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SMS podem ser aliadas na luta contra o tabagismo

As mensagens - desenvolvidas com a ajuda de outros fumantes - traziam conselhos como tirar as preocupações da cabeça enquanto se está parando de fumar

Paris - As pessoas que querem parar de fumar têm duas vezes mais chances de ter sucesso de abandonar o vício quando recebem mensagens de texto em seus telefones celulares para encorajá-las, revela um estudo publicado nesta quinta-feira na revista médica The Lancet.

Médicos britânicos recrutaram 5.800 fumantes e os separaram, aleatoriamente, em dois grupos: um que recebeu mensagens de SMS elaboradas especialmente e outro de controle.

O primeiro grupo recebeu cinco mensagens por dia nas primeiras cinco semanas e depois três por semana nos seis meses seguintes.

As mensagens - desenvolvidas com a ajuda de outros fumantes - traziam conselhos como tirar as preocupações da cabeça enquanto se está parando de fumar e encorajavam os participantes a perseverar.

"É isso aí! - DIA DE LARGAR O VÍCIO, jogue fora todos os seus cigarros" foi uma das mensagens recebidas pelas pessoas no dia em que decidiram deixar o vício. "HOJE é o começo da LIBERDADE para sempre, você consegue!" foi outra.

Os voluntários deste grupo também tiveram um sistema personalizado ao qual podiam recorrer em caso de necessidade, e pedir ajuda ao enviar as palavras "abstinência" ou "recaída".

Como resposta à primeira, receberam este tipo de mensagem: "as crises de abstinência duram menos de 5 minutos, em média. Para ajudá-lo a se distrair, tente beber algo em pequenos goles até a crise passar".

Em resposta ao texto "recaída", receberam a resposta: "não se sinta mal ou culpado se você escorregou. Você fez muito ao parar por um tempo. Deslizes podem ser parte normal do processo de deixar o vício. Continue, você consegue!"


Comparativamente, os fumantes do grupo de controle receberam apenas mensagens brandas a cada quinzena, agradecendo-lhes por participar ou pedindo confirmação de detalhes de contato ou outras mensagens sem relação com o tabagismo.

Durante o teste, voluntários dos dois grupos enviaram amostras de saliva por correio.

As amostras foram examinadas para detectar a presença de cotinina, um elemento químico presente no tabaco, para verificar se os voluntários ainda fumavam ou haviam deixado o vício.

Após seis meses, 10,7% das pessoas do grupo apoiado por mensagens de SMS permaneciam sem fumar, contra apenas 4,9% no grupo de controle. As taxas de sucesso foram similares em todas as idades e grupos sociais.

Para os cientistas, o teste, batizado de "txt2stop" (escreva para parar, em uma tradução literal) revelou uma ferramenta poderosa e de baixo custo para combater o tabagismo, e que pode ser adotada ao redor do mundo.

Em 2009, mais de dois terços da população mundial tinham telefone celular e 4,2 trilhões de mensagens de texto foram enviadas.

"As mensagens de texto são uma forma muito conveniente para apoiar os fumantes a abandonar o vício", disse Caroline Free, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que conduziu o experimento.

"As pessoas compararam o 'txt2stop' a ter um 'amigo' a encorajá-las ou um 'anjo da guarda', pois as ajudou a resistir à tentação de fumar", acrescentou.

O 'txt2stop' é a última pesquisa sobre o uso de mensagens de texto via celular como ferramentas médicas.

Em um estudo publicado em novembro passado, pacientes infectados com o HIV no Quênia que receberam lembretes de texto sobre a ingestão diária de medicamentos para a Aids mostraram ser 12% mais propensos a aderir completamente ao tratamento do que seus pares de um grupo de controle que não receberam texto nenhum.

De acordo com dados apresentados no estudo, o tabagismo mata mais de cinco milhões de pessoas por ano e dois em cada três fumantes britânicos afirmam que em algum momento da vida pensaram em abandonar o vício.

Uma pesquisa anterior já tinha demonstrado que mensagens por SMS encorajam a abstinência, mas estas experiências duraram apenas seis semanas e não um semestre, como o estudo atual.

Além disso, no primeiro caso os resultados foram relatados pelos próprios voluntários e não checados em exames de laboratórios, como o atual.

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