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Na Argentina, o serviço de correio usa 240 robôs para a triagem de até 9 mil encomendas por hora

Correo Argentino adota a automação para modernizar sua logística. Veja os detalhes

Automação: robôs "mini yellow" da Libiao Robotics operam no hub automatizado do Correo Argentino

Automação: robôs "mini yellow" da Libiao Robotics operam no hub automatizado do Correo Argentino

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 13h39.

Última atualização em 1 de setembro de 2026 às 13h12.

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Imagine um galpão de pouco mais de mil metros quadrados, sem esteiras compridas cruzando o teto, sem fileiras de funcionários debruçados sobre pacotes. No lugar disso, 240 pequenos robôs amarelos circulam pelo chão em linhas quase coreografadas, cada um carregando uma encomenda de cada vez.

Eles recebem o pacote em uma das 13 estações de indução, leem o código de barras ou QR code em frações de segundo, calculam a rota mais eficiente e deslizam até o compartimento de destino certo — sem parar, sem errar, 24 horas por dia.

É assim que funciona, hoje, o Correo Argentino, dono do que a fabricante chinesa Libiao Robotics descreve como o "primeiro hub de triagem postal totalmente robotizado da América Latina".

A instalação, na unidade de Monte Grande, próxima a Buenos Aires,tem capacidade para processar até 9 mil encomendas por hora— o triplo da capacidade anterior da unidade, segundo a empresa.

O sistema atende principalmente pacotes pequenos e médios de e-commerce, de até cinco quilos, tanto em fluxos domésticos quanto internacionais, cobrindo cerca de 60 destinos na região metropolitana de Buenos Aires e mais 70 localidades pelo país.

Como funciona a triagem robotizada?

No centro da operação está o Libiao T-Sort Sorting System, que combina inteligência artificial (IA), sensores, algoritmos de roteamento dinâmico e reconhecimento por código de barras ou QR code.

Os robôs, batizados de "mini yellow", transportam as encomendas das estações de indução até os pontos de destino. Segundo a empresa, a acurácia do sistema supera 99,9%, e a operação ininterrupta reduz a dependência de processos manuais intensivos, historicamente mais sujeitos a gargalos e erros de triagem.

"Este projeto mostra que a robótica inteligente já não é uma discussão de futuro para a logística postal. Ela está resolvendo problemas concretos hoje: capacidade, precisão, velocidade e uso de espaço", diz Ronan Shen, Global Head of Sales da Libiao Robotics, em comunicado enviado à EXAME.

Modernização puxada por pressão de custo e volume de e-commerce

Segundo a empresa, a decisão do Correo Argentino de investir em automação surge em um contexto de alta inflação, aumento de custos trabalhistas e crescimento acelerado das encomendas impulsionado pelo comércio eletrônico no país — fatores que pressionaram o modelo tradicional de triagem manual da estatal.

A solução também otimiza espaço. Segundo a Libiao, o sistema aumenta em 50% a utilização da área em comparação a estruturas tradicionais de triagem, um ganho relevante para hubs urbanos, onde o terreno é caro e escasso.

"Uma das maiores vantagens da automação modular é permitir que o operador cresça por etapas. Não é necessário redesenhar todo o centro ou fazer uma obra pesada para acompanhar a demanda", afirma Shen.

Segundo ele, a capacidade pode aumentar apenas com a adição de mais robôs, novos destinos e ajustes de software.

O projeto integra um programa mais amplo de modernização do Correo Argentino.

Ainda para este ano, está prevista a implantação de um segundo sistema de triagem, voltado a encomendas de até 30 kg, além de rastreamento por RFID, pesagem automática e manuseio robótico de contêineres — passos que, segundo a Libiao, indicam uma transição gradual para uma operação mais automatizada e orientada por dados.

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