Lionel Messi: nas últimas três Copas, a Argentina chegou em duas finais e venceu a de 2022 (Paul ELLIS / AFP)
Repórter
Publicado em 5 de julho de 2026 às 05h01.
Assistir a um jogo de futebol deixou de ser uma atividade de uma tela só.
Hoje, o torcedor acompanha a partida na TV enquanto comenta em grupos, confere a estatística em aplicativos e checa a reação nas redes sociais — tudo ao mesmo tempo, tudo em tempo real.
E, nessa nova forma de torcer, qualquer atraso de segundos entre o lance e a tela virou um problema: o gol chega pelo celular antes de chegar pela transmissão.
"Ninguém mais aceita ficar pra trás", resume João Gustavo França, estudante de ciência da computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que criou uma extensão para reduzir o atraso das transmissões pela internet.
A frase resume uma mudança de comportamento que pesquisas vêm medindo a cada Copa: o público não quer mais só assistir, quer participar da conversa no exato momento em que o jogo acontece.
O comportamento é causado especialmente pela segunda tela e pelo hábito de usar o celular como companhia enquanto a partida corre na tela principal.
Ele já é a maioria. Uma pesquisa da Kantar apontou que 54% dos torcedores pretendem usar mais de uma tela para acompanhar a Copa do Mundo de 2026, e 45% afirmaram que vão usar o celular simultaneamente às transmissões.
Entre os mais jovens, o padrão é ainda mais forte.
Segundo levantamento da Snap, 74% da geração Z acompanham os jogos enquanto usam redes sociais. O torcedor não apenas assiste, mas reage, comenta e analisa a partida à medida que ela acontece.
Essa simultaneidade é justamente o que torna o atraso insuportável.
Se a notificação de gol do aplicativo, a mensagem do amigo e o grito do vizinho chegam antes da bola balançar a rede na sua tela, a emoção da descoberta se perde. O lance deixa de ser surpresa e vira confirmação.
Foi esse incômodo que levou França a criar a sua extensão, a ZeroDelay.
"Estava incomodado ao ouvir os gritos de gol antecipadamente", contou em entrevista à EXAME.
O caso ilustra uma inversão: antes, comentar o jogo depois do apito era o normal. Agora, comentar em tempo real virou a regra, e ficar segundos atrás significa ficar de fora.