A nova chance da Blizzard: com Overwatch 2, a desenvolvedora tenta se reaproximar do público gamer

Após um período nebuloso que envolveu um processo de assédio trabalhista milionário, a Blizzard, agora sob comando da Microsoft, lança gratuitamente Overwatch 2 — título que deve disputar com sucessos da Epic e Riot
Overwatch 2: personagens e gráficos remodelados (Imagem/Divulgação)
Overwatch 2: personagens e gráficos remodelados (Imagem/Divulgação)
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André Lopes

Publicado em 05/10/2022 às 09:36.

Última atualização em 05/10/2022 às 13:40.

No final de 2021, a Activision Blizzard estava com a imagem arranhada com grande parte do seu público. A má reputação surgiu após escândalos de assédio sexual que desencadearam até no suicídio de uma ex-funcionária. O caso culminou num processo judicial, e a empresa precisou pagar US$ 18 milhões às colaboradoras que foram vítimas de agressão sexual e discriminação no ambiente de trabalho. Apesar disso, a Microsoft anunciou em fevereiro de 2022 que compraria a desenvolvedora por 70 bilhões de dólares. O negócio, traria ao portfólio da empresa de softwares uma vasta lista de games de sucesso, ajudando a incrementar o Game Pass, uma espécie de Netflix de jogos da Microsoft. 

Quase um ano depois da aquisição, entre rearranjos de concorrentes como a Sony, e lançamentos de títulos amenos, a Activision Blizzard parece ter passado pela maré ruim e ganha agora um novo momento. Na terça-feira, 4, apresentou ao público a nova versão do jogo Overwatch, um dos seus carros-chefes no cenário de jogos online competitivos. Remodelado para gráficos da atualidade e com novos personagens, Overwatch 2 foi lançado para consoles e PC, com cross-play e progressão entre plataformas. 

O lançamento chega em um mercado diferente da primeira vez que o jogo foi lançado em 2014. Considerando isso, a empresa adotou dessa vez o modelo free to play (grátis para jogar, na tradução do inglês), com venda de itens cosméticos e moedas virtuais em um formato chamado Game as a Service (Gaas). A ideia é atrair uma base de jogadores massiva, que tornem a manutenção do game sustentável ao longo prazo, evitando o esvaziamento das partidas como aconteceu na versão passada, e nas quais um jogador poderia ficar mais de 30 minutos esperando para conseguir jogar com um número limitado de oponentes.

Dado o cenário, o lançamento é visto como uma oportunidade de reconciliação da empresa com o público, já que Overwatch tem uma receita que poucos títulos possuem. O seu principal apelo, por assim dizer, é a gameplay facilitada ou dificultada a depender do trabalho feito em equipe — há uma exigência de agir em grupo para conseguir uma vencer. E, apesar de ser um combate armado, a história é leve, marcada por personagens de etnias e culturas diferentes, e temperada por uma dublagem carregada de bordões e provocações divertidas. Com essas características a favor do jogo, há espectativa de repetir o sucesso da primeira versão, que reinou sozinha até a chegada de jogos como Fortnite, da Epic, e Valorant, da Riot —  os expoentes atuais quando se trata de jogos de tiro.

Outro fator importante para esse ano é a moderação da comunidade. Jogos competitivos e multiplayer, por vezes, geram situações de assédio e bullying entre jogadores. Isso se dá pelo chat de voz ou texto do jogo, ambos necessários para traçar estratégias durante a partida. Para contornar essas possíveis violações, a empresa criou o Defense Matrix, que implementa ferramentas de segurança e moderação de contas mais precisas quanto ao conteúdo da comunicação feita no jogo. Outra medida é a confirmação de identidade. Agora os jogadores são obrigados a adicionar um número de telefone válido à sua conta, não podendo cadastrá-lo em mais de uma, além de impedir o uso de números descartáveis, como os de VOIP. A ideia é evitar o anonimato e trazer consequências para quem não se comportar de forma adequada no jogo.

Do lado da nova controladora, a Microsoft ainda está arrumando a casa. No dia do lançamento de Overwatch 2, a dona do Xbox lançou também uma página de transparência sobre a aquisição. Nela, apresenta novidades sobre o mercado de games e os benefícios da fusão dos negócios. Há também uma entrevista com Phil Spencer, que comanda a divisão do Xbox, oferecendo ideias e respondendo questionamentos. A mensagem primordial pode ser vista logo na página inicial, que diz: "Jogadores e desenvolvedores estão no centro do Xbox. Queremos permitir que as pessoas joguem em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer dispositivo. E os desenvolvedores merecem mais opções para construir, distribuir e monetizar seus títulos inovadores. Quando fizermos isso, todos ganhamos".

Se a nova chance trará bons frutos para a companhia, só o tempo dirá, mas a Microsoft parece sim querer manter o seu novo negócio longe de polêmicas e mais próximo dos fãs.