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Sobrevivente da 'era dos patinetes', Lime estreia na bolsa pressionada por dívida de US$ 1 bilhão

Empresa de micromobilidade levantou US$ 167 milhões em IPO bancado pela Uber, mas admitiu risco de falência sem a oferta e ainda dá prejuízo

 (Imagem gerada por IA/Exame)

(Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 6 de julho de 2026 às 09h07.

Última atualização em 6 de julho de 2026 às 09h24.

Uma das poucas empresas que sobreviveu à crise dos patinetes elétricos finalmente chegou à bolsa. A Lime, maior operadora de micromobilidade compartilhada do mundo, estreou na Nasdaq em 1º de julho e se tornou a última grande sobrevivente de um setor que queimou bilhões de dólares e viu a maior parte de suas rivais quebrar.

A companhia levantou US$ 167 milhões em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), segundo a Reuters. As ações foram precificadas a US$ 25 cada, no meio da faixa estimada de US$ 24 a US$ 26, e a empresa vendeu 6,68 milhões de papéis. Na estreia, os papéis subiram cerca de 9% na primeira hora de negociação, sob o código LIME.

A precificação avaliou a Lime em cerca de US$ 1,66 bilhão — praticamente o mesmo valor que a rival Bird alcançou ao abrir capital em 2021, antes de colapsar.

A trajetória até aqui foi acidentada. Fundada em 2017, a Lime chegou a ser avaliada em US$ 2,4 bilhões em 2019, mas viu esse valor despencar para cerca de US$ 510 milhões em 2020, quando a pandemia esvaziou as ruas e derrubou a demanda por patinetes.

O setor inteiro passou por um massacre. A Bird, que já foi uma das startups mais valiosas do segmento, pediu recuperação judicial em dezembro de 2023 e foi reorganizada.

No Brasil, o setor segue com duas empresas. Uma delas, do Cazaquistão, a JET, e uma da Rússia, de nome Whoosh, disputam um mercado enxuto focado em viagens curtas, de até 5 minutos, e em grandes capitais.

A aposta da Uber

Por trás da oferta está a Uber, principal parceira e acionista da Lime. A gigante de transporte por aplicativo, que integra os veículos da Lime à sua plataforma, planejava comprar até US$ 20 milhões em ações na oferta, uma aposta de que a categoria dos patinetes ainda tem futuro.

A relação entre as duas é antiga. Em 2020, a Uber liderou uma rodada de investimento de US$ 170 milhões na Lime e, como parte do acordo, a empresa de micromobilidade incorporou a Jump, a divisão de bicicletas e patinetes elétricos que a Uber havia comprado em 2018.

Crescimento real, lucro ausente

Os números mostram uma empresa que cresce, mas ainda não dá lucro.

A receita da Lime alcançou US$ 886,7 milhões em 2025, alta de cerca de 29% ante os US$ 686,6 milhões de 2024. No mesmo período, porém, o prejuízo líquido aumentou, de US$ 33,9 milhões para US$ 59,3 milhões.

A empresa opera bicicletas e patinetes elétricos em cerca de 280 cidades pelo mundo, alugados por aplicativo e pela plataforma da Uber, e se posiciona como a maior operadora do setor por número de viagens.

A dívida que forçou a estreia

O IPO não foi apenas uma escolha estratégica, mas uma necessidade. Em seu documento de registro, a Lime revelou ter cerca de US$ 1 bilhão em passivos de curto prazo, dos quais aproximadamente US$ 846 milhões vencem em 12 meses. A empresa afirmou não ter liquidez suficiente para quitar esse valor.

Por isso, a companhia chegou a alertar investidores sobre uma "dúvida substancial" quanto à sua capacidade de continuar operando, caso não conseguisse levantar recursos. A abertura de capital foi, nesse sentido, a via encontrada para cobrir a dívida e estabilizar as operações.

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