Na ‘corrida dos streamings’, DirecTV Go faz parceria com Algar Telecom

Em meio ao aumento da oferta de serviços por assinatura no país, empresas unem forças para conquistar cada vez mais clientes

A disputa dos streamings para capturar a atenção dos consumidores está cada vez mais acirrada. Num mundo onde Disney+, HBO Max, Star+, Netflix e tantos outros buscam aumentar cada vez mais a base de clientes, a DirecTV Go aumenta seu “poder de fogo” com uma parceria firmada com a Algar Telecom, como informaram as empresas com exclusividade à EXAME.

O mundo segue mudando. Siga em evolução com a EXAME Academy

A plataforma de streaming mantida pela AT&T chegou ao Brasil em dezembro de 2020 com a proposta de oferecer esporte ao vivo e acesso a mais de 90 canais. Ou seja, ao contrário das plataformas rivais, que apostam em produções próprias, a DirecTV Go quer se aproximar de uma oferta de modelo de TV a cabo -- só que sem precisar instalar cabo nenhum e com um preço mais competitivo do que o cobrado por esses serviços. Hoje, a DirecTV Go cobra R$ 69,90 pelos serviços.

Nove meses depois de chegar ao país, a empresa agora se aproxima ainda mais dessa missão ao abrir a possibilidade de que clientes da Algar Telecom consigam contratar os serviços da DirecTV Go direto com a operadora, sem a necessidade de terem cartão de crédito. 

O serviço deve ser revendido pela Algar Telecom em toda a sua área de concessão, que hoje é formada por 87 municípios nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul – com um total de mais de 1,2 milhão de clientes. 

“A DirecTV Go é uma plataforma construída em cima da nossa crença de que as pessoas têm uma certa fadiga de assinaturas. Acreditamos muito no nosso conteúdo para o público brasileiro e começamos o nosso esforço de expansão nacional junto com a Algar Telecom, empresa em que confiamos e na qual acreditamos”, diz Gustavo Fonseca, presidente da DirecTV Go, à EXAME.

O executivo não abre quais são as metas em números dessa parceria, mas diz que se trata de um primeiro passo rumo à expansão nacional e que futuras parcerias com outras empresas não estão descartadas. Empresas de e-commerce e fintechs estão na mira da empresa.

Do lado da Algar Telecom, a percepção positiva é compartilhada, por oferecer aos clientes um serviço que condiz com internet mais rápida, como a de fibra ótica-- instalada na maior parte da base de clientes da empresa. “O noss propósito é colocar esse serviço para os clientes que já têm fibra e oferecê-la como um motivo a mais para trocar por essa tecnologia para aqueles que ainda não têm. Vamos testar a adaptação dos clientes à DirecTV Go, mas estamos confiantes”, diz Rodrigo Schuch, diretor de marketing da Algar Telecom.

A parceria também não é exclusiva do lado da Algar. A operadora já mantém contratos com plataformas que vão desde livros digitais a streaming de músicas e a empresa afirma que está sempre de olho em novidades.

Fato é que a aliança entre streaming e operadoras vem se tornando um comportamento comum no Brasil. Recentemente, a plataforma de streaming de música Deezer fechou parceria com a TIM: em junho deste ano, clientes do plano TIM Beta passaram a contar com o Deezer Premium dentro do plano. A concorrente Spotify também tem parcerias com a operadora Vivo -- esta também dá descontos em mensalidades de Netflix e Disney+.

Diante da concorrência aumentando, parece um movimento natural construir alianças para continuar conquistando clientes e alcançar os patamares da pioneira Netflix. De acordo com uma pesquisa feita pelo Itaú Cultural em parceria com Datafolha, a plataforma concentra 62% do mercado, seguida por Amazon (27%), Globoplay (24%), Disney+ (16%), Telecine (14%), Now (7%) e Mubi (3%). Vale lembrar que a Disney+ vem crescendo em ritmo acelerado e já superou a marca de 100 milhões de assinantes em seis meses. 

Como vencer essa disputa tão apertada?

Ou seja, não é à toa que a busca por “reforços” aumenta na ânsia de cada uma conquistar a própria fatia dentro desse mercado. Mas, até onde vai esse fôlego? 

No caso da DirecTV Go, a empresa tem a seu favor o fato de que a oferta faz sentido no Brasil, país em que a TV por assinatura apresenta queda contínua: são cerca de 170 mil assinantes a menos, por mês, em 2021. É mais do que o dobro do ritmo registrado em 2020, cerca de 77 mil clientes, segundo dados divulgados pela Anatel. 

É um comportamento diferente do registrado nos Estados Unidos, por exemplo, em que o número de assinantes da TV paga passou de 116,5 milhões em 2010 para 106,1 milhões em 2017, segundo dados compilados pela plataforma de análises Statista.

Enquanto isso, o streaming mostra seu potencial de crescimento, com inegável contribuição da pandemia. Essa combinação de fatores -- mesmo em mercados onde TV paga tem um redução menos dramática -- representa um “jogo ganho” para companhias de streaming que queiram atuar nesse nicho? 

Para Jeffrey Cole, professor da Universidade do Sul da Califórnia especializado no estudo de novas mídias, não. 

“Acredito que, em geral, as pessoas vão pagar, em média, por 2,5 serviços de assinatura em suas casas. A Netflix já responde, sozinha, por um desses serviços. Por isso, especialmente empresas menores terão que se combinar para se tornarem mais fortes diante dessa concorrência. Isso é uma tendência global”, afirma, à Exame.

Além de ganhar relevância por meio de parcerias inteligentes, as empresas devem enfrentar um novo desafio em breve: o afrouxamento das medidas de isolamento social, conforme os casos de covid-19 diminuem e a vacinação avança.

Diante de mais atividades fora de casa -- e, é claro -- menos tempo diante das telas, não bastará conquistar novos consumidores, mas, obviamente, retê-los ao longo do tempo. 

Enquanto a Netflix parece já ter um terreno consolidado para tanto e a Disney+ parece seguir um caminho similar, o que outras empresas podem fazer? Para o professor, ter sucesso nesse novo caminho está relacionado a uma só meta: garantir que o público assista à plataforma o suficiente para não cancelar a assinatura.

“Hoje, temos níveis muito mais altos de tempo gasto diante das telas, que sem dúvida vão diminuir. Muitas pessoas encaram isso como se fosse causar um movimento muito dramático, mas eu não acredito nisso. Não há perigo. Será necessário capturar a atenção dos clientes para que mantenham contato constante com a marca e vejam algum valor no serviço, não o valor todo do lazer de suas vidas, mas o suficiente para não cancelarem o pagamento mensal”, diz.

Definir vencedores e perdedores em um ambiente de rápidas e tantas mudanças ainda não é possível. Mas, as parcerias já indicam que as plataformas de streaming estão seguindo um caminho parecido com esse. Na briga pelo tempo útil dos clientes -- que pode incluir até dormir e comer, como a Netflix já anunciou -- vale tudo. Não à toa, a DirecTV Go quer aproveitar a sua parte dentro desse novo nicho também.

Não perca as últimas tendências do mercado de tecnologia. Assine a EXAME.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 4,90/mês
  • R$ 14,90 a partir do segundo mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 129,90/ano
  • R$ 129,90 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 10,83 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Veja também