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Por que esta empresa de software comprou mais de US$ 1 bi em bitcoins

Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, explicou em entrevista à revista Time por que montou uma posição bilionária no criptoativo

Saylor, da MicroStrategy: para o executivo, expansão monetária irá desvalorizar dinheiro no médio prazo e será preciso encontrar uma reserva de valor (Daniel Acker/Bloomberg/Getty Images)

Saylor, da MicroStrategy: para o executivo, expansão monetária irá desvalorizar dinheiro no médio prazo e será preciso encontrar uma reserva de valor (Daniel Acker/Bloomberg/Getty Images)

TL

Thiago Lavado

Publicado em 22 de março de 2021 às 14h25.

Última atualização em 22 de março de 2021 às 14h45.

A empresa de Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, teve um "problema" que muitas companhias gostariam de ter em 2020. Diante da pandemia, a empresa especializada em software corporativo viu suas reservas crescerem, com redução de custos e alta demanda pelos serviços.

Com um faturamento de 482 milhões de dólares em 2020 e uma aversão à ajuda trilionária que bancos centrais estavam realizando ao redor do mundo, Saylor, como muitos no universo das criptomoedas, fez as contas e estimou que a desvalorização do dólar seria de 15% ao ano.

Ele explicou em entrevista à revista Time como em agosto do ano passado tomou a decisão de alocar os fundos da empresa em bitcoin, comprando 21.454 moedas por 250 milhões de dólares. O executivo continou a aumentar a posição, comprando 19.452 bitcoins adicionais por 1 bilhão de dólares. Atualmente são 90.531 bitcoins, avaliados em 5 bilhões de dólares.

O impacto foi sentido nas ações da MicroStrategy, que foi multiplicada por 7 em um ano.

"Se você olhar para março de 2020, eram raras as instituições envolvidas. Nos 12 meses seguintes houve uma avalanche de envolvimento institucional. A MicroStrategy foi a primeira empresa pública que fez investimentos materiais [em bitcoin]", disse Saylor à revista americana.

"Mas na sequência veio a Square [comandada por Jack Dorsey, também CEO do Twitter]. Seguida pela Tesla [de Elon Musk]. Mas elas são a ponta do iceberg. Nós fizemos a conferência "Bitcoin para Corporações" em fevereiro e eu pensei que o comparacimento seria na casa dos milhares. Foram 10.000 pessoas por dia e quebrou nosso servidor de vídeo", afirmou.

Embora Saylor não confirme, a reportagem da Time explica que uma troca de tuítes entre ele e Elon Musk, CEO da Tesla, pode ter impactado a decisão da empresa de comprar 1,5 bilhão de dólares em bitcoin no início deste ano.

"Se você quiser fazer um favor de 100 bilhões de dólares a seus acionistas, converta o formulário de balanço da Tesla de dólar para bitcoin", disse Saylor na resposta, em dezembro.

Para Saylor, investidores e qualquer pessoa procurando um investimento racional no atual momento precisa estimar o índice de expansão monetária para os próximos oito anos.

"É preciso encontrar uma reserva de valor", afirma. "Bitcoin não é especulação, ok? Bitcoin é uma tecnologia nova única, é como o Facebook ou o Google do dinheiro. E cresceu do nada para um valor de 1 trilhão de dólares em 12 anos".

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