Bióloga brasileira consegue visto para sair da Rússia

No total, 14 tripulantes, entre eles a bióloga brasileira e militante argentina, receberam o visto nesta quinta, e os demais conseguirão o documento na sexta

A bióloga brasileira Ana Paula Maciel conseguiu o visto para sair da Rússia nesta quinta-feira, mesmo dia em que o primeiro militante do Greenpeace pegou um trem em São Petersburgo rumo a Helsinque, na Finlândia.

Há mais de três meses, ambos foram detidos no país junto com outros 28 tripulantes do navio Artic Sunrise durante protesto no Ártico.

Dmitri Litvinov, um sueco-americano de origem russa, deixou São Petersburgo às 20h25 (locais, 14h25 de Brasília) rumo à Finlândia, de onde chegará a Estocolmo a bordo de um ferry. Litvinov recebeu nesta quinta-feira um visto que lhe permitiu deixar o território russo após ter sido anistiado.

No total, 14 tripulantes, entre eles a bióloga brasileira e uma militante argentina, receberam o visto nesta quinta, e os demais conseguirão o documento na sexta.

Segundo um comunicado do Greenpeace, a maioria deixará a Rússia na sexta-feira. A ONG ainda espera que os investigadores russos devolvam todos os equipamentos apreendidos durante a operação, assim como o Arctic Sunrise, que é mantido no porto de Murmansk.

"Sentimentos contraditórios"

"Deixo a Rússia com sentimentos contraditórios: de um lado, sinto a tranquilidade de que tudo terminou e, por outro, um sentimento de injustiça porque somos consideramos criminosos", declarou Litvinov à AFP antes de partir.

"As ações judiciais contra nós terminaram, mas o caso não está encerrado", explicou.

"Eu me preocupo com os outros que moram na Rússia", declarou, sem demonstrar muita certeza de que poderá voltar ao país.

Litvinov é filho de Pavel Litvinov, um dissidente soviético, e bisneto de um ministro das Relações Exteriores de Stalin. Citado em um comunicado do Greenpeace, Litvinov disse "não lamentar" o que fez.

O militante fazia parte do grupo de 30 pessoas da tripulação do Arctic Sunrise, das quais 26 não são russas. Elas foram detidas em setembro, no meio de um ato de protesto contra uma plataforma de petróleo da Gazprom no Ártico para denunciar os riscos da exploração de combustíveis nesta região de ecossistemas especialmente frágeis.

Litvinov também disse estar "triste" que o Ártico não tenha podido ser "salvo". Na semana passada, a gigante russa Gazprom anunciou ter começado a extrair petróleo na plataforma contra a qual o Greenpeace protestou.

Acusados de pirataria em um primeiro momento, um crime passível de punição com até 15 anos de prisão, os militantes acabaram acusados de vandalismo, crime punido com até sete anos de prisão.

Depois de um período de detenção em Murmansk (noroeste), os membros da tripulação foram levados para São Petersburgo antes de serem anistiados na semana passada, graças a nova lei do Parlamento russo por ocasião do 20º aniversário da Constituição.

Após ter posto fim oficialmente às ações judiciais contra os militantes do Greenpeace, a Rússia começou a entregar, nesta quinta-feira, os vistos àqueles que não têm nacionalidade russa.

A anistia da qual se beneficiaram os militantes do Greenpeace é vista como uma tentativa do Kremlin de melhorar a imagem da Rússia com vistas aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sóchi, que serão disputados em fevereiro de 2014.

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