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A centenária empresa alemã que comanda a oficina das Paralimpíadas

Cadeira de rodas com pneu furado, problemas no encaixe da prótese e mais pode acontecer com os atletas paralímpicos durante a competição; conheça a Ottobock, responsável pelos serviços de manutenção e reparo dos jogos

O que acontece quando o pneu da cadeira fura ou algo dá errado com a prótese nos Jogos Paralímpicos? Desde Seul em 1988, a fabricante alemã Ottobock se responsabiliza pelos serviços gratuitos de manutenção e reparo de cadeiras de rodas, próteses, órteses e outros dispositivos em troca, consegue se anunciar como parceira oficial dos jogos.

Centenária, a Ottobock começou fabricando próteses para os veteranos alemães da Primeira Guerra Mundial. Hoje, presente em mais de 50 países, é conhecida por algumas inovações únicas na produção de próteses, como a Mão de Michelangelo, com design extremamente natural, e a C-Leg, articulação de joelho computadorizada que se adapta à resistência do paciente. 

Junto com a empresa, as oficinas nas Paralimpíadas crescem a cada edição. O que em 1988 era apenas uma barraca com quatro técnicos, em 2021 já é bem maior: “Teremos bancadas de trabalho, maquinários e cabines de soldagem, e trabalharemos das 7h às 23h todos os dias”, disse Donna Fisher, especialista clínica da Ottobock, ao site Quartz. A empresa também oferece linha direta de emergência 24 horas. 

A equipe de assistência técnica é composta por 106 membros que, ao todo, falam 22 idiomas. Para os Jogos, eles despacharam 18 toneladas métricas de equipamentos e máquinas e 17.300 peças sobressalentes.

A expectativa é de realizar até 200 reparos por dia e cerca de 2.000 durante toda a estadia, que podem ser “desde o simples enchimento de um pneu de cadeira de rodas até reparos complexos”, como descreve a companhia em seu site.

Nas Paralímpiadas que acontecem agora, por enquanto, já foram realizados 812 reparos de cadeiras de rodas (579), próteses (143), órteses (24) e outros produtos (66). Os reparos mais complexos tendem a levar de uma semana até 10 dias para serem concluídos.

Os problemas mais comuns no dia a dia da equipe da Ottobock envolvem as cadeiras de rodas projetadas especialmente para a prática de esportes. “Há muita soldagem”, disse Fisher.

Em esportes como basquete e rúgbi, as cadeiras levam “uma surra”, conta a especialista. Nos Jogos do Rio, por exemplo, sua equipe passou uma noite inteira consertando cadeiras de rodas de um time de rúgbi. De quinze, duas não conseguiram ser salvas e tiveram que ser substituídas. 

Outros problemas frequentes envolvem ajustar o encaixe das próteses no corpo, que rasgam com facilidade, e com as lâminas de corrida. Como elas são feitas de camadas de fibra de carbono laminadas juntas em altas temperaturas, podem se desfazer ou quebrar repentinamente. 

As próteses vistas pela equipe mudam de país para país. Como é de se imaginar, os mais desenvolvidos chegam com dispositivos substitutos ou até equipes técnicas para reboque. Para os atletas de países mais pobres, de acordo com Fisher, a Ottobock acaba “consertando as coisas ou substituindo, porque eles não terão uma lâmina ou prótese sobrando”.

Porém, a especialista ressalta que o barateamento das próteses, com o avanço da tecnologia, acaba diminuindo um pouco essa divisão a cada Paralimpíada que passa.

Mesmo com a equipe em Tóquio, a empresa já está se preparando para os Jogos de 2024. A que acontece agora é a terceira de Fisher, que conta que é a edição mais complicada por conta da pandemia do coronavírus: “Estou neste campo há mais de 20 anos, mas é bom sentir que a cada quatro anos mais ou menos, assim como esses atletas vão lá para mostrar o que fazem, nós também podemos mostrar o que fazemos.”

Há também outro aspecto interessante da tecnologias nas paralimpiadas: é certo que muito do que se vê em pistas, campos ou quadras será incorporado — ou adaptado — para fora delas. Cumpriram, quase como uma continuidade do evento, a função de levar pessoas com deficiência ao pódio da própria vida.

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