Brinquedos serão ferramentas de iniciação robótica, diz engenheiro da IEEE

Esses aparelhos não são limitados para crianças já que podem desbloquear o poder criativo de adultos

O surgimento de brinquedos cada vez mais tecnológicos, como o Lego MindStorm, a iniciação robótica deixará de ser na fase adulta e acontecerá ainda na infância. É nisso que acredita Antônio Espingardeiro, engenheiro membro do IEEE e pesquisador independente em robótica. Em 2014, o Furby, um dos primeiros brinquedos robóticos completou 16 anos de lançamento e existem uma série de opções mais avançadas no mercado atualmente, como o AIBO e o ROMO. Espingardeiro, entretanto, prevê que esses aparelhos irão se desenvolver ao ponto de influenciar a escolha de carreira no futuro.

Confira a seguir a entrevista de INFO a seguir.

Qual é o principal desafio em atrair o interesse de crianças por brinquedos robóticos?

O desafio é atrair a imaginação da criança para desbloquear o seu potencial criativo. Os pequenos podem começar montando e criando seus próprios robôs por meio de um processo de aprendizagem. Esse fenômeno é “um framework de contrução de blocos inconsciente” que influencia nas escolhas profissionais futuras. Portanto, o futuro dos brinquedos é tornarem-se ferramentas de aprendizado e criatividade.

A linguagem “universal” do momento é o código. Ele permite transformar ideias em realidade de uma forma unicamente ampla. Surgirão novos brinquedos como o Mindstorm, da Lego, porém com custo mais acessível em países como o Brasil?

Os servo motores, sensores e microcomputadores ainda são componentes caros. Alternativas são os kit de desenvolvimento robótico Cubelets, Atoms, EZ Robot, Makeblock ou Moss (disponíveis fora do Brasil). Infelizmente, todos esses produtos custam entre 100 e 400 dólares. Podemos esperar que esses preços sejam reduzidos nos próximos anos conforme mais modelos cheguem ao mercado.

Qual é o papel de um brinquedo como esse em países emergentes?
Oferecer habilidades e motivação necessária para educar as novas gerações quando se trata de matérias como ciência, tecnologia, matemática e engenharia. Contudo, tais aparelhos não são limitados para crianças já que podem desbloquear o poder criativo de adultos no momento de criar e programar seus próprios robôs.

Brinquedos são produtos que exigem cautela especial. De alguma forma, nos próximos dez anos, esses brinquedos robóticos podem ter restrições de segurança por padrão? Poderia citar alguns exemplos?
Questões de privacidade, quando se trata de robôs e outros dispositivos que filmam ou fotografam seus usuários, serão discutíveis. Quem tem acesso a tais informações e quais serão os protocolos de proteção para usuários de robôs? Em termos de hardware, padrões de segurança terão que contemplar situações em que motores e servo motores terão que ser complacentes. É provável que os padrões de segurança ISO terão papel crucial para informar fabricantes e usuários.

A robótica caminha para a criação de brinquedos parcialmente conscientes, como o que vimos no filme Inteligência Artificial, de Stephen Spielberg, ou isso é algo que permanecerá na ficção cientifica?
Vamos ver várias formas de interação com brinquedos robóticos. Os exemplos vão de sons, processamento de imagens (cores, faces, gestos), reconhecimento de voz e até a habilidade de iniciar uma ação física de acordo com o que o robô detectar.

Animais de estimação podem ser, de certa forma, “substituídos” por robôs? Isso poderia gerar uma afeição semelhante ao que aconteceu com Robin e sua dona no livro de Isaac Asimov, “Eu, robô”?
Do ponto de vista biológico, parece que não fomos criados para responder positivamente a certos animais. Em apartamentos e casas, animais de estimação robóticos como focas, gatos ou cachorros serão opções que os humanos poderão interagir como se fossem animais normais. Eles também irão nos dar informações relevantes e terão integração com a nuvem. No fim do dia, eles são vão comer nem sujar nada. Isso é um grande ganho. 

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.