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Galaxy S26 Ultra após um mês: IA na prática, privacidade em novo nível — e a câmera que tropeça

Linha premium da Samsung reforça identidade própria com foco em uso real; recurso de privacidade e automação com Gemini são os destaques

O mérito do Privacy Display: privacidade sem perder qualidade de imagem na tela

O mérito do Privacy Display: privacidade sem perder qualidade de imagem na tela

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 11 de abril de 2026 às 11h59.

Última atualização em 11 de abril de 2026 às 12h14.

Depois de um mês com o Galaxy S26 Ultra, a ficha técnica supreende, mas a direção escolhida pela Samsung é o que mais chama atenção. A marca sul-coreana segue dando para a linha Ultra uma identidade própria. Não é pouca coisa.

Nos últimos anos, exibe no Ultra o excesso: os maiores e melhores benchmarks em câmera, tela, potência e, por vezes, o preço mais salgado entre os rivais. Mas o S26 Ultra renova esse ciclo em dois pontos que importam muito.

O primeiro é a privacidade. O segundo é uma leva de recursos de IA que, pela primeira vez em muito tempo, parece menos demonstração de feira tech e mais com um recurso pronto para o dia dia.

Nos próximos paragráfos, o leitor pode endender a jornada que esse produto propõe, seus pontos fortes, e o que, na opinião da EXAME, ainda não funciona tão bem:

Vamos direto ao ponto alto: o Privacy Display é a novidade que se sobressai no aparelho. É uma engenharia que usa, entre vários recursos, uma forma de direcionar a luz do pixel que compõe a tela do smartphone para somente o que está de frente dele. Qualquer pessoa fora desse ponto focal, vê uma tela quase toda preta.

Para funcionar, a tecnologia reduz o ângulo de visão da tela e resolve um desconforto antigo de quem usa o celular em avião, aeroporto, evento, táxi ou qualquer lugar com gente demais por perto.

Quem quiser muito bisbilhotar ainda vai enxergar alguma coisa, sobretudo texto claro em fundo escuro. Mas a diferença entre "dá para ver" e "dá para ver sem esforço"é exatamente o que faz esse recurso funcionar muito bem.

E em um mercado Android, no qual privacidade quase sempre significa permissão de app ou pasta segura, a Samsung criou uma solução física, visível, útil e inédita em telefone de massa. É, com folga, o recurso mais importante do S26 Ultra — e um marco de produto e engenharia, não só de software .

A implementação tem mérito extra porque não destrói a experiência. Com o Privacy Display ativado, a tela perde um pouco de contraste, achata a imagem e escurece discretamente. Há concessões, claro. Em "proteção máxima", a perda visual fica mais evidente. Ainda assim, o recurso funciona bem o suficiente para ser deixado ligado por longos períodos sem atrapalha. E a possibilidade de aplicá-lo só às notificações é daquelas ideias simples que fazem parecer estranho ninguém ter feito antes.

A base em que o Privacy Display se apoia é uma tela de flagship bastante única: um painel OLED LTPO de 6,8 polegadas, resolução na casa dos 1440 x 3120 pixels e mais de 500 pixels por polegada, capaz de alternar de 1 a 120 Hz para equilibrar fluidez e bateria, com pico de brilho em torno de 2.600 nits em HDR e suporte a HDR10+. É aquele tipo de display em que a discussão deixa de ser "se é bom" e passa a ser só ajuste fino de gosto em saturação e temperatura de cor.

IAs que funcionam

Essa sensação de utilidade prática reaparece na seleta de IAs. O S26 Ultra acerta mais do que costuma errar quando sai da geração de imagens e entra em automação. O Now Nudge, que sugere ações contextuais a partir de conversas, ainda parece limitado e aparece pouco, mas já aponta para o lugar certo: o celular como sistema que ajuda a agir, não só a responder.

A automação de tarefas do Gemini vai além. Pedir um carro no Uber ou iniciar um pedido em app sem navegar manualmente por telas é uma das primeiras demonstrações convincentes de IA móvel trabalhando como assistente de verdade. O detalhe mais importante é que a Samsung e o Google pararam antes da etapa final: o sistema prepara, você revisa e confirma. É o tipo de limite que melhora a confiança do usuário em vez de vender autonomia artificial demais .

Essa é, talvez, a maior virada do aparelho. A Samsung ainda tem um monte de recursos de IA supérfluos — listo aqui truques visuais tipo gerar imagens "criativas", efeitos de vídeo com IA, como transformar qualquer gravação em câmera lenta artificialmente. Até dá para imaginar que alguém usa, mas a maioria dos usuários só vão clicar lá uma vez e depois esquecer.

O exemplo que demonstra poder técnico, mas que é dificil de ser o decisivo para investir no aparelho são as ferramentas generativas da galeria. Em uma foto qualquer, é possível trocar roupa, mudar maquiagem, colar um celebridade na selfie e produzir imagens que passam longe do que aconteceu de fato.

Mas é isso. Quem curte esse recurso, provávelmente já testou em IAs de mercado, como Gemini, ou em apps segmentados como Remini ou FaceApp. A função ta ali, mas parece só um extra.

Foto feita em Android

Na câmera, há avanço real de hardware, mas a execução ainda tropeça no velho vício da Samsung de "melhorar demais" a foto e acaba por manter o efeito de "foto de Android".

O sensor principal ficou mais luminoso, com lente f/1.4 em vez de f/1.7, e a tele de 5x também ganhou abertura melhor, de f/2.9 contra f/3.4 na geração anterior. Isso não é perfumaria. Em teoria, significa ISO mais baixo, velocidade mais rápida e mais chance de sair com imagem nítida em baixa luz.

O problema é que a Samsung ainda confia demais no pós-processamento. Em foto noturna, temos texturas excessivamente limpas, preenchidas por IA. Foto de show, por exemplo, se não houve um controle manual dos recursos, a foto dificilmente ficará boa.

Em vídeo, a situação fica um pouco mais complicada. Em cenas de pouca luz, o aparelho frequentemente compensa a falta de informação com software demais: suaviza ruído, segura artificialmente contornos, amplia microcontraste, força nitidez e entrega aquele visual plastificado, meio aquarela digital, que parece impressionante na miniatura e cansativo numa tela maior. E aqui vai o termo da moda, o slop da IA, nesse caso que transforma ganho ótico real em imagem menos confiável do que deveria.

Por fim, ainda não há ímãs Qi2 integrados, o que obriga o usuário a depender de capa para entrar de fato no ecossistema magnético. O corpo está mais confortável, mais limpo, mais elegante. Mas segue enorme. Continua sendo um telefone para quem quer muito telefone. Tela imensa, quatro câmeras traseiras, S Pen embutida, desempenho de sobra e bateria para o dia inteiro. Nada disso é exatamente novo. A diferença é que, neste ano, a Samsung voltou a justificar o sobrenome.

Depois de um mês, o que faz esse celular valer atenção é a combinação entre privacidade de tela realmente funcional e uma IA mais orientada a ação do que a truque. Isso renova a posição confortável da Samsung, sempre à frente em um fatia do mercado Android que ama benchmark.

*O jornalista testou uma unidade enviada pela Samsung.

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