Tecnologia

Coreia do Sul cria plano para manter China em segundo lugar na corrida por chips de memória até 2028

Líderes do setor, como a SK Hynix, vão elevar capacidade em 600 mil wafers por mês com novas fábricas, ritmo que a chinesa CXMT tentará igualar — mas problemas de rendimento devem manter a produção real do país muito abaixo da meta

A sul-coreana SK Hynix é uma das líderes globais na expansão da produção de chips de memória. (JUNG YEON/Getty Images)

A sul-coreana SK Hynix é uma das líderes globais na expansão da produção de chips de memória. (JUNG YEON/Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 11h38.

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A vantagem da Coreia do Sul sobre a China na fabricação de chips de memória deve se ampliar ainda mais nos próximos anos, graças a uma expansão agressiva das instalações domésticas de Samsung Electronics e SK Hynix, segundo relatório do Banco da Coreia divulgado nesta sexta-feira, 4.

Novas fábricas com previsão de entrar em operação até 2028 devem elevar a capacidade produtiva do país em cerca de 600 mil wafers por mês — o disco de silício do qual são cortados os chips.

No mesmo período, a principal fabricante chinesa de memória, a CXMT, deve tentar elevar sua própria capacidade para até 600 mil wafers por mês, praticamente dobrando o patamar atual de 300 mil, segundo o mesmo relatório.

As projeções expõem o tamanho do desafio chinês diante de uma crise global de memória que já levou os preços a recordes históricos, puxada pela demanda de infraestrutura de inteligência artificial.

Para financiar seus planos de expansão, tanto a CXMT quanto a segunda maior fabricante chinesa de memória, a Yangtze Memory Technologies (YMTC), recorreram ao mercado de capitais do país: a CXMT levantou quase US$ 10 bilhões em julho, na segunda maior oferta pública inicial da história chinesa, enquanto a YMTC mira uma captação de US$ 4,6 bilhões ainda este ano.

O detalhe mais revelador do relatório do Banco Central sul-coreano é a diferença entre o que a CXMT promete e o que de fato entrega.

Por causa de restrições de rendimento e limitações tecnológicas, a empresa responde por apenas cerca de 8% dos embarques globais de memória, mesmo representando aproximadamente 15% da capacidade nominal de produção do mundo.

Ou seja: a diferença de produção efetiva entre Coreia do Sul e China pode ser ainda maior do que os números de capacidade, por si só, sugerem.

A CXMT está construindo sua fábrica Shanghai Fab 1 como parte do plano de Pequim de erguer um ecossistema de semicondutores mais amplo, que abrange matérias-primas, equipamentos, embalagem e design de chips. À medida que os fabricantes chineses aumentam a autossuficiência e fortalecem a cadeia de suprimentos doméstica, a fatia de mercado de longo prazo da Coreia do Sul pode enfrentar pressão estrutural crescente, alertou o banco central.

Onde a China ainda não chega perto

Em memória de ponta, porém, a Coreia do Sul deve manter vantagem tecnológica sobre a vizinha nos próximos anos, já que os controles de exportação e as listas restritivas dos Estados Unidos continuam limitando o acesso chinês a equipamentos e ferramentas de fabricação de última geração, o que mantém a CXMT restrita, em grande parte, a atender o próprio mercado doméstico.

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