Os prós e contras da iTunes Store brasileira

Entre os pontos positivos está o grande acervo; nos pontos negativos, estão o pagamento em dólar e a ausência de artistas nacionais independentes

São Paulo – Oito anos após estrear nos Estados Unidos e salvar, parcialmente, a indústria da música da pirataria que assolava a web na virada da década passada, a iTunes Store chegou, hoje, ao Brasil.

Mas será que o serviço vai decolar por aqui, já que, para muitos usuários, conseguir conteúdo digital hoje é considerado tão fácil quanto encher os bolsos de areia no deserto?

Steve Jobs sempre acreditou que sim. Em depoimento a Walter Isaacson em sua biografia, Jobs defende a “pureza” do ato de se comprar na iTunes Store: um ambiente seguro, livre da ameaça de vírus, com catálogo organizado, onde o usuário colabora com seus ídolos e ainda combate a pirataria.

Na década passada, a importância da iTunes Store foi tão grande que artistas como U2 e Bob Dylan aceitaram fazer propagandas para o iPod e para Apple gratuitamente. Em troca, seus discos e acervo ganham destaque na loja, além de ajudar na renovação da imagem dos artistas.

De forma geral, para cada faixa vendida por 0,99 dólar, o artista fica apenas com 9 centavos, enquanto a Apple leva outros 30. O restante vai para a gravadora e é gasto com impostos.

Analisamos alguns pontos positivos e falhos da iTunes Store no Brasil:

Pró – Usabilidade

Levando em consideração a experiência do usuário, Jobs tem razão. É muito mais prazeroso e seguro navegar nas páginas da loja do que procurar um arquivo de torrent no Google para baixá-lo na sequência, correndo o risco de ser infectado por algum vírus.


Contra – Pagamento em dólar

Porém, um ponto em especial ainda compromete essa experiência: o pagamento em dólar. Primeiro, a conversão da moeda transforma os 0,99 dólares cobrados por cada faixa em cerca de 1,80 reais. A isso, soma-se ainda o valor da IOF cobrado em transações internacionais (mais 0,06 centavos de dólar por cada faixa) sobre a transação.

Pró – Acervo de músicas

A iTunes Store chega ao Brasil com o acervo das quatro majors: EMI, Sony, Warner e Universal em seu catálogo. Isso significa que discos de artistas como Riahanna, Red Hot Chilli Peppers, The Beatles, Coldplay, Eminem, Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Victor e Leo, entre outros, podem ser comprados na íntegra. Em uma busca, pelos menos 15 álbuns autorais de Chico Buarque podem ser encontrados. Para os artistas internacionais, algumas faixas estão com preço mais em conta do que o cobrados nos Estados Unidos.

Contra – Ausência de artistas nacionais independentes

Por outro lado, nomes independentes da nova MPB, como Criolo, Tulipa Ruiz e Bixiga 70, que andam em alta na web, ainda não tem seus discos disponíveis.

Além disso, algumas informações de catálogo também estão incorretas. O primeiro disco da banda Raimundos, por exemplo, lançado em 1994, aparece com data de 1996. Pequenos erros como esses são comuns quando você faz o download ilegal de um arquivo, mas não são aceitos em um ambiente onde um fã procura conteúdo pago.


Contra – Poucos filmes e caros

Se o catálogo de música pode ser considerado amplo, o mesmo não se estende a loja de filmes. O catalogo é pequeno e os preços não são atrativos. O valor para a compra de um filme comum varia entre 6,99 e 14,99 dólares. O aluguel custa entre 2,99 e 3,99 dólares. Para fator de comparação, um mês de assinatura da Netflix sai por 14,99 reais.

Ao mesmo tempo, existem poucos títulos nacionais. Sucessos do cinema local contemporâneo, como “Cidade de Deus”, “O invasor”, “A Mulher Invisível”, “O Cheiro do Ralo”, “Central do Brasil” e “Estômago” não constam no catálogo.

Contra – Poucos títulos em HD

Se o catálogo de filmes no formato padrão já deixa a desejar, a “prateleira” fica ainda mais vazia ainda quando se procura por títulos em HD. A iTunes Store nacional não possui mais de 50 arquivos no formato, sendo grande parte formada por filmes infantis e de segundo escalão. O destaque da seção é o premiado “Tropa de Elite 2”, mas caso o usuário queira assisti-lo, terá de desembolsar 19,99 dólares.

Contra – Não contém livros novos

A Apple ainda não fechou acordos para com editoras nacionais e internacionais para a comercialização de e-books no Brasil. Dessa forma, somente livros gratuitos, de autores como Émile Zola, Honoré de Balzac, Victor Hugo etc., que já caíram em domínio público, pode ser encontrados no espaço.


Pró – iTunes Match

O Brasil é o segundo país a receber o serviço que permite enviar para a nuvem toda a biblioteca sonora do usuário para ser ouvida em seus dispositivos. O pacote sai por 24,99 dólares ao ano – mesmo preço oferecido aos usuários americanos.

Neutro – App Store

Nada muda em relação da App Store comparando seu funcionamento no iPod Touch, no iPhone e no iPad. A iTunes Store deve estimular ainda mais a criação de apps nacionais.

Balanço final

Apesar das falhas iniciais, caso a iTunes Store amplie seu acervo, invista em conteúdo nacional e, principalmente, nacionalize os preços mantendo a mesma proporção de 99 centavos, é forte candidata para se tornar um sucesso entre os usuários brasileiros.

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