A vez da Netshoes: varejista lucra R$ 135 mi e registra 1º ano rentável

Três anos depois de entrar para o guarda-chuva do Magazine Luiza, Netshoes resolve pendências e se torna lucrativa
 (Leandro Fonseca/Exame)
(Leandro Fonseca/Exame)
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André Lopes

Publicado em 15/03/2022 às 10:00.

Última atualização em 17/03/2022 às 10:21.

A Netshoes é uma pioneira no varejo online de produtos esportivos. Ao longo de 20 anos, a empresa desbravou o e-commerce brasileiro quando ele ainda era incipiente. Contudo, mesmo com a vantagem de ser uma nativa do digital, contava com uma saúde financeira delicada que seguiu pendulando mesmo depois da venda para o Magazine Luiza, em 2019.

Na segunda-feira, 14, ao apresentar seu balanço fiscal anual, a empresa confirmou que muita já coisa mudou. Pendências da época da aquisição foram resolvidas — das dívidas aos contratos com fornecedores —, e assim se obteve um lucro de R$ 135 milhões, tornando 2021 o primeiro ano rentável da história da Netshoes.

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"O resultado que anunciamos é um trabalho que se iniciou logo após a aquisição. Lá atrás, a gente mapeou as sinergias da Netshoes com o Magalu para entender os pontos de integração. Ainda que a pandemia tenha trazido novos obstáculos para o setor esportivo, hoje vemos um momento pujante para o nosso e-commerce", afirma Júlio Trajano, diretor-geral da Netshoes.

Segundo Trajano, antes da compra pelo Magalu, a Netshoes enfrentava um grande custo de logística, com margens espremidas, e o IPO só complicou a vida da companhia entre 2017 e 2019.

“Dentro do ecossistema do Magazine Luiza a situação muda. A empresa ganhou velocidade nas entregas, mais de mil lojas entraram na malha para a distribuição dos produtos, e a fatia de mercado cresceu frente aos concorrentes”, explica Trajano. “Em alguns momentos de 2021, a empresa abocanhou mais de 40% do mercado de produtos esportivos”.

Momento certo

Apesar de os números recentes do Magazine Luiza não serem positivos, a empresa cresceu em meio à crise: houve expansão de mais de 22% da loja online, em 2021. Com isso, a Netshoes pode pegar carona para aproveitar o apetite dos consumidores por compras online, sobretudo, dos que não dispensam a entrega rápida.

"Percebemos que na pandemia houve até um movimento de educação e aceitação das facilidades da compra em e-commerce. Por isso, durante o período, mudamos o conceito da marca de "Netshoes conecta você ao esporte" para "Netshoes o esporte é para todos", mais próximo do propósito do Grupo Magalu", diz Trajano.

A estratégia de marketing mais acertada acompanhou o patrocínio da transmissão da Olimpíada e Paralimpíada, na Sportv, do mundial de beach tênis, e até de um time de e-sportes, o Netshoes Miners.

Com o novo posicionamento, claro, as vendas cresceram desde produtos como skates, que foi impulsionado pelas boas posições do Brasil nos Jogos do Japão, até as raquetes do beach tênis, que virou o esporte casual tendência do último ano.

Para se ter uma ideia, os números de lucro de hoje acompanham dados surpreendentes como a venda de mais de 10 milhões de pares de calçados esportivos e 1 milhão de camisetas de time. Dados que mostram que é sim a vez da Netshoes.