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As startups e a angústia de ter dinheiro: valor na B3 é o saldo em caixa

Cenário com taxa de juros em alta no mundo todo derrubou valor das companhias nas quais o retorno está em um futuro indefinido
Queda na bolsa: investidor procura por ativos seguros e companhias resilientes (Getty Images/Getty Images)
Queda na bolsa: investidor procura por ativos seguros e companhias resilientes (Getty Images/Getty Images)
Por Graziella ValentiPublicado em 24/03/2022 16:41 | Última atualização em 25/03/2022 11:38Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Em razão da forte correção recente nos preços das empresas de tecnologia, as startups brasileiras que fizeram oferta pública inicial (IPO) na B3 vivem agora um desafio inédito: ter dinheiro e isso ser preocupante. Boa parte das companhias que chegaram à bolsa brasileira na condição de startup, ainda que com muitos anos de vida, passaram os dias trabalhando com orçamentos enxutos e o sonho era ter caixa para fazer tudo acontecer. Agora, com os bolsos finalmente cheios, o saldo bancário tem gerado alguns momentos de angústia para os empreendedores. Muitas dessas empresas estão sendo negociadas na B3 por um valor muito próximo de seu saldo de caixa. Portanto, comprá-las agora seria o mesmo que adquirir dinheiro — o desempenho do negócio no futuro vem de graça.  

A lista tem boa parte das estreantes. Dotz, Enjoei, Westwing e GetNinjas são exemplos claros. A disparada na taxa de juros tirou do investidor médio a disposição de enfrentar a realidade desses negócios, que é primeiro gastar dinheiro para crescer e depois colher os resultados. Quando as empresas valem o que têm de dinheiro é como se a perpetuidade da operação não merecesse nenhum valor e isso as torna vulneráveis para movimentos como ofertas hostis. Além disso, fica mais simples e barato para um investidor montar uma posição relevante, com planos de participação da gestão. Tipo de receio que não existia na rotina de capital fechado desses empreendedores.

Boa parte dessas companhias (para não dizer todas elas) foi à bolsa com a percepção de que finalmente teriam acesso a um volume de recursos que permitiria investir em duas das despesas mais contidas na vida de uma startup: contratação de talentos e marketing. E, sim, elas estão investindo nessas frentes. Mas ser uma companhia aberta tem esse 'inconveniente': o preço na tela todos os dias.

O cenário internacional atual não está ajudando nada no momento. Inflação global, preocupação com estagflação, juros em alta e commodities mais caras. Para completar as incertezas: guerra. Tudo que o investidor procurar em momentos assim é segurança —  ou seja, companhias maduras, com elevada participação de mercado e rentáveis. E nada disso está disponível em uma startup. É essa busca, inclusive, que tem beneficiado o desempenho do Índice Bovespa, uma vez que o indicador brasileiro é bastante concentrado em companhias líderes setoriais.

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A Dotz, por exemplo, terminou dezembro com mais de R$ 240 milhões no caixa e está avaliada hoje em R$ 270 milhões. No caso de Enjoei, são R$ 595 milhões no pregão, para R$ 400 milhões de saldo no banco em setembro (o balanço de dezembro ainda não foi divulgado). A Westwing tem R$ 260 milhões aplicados e um valor de R$ 270 milhões na bolsa. GetNinjas, por sua vez, estava com mais de R$ 300 milhões no caixa, também em setembro, valendo agora menos de R$ 215 milhões na B3. Quando estrearam na B3, todas foram avaliadas acima de R$ 1 bilhão.

Entre esses empreendedores, alguns agora se questionam se foi a melhor decisão tomada — fazer o IPO. É claro que ter a conta cheia no momento é uma boa notícia, mas o desafio do preço baixo em bolsa vai além da vulnerabilidade momentânea. O desenvolvimento dessas empresas demanda muito investimento e a capacidade de financiar essa expansão é crucial. Ou seja, mesmo com folga de recursos agora, essas companhias certamente precisarão passar por novas rodadas de captação no futuro.

A diferença entre fazer isso como empresa fechada ou aberta é a referência de preço que o mercado cria. Enquanto o investidor do venture capital está acostumado a olhar para métricas típicas desse momento de empresa, como ritmo de crescimento, qualidade e lealdade de usuários, desenvolvimento do ciclo de vida do cliente, o acionista de mercado é mais ansioso.

Cada vez que um balanço dessas companhias traz Ebitda negativo atrás de Ebitda negativo, e com as perdas aumentando, gera um susto. Mas essa é a realidade dessas empresas: quanto mais elas gastam, sinal de que mais estão investindo em expansão. "Prejuízo é sinal de que estamos comprando tempo", definiu uma vez um empreendedor de uma dessas companhias. Em tese, significa que está tudo no lugar certo.

Para além da crítica sobre se a bolsa brasileira e o investidor local  tinham ou não maturidade para esse perfil de negócios, é preciso lembrar que o cenário de 2020 era bem diferente do atual. A taxa de juros em 2% ao ano praticamente empurrava investidores e empreendedores para bolsa. Além disso, embora o venture capital estivesse ganhando tração, não estava nem um pouco clara a explosão dessa indústria nos últimos dois anos.

Em 2019, os investimentos realizados pelos fundos de capital de risco somaram R$ 10,8 bilhões. Esse volume aumentou para R$ 14,6 bilhões em 2020 e atingiu R$ 46,5 bilhões no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). O investimento médio por rodada, que era de R$ 47 milhões em 2019, saltou para quase R$ 150 milhões em 2021.

Não dava para adivinhar.

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