(Andrew Harnik / Equipe/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 21 de março de 2026 às 14h30.
O empresário Elon Musk fraudou investidores do antiga Twitter ao atacar publicamente a empresa em 2022 numa tentativa de comprar a rede social por menos do que sua oferta original de US$ 44 bilhões, decidiu um júri federal em San Francisco, nos EUA. Os jurados concluíram que Musk enganou intencionalmente os acionistas ao dizer que o Twitter tinha contas falsas em excesso e ao tentar abandonar o negócio.
A decisão foi tomada na sexta-feira, 20, por um painel de oito pessoas, que rejeitou duas das quatro acusações de fraude apresentadas no processo. Os advogados de Musk afirmaram que vão recorrer. O veredicto representa uma rara derrota judicial do bilionário, conhecido por vencer disputas de alto risco nos tribunais.
Os jurados também calcularam, dia a dia, quanto as declarações de Musk derrubaram o preço das ações da empresa ao longo de cerca de cinco meses. O valor final da indenização devida aos investidores individuais será definido em etapa posterior, quando os acionistas apresentarem seus pedidos de ressarcimento.
Os danos aos investidores podem chegar a US$ 2,6 bilhões. Ainda assim, a cifra teria efeito limitado sobre a fortuna de Musk, estimada em US$ 661,1 bilhões na sexta-feira pelo índice de bilionários da Bloomberg.
A defesa de Musk tentou minimizar a derrota. Em nota, os advogados do escritório Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan disseram ver o resultado como “um obstáculo no caminho” e afirmaram esperar “reabilitação na apelação”. Eles destacaram que o empresário já reverteu derrotas em instâncias superiores em outros processos.
Ao longo de cerca de duas semanas de depoimentos, os jurados ouviram Musk e ex-executivos do Twitter relatarem o período turbulento de seis meses em 2022 em que o bilionário oscilou entre concluir ou não a compra da plataforma. A indefinição levou a uma batalha judicial com o conselho da empresa para obrigá-lo a cumprir o acordo.
Os investidores sustentaram que postagens e declarações públicas de Musk, incluindo o tuíte de 13 de maio de 2022 que dizia que o acordo estava “temporariamente suspenso”, faziam parte de uma estratégia deliberada para derrubar o valor de mercado da companhia e renegociar a aquisição em condições melhores. A mensagem mencionava uma revisão sobre o número de bots, programas automatizados, contabilizados como usuários da rede.
Musk depôs por um dia inteiro e parte do seguinte. Ele manteve a versão de que ex-dirigentes da companhia, entre eles o então presidente-executivo Parag Agrawal e o diretor financeiro Ned Segal, mentiram a ele e ao mercado sobre a presença de spam e contas falsas na plataforma.
Seu advogado, Michael Lifrak, afirmou aos jurados que a possibilidade de renegociação passou a ser discutida abertamente quando a questão dos bots surgiu. Para a defesa, não havia qualquer plano oculto nesse movimento.
As ações do Twitter permaneceram voláteis por meses enquanto Musk hesitava em concluir a operação, eliminando bilhões de dólares em valor de mercado da empresa. Quando a companhia processou o bilionário em Delaware, em julho de 2022, os papéis caíram para US$ 32,52, cerca de 40% abaixo do preço de compra acertado, de US$ 54,20 por ação.
Musk afirmou em juízo que só aceitou fechar o negócio pelo valor original porque acreditava que a juíza de Delaware responsável pelo caso era parcial contra ele. Também argumentou que seu tuíte central no processo não equivalia a encerrar a transação. "Eu não estava dizendo que não faria o negócio", declarou.
Sob questionamento dos advogados dos investidores, porém, o empresário reconheceu que a publicação sobre a suspensão temporária foi um erro. Disse que talvez não tenha sido seu tuíte mais sábio e admitiu que, se a mensagem levou ao julgamento, provavelmente merece entrar nessa conta.