Com o dólar em alta, ainda vale a pena comprar um iPhone fora do Brasil?

Alta da moeda americana, que chegou a ser cotada em mais de 5 reais nesta semana, encareceu a conta de quem pretendia viajar para fazer compras

São Paulo – A escalada do dólar e a desvalorização do real neste começo de 2020 balançou o cenário econômico brasileiro e fez diversas empresas repensarem suas estratégias comerciais. O que pode ter mudado também é a percepção do consumidor para comprar ou não um produto no exterior. Principalmente um celular.

Antes das contas é preciso considerar o valor do dólar turismo no valor de 5,01 reais observado na quinta-feira (12) em casas de câmbio de São Paulo – já com o IOF embutido. Outra medida utilizada nos exemplos abaixo foi desconsiderar descontos por pagamentos à vista ou com a utilização do cartão de crédito da Apple, já que os celulares escolhidos foram dos iPhones.

O cálculo abaixo não leva em conta custos de passagens aéreas, hospedagem ou outros gastos relacionados com a viagem em si do Brasil para os Estados Unidos. Assim como não foi considerada economia caso o consumidor já tenha adquirido a moeda americana antes da valorização ocorrida nas últimas semanas.

É preciso contabilizar o imposto estadual ou local cobrado em cima do valor do produto. Na cidade de Nova York, a alíquota é de 8%. Na Florida, o percentual é de 7% em Miami e de 6,5% em Orlando. É possível requisitar parte do reembolso do imposto em aeroportos americanos, o percentual varia de 50% até 65%.

Vamos aos cálculos:

No Brasil, o iPhone 11 com 64 GB de memória interna custa 4.999 reais. O mesmo aparelho é vendido por 699 dólares nos Estados Unidos. Para uma compra em Miami, o valor final é acrescido em 7%, totalizando 747,93 dólares. Na conversão para o real, 3. 3.747,12 reais. Aqui a economia seria de 25% com um desconto total de 1.251,88 reais.

O iPhone 11 Pro Max, o mais parrudo da empresa da maçã, custa 9.599 reais na configuração com memória interna de 512 GB. Nos EUA, 1.499 dólares. Com o imposto de Miami, 1.603,93 dólares. Se convertido para o real o valor final é de 8.035,68. Economia final seria de 17,6% ou 1.563,32 reais.

Em ambos os casos o pagamento foi feito em dinheiro em uma loja física e não foi considerado e reembolso de parte do imposto nos aeroportos. Assim, não houve cobrança adicional pelo frete para a entrega e nem a alíquota de 6,38% cobrada no cartão de crédito para compras no exterior. Se cobrada, o valor final dos produtos seria de 3.986,18 reais e 8.548,35 reais.

Mesmo com a alta do dólar, a compra de um iPhone nos Estados Unidos ainda é mais vantajosa financeiramente do que a aquisição do mesmo telefone no Brasil. Contudo, é importante lembrar que o viajante só pode trazer uma unidade e comprovar que é para uso próprio. Caso contrário, pode ser taxado na volta ao País.

Receita Federal pode encarecer

Caso o viajante queira comprar mais de uma unidade ou comprar um iPhone que não é para uso próprio, a conta pode ficar bem mais cara. Isso porque, neste caso, quando o turista volta ao Brasil precisa, por lei, declarar valores excedentes ao limite de 500 dólares estipulados para compras fora do país pela Receita Federal. Ao desembarcar e declarar a compra, o consumidor deve arcar com o imposto de 50% sobre o valor excedente. Vamos novamente às contas:

O iPhone 11 de 64 GB comprado em uma loja física da Apple localizada em Miami custa 747,93 dólares. O valor é 247,93 dólares superior ao limite estabelecido na lei brasileira. Neste caso, o imposto a ser pago é de 123,96 dólares ou 621,06 reais. O iPhone 11, assim, custaria 4.589,24 reais caso tenha sido comprado com dinheiro em espécie.

O mesmo vale para o iPhone 11 Pro Max de 512 GB que custaria 1.603,93 dólares nos Estados Unidos. O valor supera em 1.103,93 dólares o valor estipulado na lei brasileira. O imposto a ser pago é de 551,96 dólares ou 2.765,31 reais. Total: 11.313,67 reais no dinheiro.

Preço pode subir no Brasil

Por ora, as principais fabricantes de celulares que atuam por aqui, com fábricas ou com a importação de produtos, ainda não elevaram seus preços para compensar o aumento do dólar. Essa postura não deve durar muito tempo. Multilaser e Xiaomi, por exemplo, já admitem que podem aumentar o valor final de seus produtos para compensar os custos de produção.

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