CallMed: empresa chegou aos EUA neste mês (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 06h01.
A CallMed expandiu sua operação para os Estados Unidos com consultas médicas por vídeo, em português, para a comunidade brasileira no país. O atendimento une consulta com médico brasileiro e revisão por profissional licenciado nos EUA, que valida a receita para farmácias americanas. Segundo o Itamaraty, cerca de 1,9 milhão de brasileiros vivem nos Estados Unidos.
Descrever uma dor no peito, uma crise de ansiedade ou os sintomas de um filho com febre alta em um idioma que não é o seu é uma situação complicada. Para boa parte dos cerca de 1,9 milhão de brasileiros vivendo hoje nos Estados Unidos, segundo o Itamaraty, essa barreira silenciosa costuma pesar mais do que o próprio problema de saúde.
E é justamente essa lacuna que a CallMed, empresa brasileira de saúde digital, decidiu atacar ao levar sua operação para o país, oferecendo consultas médicas por vídeo inteiramente em português.
A aposta chega em um momento de expansão acelerada do setor no mundo todo. Segundo a consultoria Fortune Business Insights, o mercado global de telemedicina — atendimento médico feito à distância, por vídeo ou telefone — estava avaliado em US$ 113 bilhões em 2025, deve fechar 2026 em US$ 123,39 bilhões e chegar a US$ 441,35 bilhões até 2034.
É nesse cenário de expansão bilionária que a CallMed decide brigar por uma fatia bem específica: uma das maiores comunidades de imigrantes dos Estados Unidos, ainda carente de atendimento médico no próprio idioma.
"Quando alguém está doente longe de casa, a última coisa que deveria pesar é o idioma. Criamos a CallMed USA para que nenhum brasileiro precise escolher entre ser entendido e ser bem tratado; as duas coisas acontecem na mesma consulta", diz Juan Ramos, CEO da CallMed USA.
O funcionamento da CallMed USA segue um fluxo específico: o paciente agenda uma consulta por vídeo com um médico brasileiro, atendido inteiramente em português.
Em seguida, um médico licenciado nos Estados Unidos revisa o caso e converte o tratamento indicado para o remédio equivalente reconhecido no país, garantindo que a receita seja válida em qualquer farmácia americana.
A partir daí, o paciente escolhe entre duas opções: receber o pedido já encaminhado diretamente para a farmácia mais próxima de casa — entre redes como CVS, Walgreens ou Walmart — ou apenas a receita, para comprar por conta própria.
Segundo a empresa, todo o atendimento segue as exigências de duas leis de proteção de dados: a americana HIPAA, voltada especificamente a informações de saúde, e a brasileira Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que regula como empresas podem coletar e usar dados pessoais no Brasil.
As informações do paciente são compartilhadas apenas com o médico responsável pelo caso, e nenhuma etapa avança sem autorização expressa de quem está sendo atendido — ponto que a companhia destaca como sensível para famílias brasileiras vivendo no exterior.
No mercado brasileiro, a CallMed diz reduzir o tempo de espera para atendimento a cerca de cinco minutos em projetos específicos, além de manter integração completa com sistemas do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo o e-SUS Digital — plataforma do governo que reúne o histórico de atendimentos do paciente na rede pública — e prontuários eletrônicos, versão digital da ficha médica do paciente.
A empresa também investe em soluções físicas, como totens e cabines de telemedicina — estruturas equipadas para consultas por vídeo em locais públicos —, para levar atendimento especializado a áreas com escassez de profissionais de saúde.
A CallMed USA é uma plataforma de saúde digital que oferece consultas médicas por vídeo e em português para brasileiros nos Estados Unidos. Segundo o Itamaraty, cerca de 1,9 milhão de brasileiros vivem no país.
O paciente agenda uma consulta por vídeo e recebe atendimento em português de um médico brasileiro. Depois, um médico licenciado nos Estados Unidos revisa o caso e converte o tratamento para um medicamento equivalente reconhecido no país.
Sim. Após a revisão do médico licenciado nos Estados Unidos, a receita pode ser usada em qualquer farmácia americana ou enviada diretamente a uma unidade próxima de redes como CVS, Walgreens ou Walmart.
Segundo a CallMed, o atendimento segue as exigências da HIPAA, dos Estados Unidos, e da LGPD brasileira. A empresa afirma que compartilha as informações apenas com o médico responsável e exige autorização expressa do paciente para cada etapa.
O mercado global de telemedicina deve atingir US$ 123,39 bilhões em 2026 e US$ 441,35 bilhões até 2034, segundo a Fortune Business Insights. A consultoria avaliou o setor em US$ 113 bilhões em 2025.
A CallMed afirma ter integração com sistemas do SUS, como o e-SUS Digital e prontuários eletrônicos, além de reduzir a espera para cerca de cinco minutos em projetos específicos. A empresa também utiliza totens e cabines de telemedicina em áreas com escassez de profissionais de saúde.