complementar ao que a Cogna faz”, diz. Outro diferencial do grupo para explorar essa oportunidade, segundo o executivo, é permitir que, de alguma maneira, o infoprodutor se beneficie de toda a rede de estudantes que a Cogna possui, seja pela certificação do curso como uma extensão reconhecida pelo MEC que possa ser ofertada aos alunos, seja, de alguma forma, passando a fazer parte da grade curricular dos cursos da companhia.

Nesse primeiro momento, estão sendo explorados principalmente clientes potenciais para a Voomp na frente de pedagogia, medicina e saúde, nutrição, direito, justamente por serem conteúdos que, de alguma maneira, conversam com as formações oferecidas pelo grupo. Mas a plataforma está aberta a todo tipo de conteúdo, mesmo aqueles que possam ter um caráter mais de conhecimento para hobby. “Às vezes, um infoprodutor tem um conteúdo super específico que seria difícil para ele oferecer um curso presencial ou apenas em seu círculo. Com a plataforma da Voomp e o marketing digital, o mercado para esse cliente passa a ser o Brasil todo.”

No futuro, destacou Donato, a Voomp também poderá avaliar o desenvolvimento de um marketplace para os cursos livres. Não é o foco nesse momento. Mas, a depender do desenvolvimento desse segmento, é possível que isso ocorra. A Cogna começou a desenvolver o projeto da Voomp tem mais de um ano. Em outubro do ano passado, começaram os primeiros testes e em novembro, o produto foi aberto ao mercado, mas sem esforço de divulgação. Agora, a companhia parte para a próxima etapa: crescimento, volume e experiência nessa nova frente.

Créditos

Graziella Valenti

Graziella Valenti

Editora Exame INCriadora do EXAME IN, espaço dedicado à cobertura de negócios, com foco em mercado de capitais. Na EXAME desde março de 2020, ficou 13 anos no Valor Econômico, oito como repórter especial, sete anos na Broadcast, do Grupo Estado.