3 de maio de 2024 às 16:45
A variação da cotação do cacau vem surpreendendo investidores. A commodity já caiu 27% em apenas dois dias, algo histórico para a matéria-prima do chocolate.
Segundo a Bloomberg, os preços futuros caíram até 13% em Nova York na terça-feira depois de terem registrado no dia anterior uma queda que remonta a 1960.
O recuo marca uma reviravolta acentuada em relação ao início do mês, quando os preços dispararam para um recorde de mais de US$ 11.000 a tonelada devido a uma histórica crise de oferta.
Mesmo com a recente retração, o cacau quase dobrou de preço desde o início do ano. E isso tornou mais caro a manutenção de posições e levou os investidores a fecharem negociações, o que esgotou a liquidez e tornou o mercado mais vulnerável a grandes oscilações de preços.
A recuperação do cacau tornou-o mais caro do que o cobre, e a grande questão era até onde os preços poderiam chegar. Para Pierre Andurand, um gestor de fundos ouvido pela Bloomberg, há espaço para as cotações futuras ultrapassarem US$ 20.000 neste ano.
E por que os preços estão oscilando tanto?
As colheitas na África Ocidental foram prejudicadas por doenças agrícolas e condições climáticas adversas, piorando as colheitas de Costa do Marfim e Gana (os dois maiores produtores do planeta) e forçando os dois países a prorrogarem os contratos de fornecimento.
O montante pago aos agricultores também está muito abaixo dos preços do mercado global, tornando os produtores menos capazes de investir nas plantações e aumentar a produção.