Pinterest paga 100 milhões de reais em processo de discriminação de gênero

Após denúncia de ex-chefe de operações, outras duas funcionárias acusaram a empresa de discriminação
Pinterest: empresa prometeu investir 2 milhões de dólares no avanço de mulheres na indústria de tecnologia (Brendan McDermid/Reuters)
Pinterest: empresa prometeu investir 2 milhões de dólares no avanço de mulheres na indústria de tecnologia (Brendan McDermid/Reuters)
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Laura Pancini

Publicado em 16/12/2020 às 16:35.

Última atualização em 16/12/2020 às 20:13.

O Pinterest, rede social que simula um quadro de inspirações virtual, pagou 20 milhões de dólares (aproximadamente 100 milhões de reais) para resolver um processo de discriminação de gênero movido pela ex-chefe de operações da empresa, Françoise Brougher.

A executiva francesa foi demitida em abril durante uma vídeo chamada com Ben Silbermann, presidente-executivo do Pinterest. Ela alega que foi demitida após “falar abertamente sobre a discriminação, ambiente de trabalho hostil e misoginia” e também acusou a empresa americana de excluir as funcionárias mulheres da tomada de decisões.

Brougher, que já trabalhou no Google, também disse que descobriu uma discrepância entre seu salário e de outros colaboradores do Pinterest. Quando ela mencionou isso para Silbermann, a ex-COO afirma que foi "penalizada".

O Pinterest é uma rede social majoritariamente feminina, com 70% dos seus usuários sendo mulheres. Apesar disso, a executiva afirma que "a empresa é dirigida por homens com pouca contribuição de executivos do sexo feminino".

Como parte do acordo, o Pinterest investirá 2,5 milhões de dólares (por volta de 12,5 milhões de reais) no avanço das mulheres e outras minorias na indústria de tecnologia. A empresa também afirma que deve tomar mais ações para "melhorar sua cultura" interna.

A empresa hoje é avaliada em 43 bilhões de dólares (215 bilhões de reais). O acordo proposto de 20 milhões é considerado o maior (anunciado publicamente) para discriminação de gênero nos Estados Unidos.

“Quero que mais mulheres falem, mas, o mais importante, quero mais mulheres na diretoria”, disse Brougher em sua conta no Twitter.

Após a denúncia de Brougher, duas ex-funcionárias negras acusaram a empresa publicamente de discriminação racial e de gênero. Elas alegam que enfrentaram diversos casos de tratamento discriminatório por gestores, colegas e funcionários da área de recursos humanos.

Centenas de funcionários do Pinterest organizaram uma paralisação virtual e assinaram uma petição reprovando os casos divulgados pelas três mulheres em agosto. O site criado pelos colaboradores, Change at Pinterest, ainda está online. Nele, eles alegam que Silbermann "é uma pessoa boa tentando fazer a coisa certa", mas que "todas as formas de discriminação devem parar, mesmo as não intencionais".

“O Pinterest reconhece a importância de promover um ambiente de trabalho diversificado, equitativo e inclusivo e continuará suas ações para melhorar sua cultura”, disse a empresa em comunicado.

Caso Uber

Nesta semana, o aplicativo de transporte Uber foi multado em 59 milhões de dólares (por volta de 295 milhões de reais) por não responder perguntas em relação a segurança dos passageiros, especialmente sobre 1.200 supostos casos de assédio sofridos pelos usuários durante as viagens.

A empresa tem 30 dias para pagar a multa à Comissão de Serviços Públicos da Califórnia (CPUC, na sigla em inglês) e responder às perguntas do órgão. Caso não faça isso, o serviço corre o risco de ser suspenso no estado, conforme foi decidido em tribunal e reportado pelo jornal americano The San Francisco Chronicle.