Funcionários do Google se juntam para formação de sindicato

Após um ano de organização, o sindicato pretende unir funcionários nos Estados Unidos
Google: mais de 200 funcionários já fazem parte do sindicato (Getty Images/Getty Images)
Google: mais de 200 funcionários já fazem parte do sindicato (Getty Images/Getty Images)
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Laura Pancini

Publicado em 04/01/2021 às 12:02.

Última atualização em 04/01/2021 às 15:22.

O ano novo começa com um ar de mudança no Google e em sua empresa-mãe, Alphabet. Mais de 200 funcionários anunciaram na manhã desta segunda-feira (4) que estão se juntando para a formação de um sindicato.

Intitulado de “Alphabet Workers Union” (Sindicato de Trabalhadores da Alphabet), o grupo conta com a ajuda do Communication Workers of America (CWA), um dos maiores sindicatos dos Estados Unidos. A CWA representa mais de 700.000 funcionários nos setores público e privado.

A formação de sindicatos não é algo comum no Vale do Silício, região americana que abriga empresas de tecnologia. Empresas como a plataforma de crowdfunding Kickstarter e a comunidade de programadores Glitch, além de subconjuntos menores de funcionários do Google, criaram seus próprios sindicatos no ano passado. 

Porém, o Alphabet Workers Union é o primeiro a tentar estabelecer um sindicato para representar todos os funcionários da empresa nos Estados Unidos, que está presente em três cidades. Os mais de 200 colaboradores assinaram um contrato em apoio ao sindicato e se comprometeram a destinar 1% de seu salário anual ao grupo. 

“Isso é histórico - o primeiro sindicato em uma grande empresa de tecnologia por e para todos os trabalhadores da área”, disse Dylan Baker, engenheiro de software do Google, em um comunicado.

Os funcionários do Google têm se manifestado contra algumas decisões da empresa há mais de dois anos. Em 2018, o pagamento de 90 milhões de dólares para Andy Rubin, co-criador do Android, após denúncias de má conduta sexual, levou a manifestações e até uma paralisação de mais de 20.000 colaboradores do Google.

No fim de 2020, a doutora Timnit Gebru, especialista em inteligência artificial (IA) e uma das poucas mulheres negras na área, foi demitida após enviar um e-mail apontando falhas nos sistemas de IA. Sua saída levou a diversas críticas, tanto dentro quanto fora do Google, sobre o tratamento de funcionários que fazem parte de grupos minoritários.

Em comunicado, a Alphabet Workers Union também afirmou que mais de metade dos funcionários da Alphabet são terceirizados, o que os impede de terem alguns benefícios trabalhistas.

“Vamos usar todas as ferramentas que pudermos para proteger as pessoas que achamos que estão sendo discriminadas ou retaliadas”, disse Chewy Shaw, engenheiro do Google e vice-presidente do conselho de liderança do sindicato para o New York Times.

Ainda não há informações sobre o posicionamento do Google. A empresa, porém, tem um histórico de impedir organizações de sindicatos, e pode não reconhecer a formação do Alphabet Workers Union.