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Brasileiro cria ferramenta que cruza dados públicos para mapear risco financeiro de políticos

Sistema usa CPF de agentes públicos e já sinalizou como risco potencial dezenas de milhões de reais ao conectar emendas, licitações e empresas ligadas a familiares

Modern collage with halftone hands give and take money. Financial transaction. Money investments. Cash payment. Pay for something (Getty Images)

Modern collage with halftone hands give and take money. Financial transaction. Money investments. Cash payment. Pay for something (Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 14h14.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2026 às 07h29.

Um sistema desenvolvido por um programador brasileiro passou a integrar diferentes bases de dados oficiais para identificar padrões de risco envolvendo agentes públicos. A partir do CPF de políticos e servidores, a ferramenta organiza informações dispersas sobre transferências federais, contratos administrativos e vínculos empresariais.

O responsável pelo projeto é Bruno César, que se apresenta como integrante do movimento br/acc, vertente nacional ligada ao accelerationism, corrente que defende o uso intensivo de tecnologia para acelerar transformações institucionais. A demonstração pública ocorreu na rede social X, onde ele exibiu uma interface baseada em grafos, diagramas que mostram relações entre pessoas jurídicas, físicas e fluxos de recursos.

Entre os casos apontados pelo sistema estão situações em que recursos de emendas parlamentares foram destinados a municípios cujos contratos acabaram nas mãos de empresas associadas a familiares de congressistas. O cruzamento também destacou inconsistências envolvendo possíveis funcionários fantasmas e repasses federais a instituições de ensino com indícios de irregularidade nos cadastros.

A ferramenta opera exclusivamente com dados abertos disponibilizados por órgãos como Portal da Transparência, Tribunal de Contas da União (TCU) e bases públicas da Receita Federal. O diferencial está na consolidação automatizada dessas informações, que tradicionalmente permanecem fragmentadas em diferentes sistemas.

Segundo o desenvolvedor, os achados financeiros somam dezenas de milhões de reais em exposições consideradas de risco elevado pelo modelo estatístico adotado. Para evitar questionamentos jurídicos, o projeto deixou de usar termos como “corrupção” e “suspeita” e passou a adotar pontuações percentuais de risco, método comum em ferramentas de compliance, conjunto de práticas de integridade corporativa.

A intenção é submeter o código à revisão jurídica antes de torná-lo open source, modelo de software com código aberto. A prioridade, segundo Bruno, será facilitar o acesso de jornalistas investigativos, organizações da sociedade civil e órgãos de controle.

Dados públicos e fiscalização tecnológica

O projeto se inspira no conceito de effective accelerationism, que propõe aplicar soluções tecnológicas para enfrentar gargalos institucionais. No contexto brasileiro, a abordagem dialoga com a ampliação das políticas de transparência iniciadas após a Lei de Acesso à Informação, de 2011.

Embora as bases utilizadas já estejam disponíveis ao público, especialistas apontam que a baixa integração entre sistemas limita análises mais amplas. Ao estruturar essas informações em redes, a ferramenta amplia a capacidade de identificação de padrões.

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