BNDES tem mais R$ 55 bi em ações para vender até o fim de 2022

Diretor afirma que não há intenção de vender ações da JBS no curto prazo; posição vale R$ 14 bilhões

O BNDES vai manter o plano de desinvestir mais 55 bilhões de reais até o fim de 2022, além das vendas de ações já realizadas a partir de dezembro. O diretor de privatização do banco, Leonardo Cabral, afirmou há pouco em entrevista ao EXAME IN que, apesar da pandemia, o objetivo continua sendo o anunciado no fim do ano passado, de vender 90 bilhões de reais em três anos — do começo de 2020 ao fim de 2022. Esse era o valor que o banco tinha como meta considerando o valor total da carteira em dezembro, de pouco mais de 120 bilhões de reais. Em março, o valor do portfólio do banco chegou a recuar para 61,4 bilhões de reais ao fechamento do trimestre. Mas a forte recuperação dos mercados trouxe o valor de voltar para a maior parte das posições.

Nesta quarta-feira, o banco realizou a maior venda em bloco de ações do mercado brasileiro: 8,1 bilhões de reais, equivalentes a 135 milhões de ações da Vale. O lote foi colocado sem nenhum desconto em relação ao preço do dia anterior, apenas 4% abaixo do preço máximo atingido pela empresa na bolsa. A instituição ainda manteve 3,7% do capital da mineradora em carteira, mas tem agora uma trava de 90 dias para voltar a vender em bolsa esses papéis.

Cabral não quis afirmar quais são as próximas iniciativas de desinvestimento. Mas destacou que ficou claro que o BNDES tem um leque muito maior de opções na manga para realizá-las, após o sucesso dessa grande colocação. Antes dessa transação, a instituição vendeu em oferta pública 2 bilhões de reais em ações da Marfrig, 450 milhões de reais em papéis da Light, 23 bilhões de reais de Petrobras; 1,3 bilhão de reais da AES Tietê (fora de bolsa).

No total, as vendas somam 35 bilhões de reais. De acordo com o executivo, o retorno obtido com esses investimentos foi, na média, ligeiramente superior que o CDI do período de manutenção na carteira. “Mas essa não é nossa maior preocupação. O que entendemos é que não faz sentido nenhum o banco manter posições especulativas na carteira, uma vez que já cumpriu seu papel com essas empresas.”

Ele também explicou que a decisão sobre a qual melhor forma de vender — oferta pública, bloco direto na bolsa ou para estratégico — vai variar de caso a caso. “Em Vale, o movimento do foi leilão ficou entre 3 e 4 vezes o total do giro médio por dia. Antes de fazer, julgamos que o mercado teria condições de absorver.” Para outras operações, portanto, não contará apenas o tamanho absoluto do bloco de papéis a ser colocado, mas a liquidez diária da companhia.

O banco quer direcionar recursos para setores que “precisam mais” de sua atuação do que as grandes empresas abertas. O executivo citou o segmento de infraestrutura e pequenas e médias empresas.

No mercado, os comentários são de que as próximas empresas alvo de movimentos desse tipo serão Petrobras (fatia remanescente da oferta de fevereiro), Klabin e Suzano. Juntas, essas três posições somam perto de 33 bilhões de reais. A única direção que Cabral apontou é que não há nenhuma intenção de vender as ações da JBS no curto prazo, conforme o EXAME IN antecipou. Apesar de ser uma participação que a instituição já anunciou ter planos de se desfazer, não há nada nesse sentido agora. A posição na empresa é da ordem 14 bilhões de reais atualmente, 23% do capital total.

Cabral, mais de uma vez, afirmou que “não há pressa” para as próximas operações, embora no mercado as expectativas são elevadas. O entendimento predominante é que o banco vai aproveitar a atual janela de grande liquidez e preços em alta para outras iniciativas. Os bancos que estão atuando com a instituição nesse processo — Goldman Sachs, JP Morgan, Bradesco BBI, Credit Suisse e Bank of America Merrill Lynch — estão regularmente, desde junho, sondando o mercado a respeito da demanda pelas ações da Petrobras, Klabin e Suzano. De acordo com o executivo do BNDES, a decisão de vender as ações da Vale veio em julho, mesmo mês em que a companhia atingiu seu maior valor de mercado na B3.

Questionado se pode vir a fazer operações em conjunto, de forma organizada, com as companhias, Cabral afirmou que sim, é possível. "Não só nós podemos falar com as empresas, mas ela também podem nos procurar". Ele lembrou que a primeira das vendas, de Marfrig, ocorreu dessa forma. O frigorífico tinha planos de captar recursos, mas julgava a operação primária pequena — se fosse unificada ao processo de venda do banco atrairia mais interesse pela liquidez que o papel passaria a ter.

 

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