Bem-vindo à Globenet: a arma secreta do BTG na briga pela fibra da Oi

Tele tem obrigação de comprar capacidade da Globenet até 2028 e acordo vai aliviar saída de caixa

O futuro da Oi tem um elemento chave que ninguém jamais imaginaria: a Globenet, companhia de cabos submarinos vendida pela própria tele a fundos de private equity do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) em 2014. Na época, obviamente, ninguém poderia prever o futuro. Mas, o ativo que era praticamente um patinho feio hoje vale R$ 5,3 bilhões dentro de uma operação muito maior.

Sete anos depois da aquisição, com a Globenet debaixo do braço, o BTG Pactual montou uma oferta para comprar o controle da InfraCo, a rede de fibra da Oi e o maior projeto de infraestrutura no país, em andamento. Tornou-se uma vantagem competitiva agora para um ativo cobiçado e caro. De forma simples, o BTG (o fundo Economia Real, gerido pela casa) pagará R$ 12,9 bilhões para ter o controle da InfraCo, incluindo aportes de recursos, mas gastará mesmo R$ 7,6 bilhões.

A história explica essa matemática. Lá atrás, para atrair compradores para a Globenet, a Oi se comprometeu a alugar capacidade da empresa até 2028. A questão, com o tempo, tornou-se um problemão porque hoje a Oi precisa pagar por isso, sem ter uso integral, pois não cresceu na velocidade esperada de lá para cá. Virou, portanto, um tipo de dívida.

A Globenet dentro da transação da InfraCo resolve o problema. Uma parte do que a Oi precisa pagar à empresa de cabo submarino será descontada da compra de controle, num valor de R$ 3,75 bilhões — o que deixa a tele livre de parcelas até o fim de 2024. Além disso, a Globenet vai aportar R$ 1,5 bilhão dentro da InfraCo em ativos e contratos do que tem a receber.

A complexidade envolvida na regência desses acordos e ainda a vantagem competitiva que a Globenet, por esse crédito contra a Oi, representa pode fazer com que a oferta do BTG Pactual Economia Real seja de fato a vencedora.

Mas, para que o negócio se confirme, é preciso que o juiz da recuperação judicial da Oi aprove o modelo e convoque uma espécie de leilão pelo ativo. Os acordos assinados na segunda-feira dão ao fundo o direito de apresentar a melhor proposta, caso apareça outro concorrente. Precisa ser 1% maior, se houver outra. Mas, a crença do mercado é que dificilmente surgirá um competidor.

A tele vai se tornar — exceto pela participação minoritária na InfraCo — uma operadora pura de serviços, sem rede. Já vendeu a estrutura móvel por R$ 16,5 bilhões ao trio TIM, Claro e Vivo, e mais o data-center e o restante das torres celulares que detinha.

Tudo isso faz parte do processo de recuperação judicial, aprovado em 2017, no qual a empresa reorganizou R$ 64 bilhões em dívidas com bancos, investidores de bonds emitidos no mercado externo e com a Anatel (em negociação finalizada apenas no ano passado). Uma atualização do plano foi aprovada em julho do ano passado, pela Justiça, para refletir esse projeto mais amplo, de separação da rede e dos serviços.

O plano para a InfraCo prevê investimentos da ordem de R$ 25 bilhões em um período de cinco anos, para que 40% dos lares brasileiros tenham acesso à rede de fibra ótica, ou seja, internet de ultravelocidade. Para fazer frente a esses recursos, parte virá do fluxo de caixa da InfraCo, parte de aportes de capital e outra parcela, dívida. A companhia começa sua vida independente, na qual a Oi é a maior cliente, além de acionista, com receita da ordem de R$ 3,5 bilhões e Ebitda de R$ 1,5 bilhão.

A estrutura de fibra da Oi, um ativo de 400 mil quilômetros, vai se transformar na maior rede neutra do Brasil e uma das maiores do mundo com a operação. Quando a tele anunciou seu plano de venda de ativos, esse foi o que mais atraiu interesse. No entanto, o porte da operação terminou por naturalmente afastar concorrentes.

Quanto vale a InfraCo

A InfraCo termina a transação com o Economia Real avaliada em R$ 22,3 bilhões. Portanto, uma valorização imediata pelo ganho de capacidade de expansão em relação à largada. A Oi usou como base um preço mínimo de R$ 20 bilhões para a empresa. Só que esse valor é composto por R$ 16 bilhões de valor das ações e mais R$ 4 bilhões em dívidas que serão quitadas.

A Globenet, por sua vez, vai passar a integrar um projeto maior. A companhia foi adquirida em 2014 por US$ 780 milhões (câmbio de R$ 2,35), dos quais US$ 156 milhões em capital investido e o restante, em dívida. Desde então e até o fim de 2020, pagou mais de R$ 1,8 bilhão em dividendos. A história dessa operação começa nos anos 2.000, quando foi adquirida pela Brasil Telecom. Depois de alguns anos, foi feita uma fusão entre Oi e Brasil Telecom, e o negócio veio junto. A venda ocorreu dentro de uma tentativa da Oi de recuperar sua saúde financeira, após a problemática união com a Portugal Telecom. Na época, a ordem era transformar investimento em despesa. No lugar de investir na rede, vender, fazer dinheiro à vista e pagar pelo uso, em lógica semelhante a usada para torres celulares.

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