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China é a grande vencedora energética após volatilidade do petróleo com a guerra, diz Deutsche Bank

Fontes de baixo carbono já respondem por 40% do consumo de energia na China, que acelera a diversificação em meio à crise do petróleo

China: país diversifica fontes de energia e se mantém seguro em meio à crise de petróleo (China Photos/Getty Images)

China: país diversifica fontes de energia e se mantém seguro em meio à crise de petróleo (China Photos/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 10 de abril de 2026 às 14h15.

A China tem saído na frente na busca por manutenção de reservas de energia em meio à críse global de petróleo. Enquanto o conflito no Oriente Médio oscila entre ameaças existenciais e um frágil cessar-fogo que fizeram os preços dispararem, o país asiático focou na expansão de fontes para reservas de energia em busca de se tornar independente de países exportadores. É uma estratégia que também está sendo adotada pelo país com tecnologias para inteligência artificial em meio a disputas comerciais com os Estados Unidos. 

A avaliação de analistas é que Pequim chega a esse momento em posição mais confortável do que outros países asiáticos. Jacky Tang, do Deutsche Bank, em relatório, aponta  que a China é o “vencedor nesta guerra do ponto de vista econômico e da matriz energética”. Para ele, tornou-se consenso que o mundo precisa reduzir a dependência do petróleo, o que obriga economias da Ásia a diversificar sua base de suprimento.

Dados citados de um relatório de fevereiro da Ember, organização de pesquisa em energia, indicam que as energias renováveis já representam 50% da matriz no país.

O contraste com países vizinhos ajuda a explicar o peso dessa estratégia. O Japão, por exemplo, direciona quase 80% de suas importações de petróleo para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, sem o mesmo grau de diversificação buscado por Pequim. Com o petróleo mais caro e a confiabilidade das rotas tradicionais sob questionamento, fontes como eólica e solar ficaram ainda mais atraentes.

A lógica por trás dessa mudança não é apenas ambiental, mas também econômica e geopolítica. Ao reduzir sua exposição a fornecedores externos e ampliar a capacidade doméstica, a China tenta construir uma margem maior de segurança energética em um cenário marcado por disputas comerciais com os Estados Unidos e por instabilidade em regiões produtoras de combustíveis fósseis.

Carvão segue como base da estratégia chinesa

Seria impreciso, porém, retratar a China como uma potência movida apenas por convicções verdes. O presidente Xi Jinping tem defendido a aceleração de um novo sistema energético nacional que combine hidrelétricas, energia nuclear e renováveis, mas preserve o carvão como base de sustentação do sistema elétrico. Abrir mão do combustível fóssil mais poluente do planeta não está no horizonte de curto prazo de Pequim.

Ao defender essa linha, Xi afirmou que a aposta pioneira do país em energia eólica e solar se mostrou visionária. A mensagem indica que a transição chinesa não será linear nem guiada apenas por metas climáticas, mas por uma combinação de segurança de abastecimento, planejamento industrial e cálculo geopolítico.

Li Shuo, diretor do China Climate Hub, braço do Asia Society Policy Institute, disse ao The Washington Post que a disputa deixou de ser apenas entre combustíveis fósseis e energia limpa. Segundo ele, a transição energética passou a funcionar também como uma escolha de alinhamento internacional. A segurança energética se tornou parte central da agenda dos governos, e a energia limpa passou a ser vista como instrumento para reforçar essa proteção.

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