Gravar a própria rotina executando tarefas domésticas simples, como lavar a louça, é uma das novas formas de gerar renda extra para treinar robôs. (Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 11h01.
De passear com cachorro a gravar tarefas domésticas para treinar robôs, novas formas de renda extra estão surgindo no Brasil. O passeio com cães paga, em média, R$ 20 a R$ 40 por serviço, enquanto gravações aprovadas de atividades domésticas podem render cerca de R$ 20 a R$ 25 por hora. No meio do caminho estão plataformas que pagam em dólar para rotular dados e avaliar respostas de inteligência artificial, com valores que podem chegar a US$ 30 por hora. Em todos os casos, a renda depende da disponibilidade de tarefas e, em alguns modelos, da aprovação do trabalho.
Nos últimos meses, um tipo bem específico de renda extra ganhou força no Brasil: gravar a própria casa fazendo tarefas do dia a dia, ou avaliar respostas de chatbot, para vender esse trabalho a empresas que treinam modelos de inteligência artificial.
É uma novidade que convive, lado a lado, com um bico bem mais antigo e conhecido, passear com o cachorro do vizinho. Levantamos quanto cada ponta desse espectro realmente paga hoje, sem o excesso de otimismo que costuma acompanhar esse tipo de promessa.
O dog walker segue sendo um dos bicos mais estáveis e previsíveis do mercado brasileiro. O valor médio de um passeio avulso de 30 a 60 minutos fica entre R$ 20 e R$ 40, em capitais como São Paulo, pode chegar a R$ 60, e no Rio de Janeiro a faixa vai de R$ 25 a R$ 50.
Quem fecha pacote mensal com passeios diários cobra entre R$ 300 e R$ 800 por cão, dependendo da frequência, do porte do animal e de o passeio ser individual ou em grupo.
É um trabalho que não depende de aparelho especial, plataforma de tecnologia nem aprovação de terceiros: o dinheiro entra assim que o serviço é prestado. A limitação é de escala, o tempo do passeador é finito, e não há como "vender" a mesma hora duas vezes.
Do outro lado do espectro está um mercado que praticamente não existia há dois anos: empresas que pagam para gravar, do ponto de vista de quem executa, atividades banais como lavar louça, dobrar roupa, cozinhar ou alimentar um animal de estimação.
O material vira dado de treinamento para robôs humanoides e sistemas de inteligência artificial aprenderem a reconhecer e replicar movimentos do mundo real.
O pagamento costuma girar em torno de R$ 20 a R$ 25 por hora aprovada de gravação, processado semanalmente via Pix ou transferência. Há relatos de valores pontuais mais altos com bônus e indicações, mas o número que serve de referência mais realista para quem começa é bem mais modesto: algo perto de R$ 750 por mês gravando uma hora por dia, segundo simulações de quem testou o modelo.
O detalhe que muda tudo aqui é a palavra "aprovada": o pagamento só ocorre depois de o vídeo passar por critérios de qualidade (iluminação, estabilidade da câmera, mãos visíveis, tarefa completa). Vale o alerta de especialistas em privacidade: os vídeos captam o interior da própria casa, e nem sempre fica claro para o participante como e onde esse material será usado depois.
Como já mostrou a EXAME, uma faixa intermediária e mais bem remunerada existe para quem tem tempo livre e paciência para trabalho repetitivo: sites que contratam brasileiros para anotar e rotular dados, avaliando se respostas de modelos de IA fazem sentido ou contêm erro.
É o caso de Riley Willis, americano que trabalha 30 horas semanais de casa, de forma assíncrona e sem reunião nenhuma, ganhando entre US$ 25 e US$ 50 a mais por dia ao dedicar uma ou duas horas diárias à tarefa, a mesma plataforma chega a pagar até US$ 30 por hora, dependendo do projeto e da complexidade da checagem exigida.
O trabalho tem um porém direto: só se ganha pelo tempo efetivamente registrado como produtivo. Passar sete horas pesquisando e ser pago por cinco é comum, e boa parte das tarefas disponíveis é repetitiva.
Ainda assim, funciona bem para quem já tem outra fonte de renda e quer complementar sem depender de reunião, chefe ou horário fixo, a EXAME já reuniu outras 15 formas de gerar renda extra usando ferramentas de IA, da criação de conteúdo à revisão de texto, que seguem a mesma lógica de complemento, não substituição de salário.
Em todos os casos — do passeio com cachorro ao trabalho de dado em dólar, vale a mesma ressalva: quanto mais a renda depende de plataforma, tarefa avulsa e aprovação de terceiros, menos previsível ela é de um mês para o outro. Nenhuma dessas frentes substitui emprego fixo; funcionam melhor como complemento.
O valor médio de um passeio avulso de 30 a 60 minutos fica entre R$ 20 e R$ 40. Em São Paulo, pode chegar a R$ 60, enquanto no Rio de Janeiro a faixa indicada é de R$ 25 a R$ 50. Pacotes mensais com passeios diários ficam entre R$ 300 e R$ 800 por cão, dependendo das condições do serviço.
O pagamento costuma ficar entre R$ 20 e R$ 25 por hora aprovada de gravação. Segundo simulações de quem testou esse modelo, gravar uma hora por dia pode resultar em algo próximo de R$ 750 por mês.
O pagamento é feito pelas horas de gravação que forem aprovadas. Os vídeos precisam atender a critérios de qualidade, como iluminação adequada, câmera estável, mãos visíveis e conclusão da tarefa. O processamento do pagamento costuma ser semanal, via Pix ou transferência.
Os valores variam conforme o projeto e a complexidade da tarefa. No caso citado na reportagem, a mesma plataforma chega a pagar até US$ 30 por hora. Também há relatos de ganhos de US$ 25 a US$ 50 por dia dedicando uma ou duas horas à atividade.
Sim. As atividades descritas incluem gravar tarefas dentro da própria casa e realizar remotamente trabalhos de rotulagem e avaliação de respostas de modelos de inteligência artificial.
O texto ressalta que nenhuma dessas frentes substitui um emprego fixo. Quanto mais a renda depende de plataformas, tarefas avulsas e aprovação de terceiros, menos previsível tende a ser o valor recebido de um mês para outro. A proposta é tratá-las como complemento de renda.
Há questões de privacidade envolvidas, já que os vídeos podem mostrar o interior da casa. Especialistas citados no texto alertam que nem sempre fica claro para o participante como e onde o material será utilizado posteriormente.