Renda fixa volta a brilhar e faz poupança comer poeira

Com juro de volta aos dois dígitos, aplicações atreladas à Selic e ao CDI, as chamadas pós-fixadas, estão bem mais vantajosas que a poupança em qualquer prazo

São Paulo – A taxa básica de juros, a Selic, retornou nesta quarta ao patamar de dois dígitos, do qual havia saído em março do ano passado. Isso fez com que as aplicações atreladas à taxa Selic voltassem a se tornar atrativas. Em relação à caderneta de poupança, estacionada na remuneração máxima de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR), esses investimentos de renda fixa estão ganhando de lavada.

Investir em aplicações pós-fixadas voltou ser bastante interessante em qualquer prazo na comparação com a poupança, mesmo com a cobrança de imposto de renda, da qual a caderneta é isenta. A remuneração dessas aplicações é atrelada à Selic ou à taxa CDI, que costuma se aproximar da Selic. Com a inflação em torno de 6% ao ano, a rentabilidade bruta acima da inflação (juro real) dos pós-fixados voltou a ficar elevada, em cerca de 4% ao ano.

Dentre as aplicações pós-fixadas mais acessíveis ao pequeno investidor destacam-se os CDB-DI, oferecidos pelos bancos; as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), negociadas via Tesouro Direto; e os fundos DI, que investem em papéis de renda fixa pós-fixados.

No caso dos CDBs, papéis que paguem mais de 84% do CDI, remuneração fácil de conseguir mesmo em bancos grandes, já são mais interessantes que a poupança em qualquer prazo. No caso das LFTs, se a corretora cobrar até 1,2% ao ano de taxa de administração, a aplicação já rende mais que a caderneta (veja a lista das taxas cobradas pelas corretoras, inclusive aquelas que isentam o investidor de custos). E no caso de fundos DI, a taxa de administração máxima para que o investimento ainda seja mais vantajoso é de 1,5% ao ano, que já pode ser considerada alta para esse tipo de produto.

Vale notar que, nos três casos, é bem possível conseguir remunerações melhores para os CDBs ou taxas de administração mais baratas para o Tesouro Direto e os fundos DI. Considerando uma TR um pouco acima de zero – digamos, de 0,02% ao mês –, perceba a diferença de remuneração em relação a um CDB que paga 90% do CDI, um fundo DI com taxa de administração de 1,0% ao ano e uma LFT negociada em uma corretora que não cobre taxa de administração, apenas a custódia obrigatória de 0,30% ao ano. O prazo considerado foi de 12 meses.

Aplicação Rendimento líquido anual Quanto rende a mais que a poupança
Poupança (nova e velha)* 6,42% Zero
CDB 90% do CDI 7,17% 11,68%
Fundo DI com taxa de 1,0% a.a. 7,20% 12,15%
Tesouro Direto (LFT) 7,74% 20,56%

(*) Com a Selic acima de 8,50% ao ano, a remuneração da caderneta de poupança volta a ser a mesma da regra antiga: 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR). Na tabela, foi considerada uma TR de 0,02% ao mês, uma vez que essa taxa não tem mais ficado zerada com o juro mais alto.

Vídeo: Por que o Tesouro Direto é indicado ao pequeno investidor?

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