Rock in Rio Lisboa 2026: robô já foi segurança no festival de Portugal (Divulgação)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 05h55.
Entre guitarras, fãs e uma multidão circulando pela Cidade do Rock, uma figura pouco convencional estará de olho no movimento: um robô humanoide de 1,45 metro. Ele fará parte da operação de segurança do Rock in Rio 2026 ao lado de mais de dois mil vigilantes — e até de dois cães de guarda.
Batizado de Yellow Pro, o robô será usado pela SegurPro, responsável pela segurança oficial do festival no Brasil. A operação contará ainda com 117 câmeras, quatro drones, 20 câmeras corporais e radares para monitoramento do perímetro.
O Rock in Rio acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A expectativa divulgada pela organização é receber cerca de 100 mil pessoas por dia.
A operação de segurança será coordenada por um Centro de Controle Operacional (CCO) instalado no próprio Parque Olímpico, que recebe o festival desde 2017.
“A tecnologia não substitui o fator humano; ela potencializa a capacidade de quem está à frente da segurança. A complexidade desses eventos exige que a tecnologia esteja integrada à estratégia de prevenção e à tomada de decisão”, afirma Paulo Armário, gerente de operações de eventos e Risk Advisory da SegurPro, em entrevista à EXAME.
Para Armário, a estrutura montada no Rock in Rio antecipa uma transformação que deve ganhar espaço no setor de segurança, com profissionais mais conectados, decisões orientadas por dados e tecnologias capazes de ampliar o monitoramento dos ambientes.
O Yellow Pro é um robô humanoide G1Plug com aproximadamente 35 quilos. O equipamento possui formato e movimentos inspirados no corpo humano e pode atingir velocidade de até 7,2 km/h.
O modelo utiliza LiDAR 3D e câmeras de profundidade para mapear o ambiente em 360 graus e em tempo real.
O LiDAR emite feixes de luz e calcula o tempo de retorno para construir uma representação tridimensional do espaço. Já as câmeras de profundidade ajudam o sistema a calcular a distância entre o equipamento e pessoas ou objetos ao redor.
O robô pode contar com até 43 motores nas articulações, responsáveis pelos movimentos e pelo deslocamento. Durante o festival, poderá realizar percursos e interações controladas, sempre sob supervisão humana, segundo a SegurPro.
Na Argentina, o serviço de correio usa 240 robôs para a triagem de até 9 mil encomendas por horaO equipamento já foi utilizado no Rock in Rio Lisboa 2026 e agora será incorporado à operação brasileira.
“Estamos sempre atentos às novas tecnologias e às possibilidades que elas oferecem para aprimorar nossas operações. Mas incorporar uma nova ferramenta também exige preparo”, afirma.
Segundo o executivo, os profissionais responsáveis pelos equipamentos passaram por treinamento para utilizá-los durante o evento.
O humanoide é apenas uma peça de uma estrutura que mistura vigilância humana, câmeras, inteligência artificial (IA), drones e análise de dados.
Das 117 câmeras que serão distribuídas pela Cidade do Rock, 40 terão recursos de IA, segundo a SegurPro.
Elas serão instaladas em pontos como entradas e saídas, acessos às atrações, áreas de alimentação e locais de maior concentração de pessoas.
Entre as funções previstas estão contagem de público em tempo real, classificação demográfica por gênero e faixa etária, monitoramento de fluxo e permanência por mapas de calor, identificação de objetos abandonados e detecção de acessos indevidos ou movimentações consideradas fora dos padrões estabelecidos.
As equipes também utilizarão 20 bodycams, capazes de transmitir áudio e vídeo em tempo real.
As informações chegarão ao CCO, que concentrará profissionais de segurança, monitoramento e tecnologia e fará a integração com órgãos públicos e forças policiais.
“A tecnologia amplia nossa capacidade de monitoramento e nos permite acessar informações em tempo real, enquanto os profissionais utilizam esses recursos para analisar cenários e tomar decisões de forma mais ágil e assertiva”, afirma Armário.
Robôs estão perto de viver 'momento ChatGPT', diz CEO da UnitreeO céu também fará parte da operação. Quatro drones serão empregados no monitoramento do festival, incluindo um modelo equipado com uma dockstation.
A estação funciona como uma base fixa para o equipamento. A partir dela, o drone pode decolar de maneira autônoma para cumprir missões de monitoramento e retornar para recarga.
Radares serão utilizados para auxiliar na identificação antecipada de movimentações em áreas consideradas sensíveis e no acompanhamento do entorno da Cidade do Rock.
Apesar da quantidade de equipamentos, a maior parte da estrutura continuará sendo humana. Mais de 2.000 vigilantes serão mobilizados para a edição, segundo a SegurPro.
A comunicação entre os profissionais em campo e o centro de controle será feita também pela Plataforma Operativa SegurPro (POPs), sistema utilizado para compartilhar informações sobre ocorrências em tempo real.
No meio de câmeras com IA, humanoide e drones autônomos, a operação também recorrerá a uma tecnologia de segurança bem mais antiga: dois cães de guarda.
Os animais atuarão acompanhados de vigilantes treinados e serão empregados como parte da proteção do evento.
A combinação de pessoas e máquinas é chamada pela empresa de “Segurança Híbrida”. A SegurPro afirma que 2026 marca seu 14º ano como responsável pela segurança oficial do Rock in Rio no Brasil e os 20 anos do início da parceria com o festival, que começou na edição de Lisboa de 2006.
Uma das posições dentro do CCO será ocupada por um vigilante que utiliza cadeira de rodas, segundo a empresa.
O profissional participará da operação no centro que recebe e distribui informações para as equipes espalhadas pelo festival.
Além do público estimado em cerca de 100 mil pessoas por dia, o Rock in Rio deve movimentar aproximadamente R$ 3,3 bilhões na economia do estado do Rio de Janeiro, segundo os números divulgados no material do evento. Quase metade do público esperado virá de outros estados.
Durante sete dias de festival, portanto, quem olhar para os palcos encontrará artistas. Quem prestar atenção aos bastidores poderá encontrar algo diferente: vigilantes, cães, drones e um robô humanoide dividindo a mesma operação.