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Apple concorda em pagar US$ 250 milhões a usuários por Siri que nunca foi lançada

Apple faz acordo para encerrar ação coletiva que acusava empresa de enganar consumidores de versões antigas de iPhone com promessa falsa de Siri repaginada

Apple: compradores de iPhone dos EUA poderão receber até US$ 95 por aparelho (Apple/Reprodução)

Apple: compradores de iPhone dos EUA poderão receber até US$ 95 por aparelho (Apple/Reprodução)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 6 de maio de 2026 às 10h20.

A Apple chegou a um acordo de US$ 250 milhões para encerrar uma ação coletiva movida por consumidores americanos que se sentiram enganados pelas campanhas de marketing do iPhone 16, lançado em 2024. O acordo foi protocolado nesta terça-feira, 5, em tribunal federal na Califórnia e ainda depende de aprovação judicial.

As reclamações estão concentradas em uma versão da Siri que foi apresentada pela Apple na Worldwide Developers Conference de 2024, mas ainda não foi lançada. A assistente pessoal seria receberia melhorias com inteligência artificial operar de forma integrada entre aplicativos, acessar informações do dispositivo e executar tarefas complexas em nome do usuário.

A empresa usou o recurso como argumento de venda para toda a linha iPhone 16 e para os modelos iPhone 15 Pro e iPhone 15 Pro Max, inclusive com campanhas publicitárias estreladas pela atriz Bella Ramsey, na época conhecida por Game of Thrones.

Os advogados da classe argumentaram que a Apple promoveu capacidades de IA que não existiam na época do anúncio e não chegariam em até 2 anos. Em março de 2025, a companhia admitiu publicamente o atraso e retirou os anúncios do ar. O processo acusa a Apple de fazer propaganda enganosa sobre seus recursos de IA no iPhone, que a empresa chama de Apple Intelligence, incluindo um aprimoramento de seu assistente de voz Siri.

Quanto cada consumidor vai receber

O acordo cobre compradores norte-americanos do iPhone 16, em todas as versões, e dos modelos iPhone 15 Pro e iPhone 15 Pro Max, adquiridos entre 10 de junho de 2024 e 29 de março de 2025. A indenização estimada é de US$ 25 por dispositivo, podendo chegar a uma máxima de US$ 95 dependendo do número de usuários que submeterem pedidos de ressarcimento. Do total, parte do montante será destinada ao pagamento de honorários advocatícios e custos administrativos.

Se homologado pelo juiz, o acordo se tornará um dos maiores já firmados pela Apple em um processo judicial. Ele superaria, por exemplo, os US$ 95 milhões pagos no início de 2025 para encerrar uma ação coletiva que acusava a Siri de captar conversas privadas sem autorização dos usuários.

Apple passa por mudanças para melhorar inovações de IA

Em dezembro passado, a empresa anunciou a saída de John Giannandrea, então principal executivo de IA. A transição foi considerada uma raridade para uma companhia conhecida pela estabilidade de sua liderança. No mesmo período, rivais como a Meta avançaram na captação de talentos do Vale do Silício.

Para finalmente entregar o produto prometido, a Apple recorreu a parcerias externas. Em 2024, integrou o ChatGPT da OpenAI ao sistema operacional do iPhone. Em janeiro deste ano, anunciou uma parceria extensa com o Google para construir as futuras funcionalidades de IA do iPhone com os modelos generativos da Big Tech. A nova versão da Siri deve ser apresentada na conferência de desenvolvedores da Apple, prevista para junho, quase dois anos após a promessa original.

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