Microsoft no topo por 20 anos: como a tecnologia mudou desde então?

Relatório enviado com exclusividade à EXAME pela Bain & Company mostra que apenas 4 companhias continuaram na lista de mais valiosas de tecnologia

Se em 1999, a lista das 15 companhias com mais valor no mundo todo era, em sua maioria, composta por empresas que hoje em dia já não não estão mais no ranking dos “figurões”, em 2019, 40% das gigantes de 20 anos atrás voltaram ao topo — um grande diferencial em relação à 2009, quando muitas deixaram de figurar a lista para dar espaço a empresas que, há onze anos, eram novatas no setor. Os números indicam uma tendência para o futuro: apesar de estarem no topo hoje, é impossível prever o dia para amanhã — um desafio, com certeza, para a Inteligência Artificial (IA).

Segundo um relatório enviado com exclusividade à EXAME pela consultoria Bain & Company, apenas quatro companhias se mantiveram na lista apesar das mudanças que aconteceram nos últimos 20 anos: a Microsoft, a Intel, a Cisco e a Oracle.

O que pode explicar a derrocada de grandes empresas e o aparecimento de outras gigantes no setor de tecnologia é que, segundo a Bain, quando uma companhia do setor tem uma baixa performance superior ou igual a três anos, a dificuldade na retomada aumenta.

Da mesma forma que novas tecnologias aparecem diariamente, a queda pode ser, muitas vezes, proporcional ao sucesso. Basta pensar no gráfico acima. Se em 1999, a Nokia era uma das grandes figuras na área, o jogo mudou em pouco tempo. Após o lançamento do iPhone pela Apple em 2007, o espaço que a companhia finlandesa ocupava foi ficando cada vez menor — e a sua capitalização de mercado também.

Em 2007, segundo a consultoria de dados alemã Statista, a Nokia teve uma venda líquida de 51,06 bilhões de dólares, enquanto a Apple, ainda nanica, bateu a marca de 3,5 bilhões de vendas líquidas. E, enquanto de 2007 em diante a Nokia se viu em queda, a Apple cresceu. Para nível de comparação, em 2020, a empresa fundada por Steve Jobs teve um resultado líquido de 57,41 bilhões de dólares. A Nokia, por sua vez, de 23,32 em no mesmo ano.

Segundo a Bain, o número de consumidores de smartphones pode aumentar ainda mais com o uso de novas redes sociais, como o TikTok, da ByteDance, cujas estimativas apontam para um valor de mercado de 78 bilhões dólares em quase oito anos após seu lançamento.

Quando o assunto é redes sociais, depois do lançamento do Facebook em 2004, demorou menos de quatro anos para ele atingir 50 milhões de usuários. Atualmente, a empresa tem mais de 2,7 bilhões de usuários — um aumento gigantesco que mantém a empresa no local em que ela está.

Para o relatório, o mais difícil não é criar uma “tecnologia disruptiva”, mas sim mantê-la com um grau de sucesso ao longo dos anos — o que pode ser um grande desafio a longo prazo. “As maiores transformações que criam valor em tecnologia envolvem duas coisas: vencer uma batalha de plataformas e acelerar o crescimento, seja por reposicionar o core da empresa ou por expandir suas capacidades para novos domínios”, explica a Bain.

A afirmação é verdadeira e pode ser aplicada em muitos casos das empresas de tecnologia atualmente.

Desde o lançamento do iPhone, em 2008, a receita anual da Apple subiu de 37,5 bilhões de dólares para 260 bilhões de dólares, um salto de 593% em 12 anos. Nesse período, o celular evoluiu, e muito.

O aparelho que combina telefone, tocador de MP3 e sistema móvel de telecomunicações nasceu sem uma loja de aplicativos, a App Store, que faturou 54,2 bilhões de dólares só em 2019, crescimento de 16,3% em um ano, segundo a consultoria Sensor Tower.

Mas a empresa não parou por aí e, em tempos de Netflix, streaming e games por demanda, a maçã também conta com serviços de streaming de música, o Apple Music, jogos, o Apple Arcade, e séries, o Apple TV+. Com isso, o setor de serviços da companhia cresce a cada trimestre e teve uma alta de 16,2% ante 2019 e receita total de 14,5 bilhões de dólares. Em todo o ano fiscal, a divisão acumula um faturamento de 53,7 bilhões de dólares e já é responsável por 22% da receita da Apple.

A Apple não é a primeira empresa a investir em um pacote de serviços robustos para atrair novos (e velhos) clientes. 

A Amazon, por exemplo, oferece seu pacote de assinaturas (o Prime) por 9,90 reais no Brasil. Com ele, o usuário consegue acessar o serviço de streaming da companhia, bem como ter frete grátis na hora das compras. Além, é claro, de investir em uma computação por nuvem, o Amazon Web Services. Em 2011, a receita anual da companhia de Jeff Bezos era de 48 bilhões de dólares, valor que aumentou cerca de 485% para 281 bilhões em 2019. O valor, pela torcida dos investidores, deve ser ainda maior em 2020. 

Até a Microsoft, mais tradicional, investiu em um serviço de nuvem para se manter relevante no século 21. Em 2013, a receita da empresa era de 78 bilhões de dólares, agora é de 126 bilhões de dólares, com a ajuda da Azure, plataforma destinada à execução de aplicativos e serviço em nuvem.

A Nvidia, por sua vez, reposicionou o foco de seu negócio para a área de gráficos e um centro de dados, o que fez com que a receita da empresa fosse de 4 bilhões de dólares em 2011 para 11 bilhões de dólares em 2019.

Reinventar-se, então, parece ser o segredo, bem como seguir as tendências do mercado, mas sem perder a “essência” da empresa. 

Há dados entre nós

Mas não basta só isso. Os dados são muito importantes, é claro, mas é preciso pensar também na experiência que o usuário terá ao usar determinada plataforma. Pense na Netflix e nas séries e filmes que ela indica para você, com base em tudo o que você já assistiu previamente e, supostamente, gostou. Pense nas sugestões do Instagram, que te mostram vídeos de gatos porque, em algum momento da sua vida na web, você já interagiu com conteúdos do tipo.

Tudo isso tem base em dados. E, quão maior a quantidade deles, mais exata a predição do que a empresa acha (ou tem certeza) que você quer ver.

A consultoria International Data Corporation (IDC) estima que a quantidade de dados criados nos próximos três anos será maior do que os dados criados nas últimas três décadas — uma ideia que não é ficção científica.

A expectativa da Bain é que, cada vez mais, o uso de dados se tornará um campo de batalha entre as empresas. Além de ser cada vez mais necessária, também.

Mudança na forma de trabalho

A pandemia do novo coronavírus foi algo que nenhum setor, obviamente, conseguiu prever. E é inevitável: todos os setores foram afetados por ela. Enquanto alguns como o e-commerce e o streaming tiveram um crescimento fora da curva, outros, como as aéreas, penaram para passar por meses doloridos. As empresas de tecnologia, pelo contrário, teve a covid-19 como um grande catalisador de bons resultados — mas também tiveram de se adaptar (e rápido) para não serem passadas para trás.

As empresas do setor terão, é claro, tiveram de repensar em quais atitudes deveriam tomar em um mundo profundamente afetado pela pandemia. Segundo o relatório da Bain, alguns pontos como força de trabalho, operações, inovação, venda e relações com os clientes e a gestão da cadeia de suprimentos foram aprimorados de forma rápida, sem tempo para pensar muito.

O principal aspecto, talvez, seja o fato de que todas as companhias foram forçadas a mobilizar seus times para o trabalho remoto, investindo em ferramentas que facilitassem o trabalho da equipe de Tecnologia da Informação (TI) mesmo que longe do escritório. O relatório aponta que a decisão do home office foi eficaz em muitos casos.

“Por meses, muitos trabalhadores trabalharam produtivamente de suas casas. As empresas também conseguiram manter a competitividade apesar de ter que navegar em ambientes isolados e, muitas vezes, agitados, com crianças, parceiros, parentes e similares sob o mesmo tempo”, diz o relatório. “Como resultado, o subsídio da empregadora para as ferramentas de trabalho remoto, como linhas de telefone adicionais, internet mais rápida e delivery de comida se tornaram um novo diferencial na guerra por talentos”, afirma.

Na questão de operações, empresas do setor tiveram de enfatizar a redução de custos, além de automatizar iniciativas para acelerá-las e investir ainda mais em call centers, Inteligência Artificial (IA) e em decisões tomadas com base em dados.

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