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Reforma da Previdência valoriza a poupança, dizem especialistas

Historicamente, o Brasil sempre mostrou baixa poupança, sobretudo a partir dos anos 2000, quando boa parte do crescimento teve como base o consumo
Poupança: "Hoje o esforço de poupança tende a ser menor. Com as alterações propostas pela reforma, as pessoas vão se dar conta de que vão ter que poupar mais para o futuro" (Thinkstock/AndreyPopov)
Poupança: "Hoje o esforço de poupança tende a ser menor. Com as alterações propostas pela reforma, as pessoas vão se dar conta de que vão ter que poupar mais para o futuro" (Thinkstock/AndreyPopov)
Por Luiz Guilherme Gerbelli, da ReutersPublicado em 27/04/2017 16:21 | Última atualização em 27/04/2017 16:21Tempo de Leitura: 3 min de leitura

São Paulo - A reforma da Previdência fará com que a taxa de poupança da economia brasileira aumente no longo prazo diante da necessidade que o brasileiro terá de guardar mais dinheiro para manter o padrão de vida durante a aposentadoria, movimento que deve ajudar na queda mais estrutural da taxa de juros do país.

"Hoje o esforço de poupança tende a ser menor. Com as alterações propostas pela reforma, as pessoas vão se dar conta de que vão ter que poupar mais para o futuro", afirma o professor da Faculdade de Economia e Administração, da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Mauro Rodrigues, que preparou estudo sobre o impacto das mudanças previdenciárias nas taxa de juros.

Os economistas ainda têm dificuldade em mensurar qual será o tamanho do impacto das alterações no sistema de Previdência, caso sejam aprovadas pelo Congresso Nacional, na taxa de poupança do Brasil, mas concordam que a proposta do governo, embora tenha sido amenizada, vai no caminho de fazer com que o brasileiro se aposente mais tarde e tenha mais dificuldade para conseguir o benefício integral.

Assim, o trabalhador se veria obrigado a poupar mais para garantir estabilidade financeira na velhice.

Historicamente, o Brasil sempre mostrou baixa poupança, sobretudo a partir dos anos 2000, quando boa parte do crescimento econômico teve como base o consumo.

No ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de poupança foi de 13,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), nível mais baixo desde 2001 e marcando o terceiro ano consecutivo de queda.

O auge ocorreu em 2004, quando foi a 18,9 por cento.

A baixa poupança do Brasil fica ainda mais evidente quando comparada com outros países. O Chile, por exemplo, encerrou o ano passado com 20,2 por cento do PIB, enquanto na China ela foi de 45 por cento, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mais recursos, menos juros

O principal benefício a longo prazo para o Brasil com o possível aumento da poupança, avaliam os economistas, será a queda na taxa de juros, diante da maior quantidade de recursos que ficará aplicada nas instituições financeiras e que poderão ser usados para a concessão de crédito.

O movimento será especialmente verdadeiro para os investimentos produtivos, área fortemente afetada pelos recentes anos de recessão. Em 2016, a taxa de investimento foi de 16,4 por cento do PIB, a pior da série histórica.

Estudo feito pelo professor Rodrigues, da FEA/USP, mostra que caso o Brasil adotasse o modelo de previdência parecido com o do Chile, a taxa de juros poderia ser reduzida em 1 ponto percentual. Hoje, a Selic está em 11,25 por cento ao ano.

No Chile, por exemplo, existe idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e de 60 para mulher.

O país também desenvolveu na década de 1980, durante o forte período de políticas neoliberais de Augusto Pinochet, sistema de capitalização individual de aposentadorias.

No Brasil, a última versão da proposta apresentada pelo governo prevê idade mínima de 62 anos para mulheres e de 65 para homem. O sistema brasileiro não é de capitalização individual, já que quem está no mercado de trabalho financia o aposentado.

A decisão de poupar mais pode, no entanto, reduzir o consumo num primeiro momento. Depois, a melhora dos investimentos pode gerar um ciclo positivo na economia e, assim, voltar a estimular o consumo.

"Quando se investe mais, cria-se emprego e, consequentemente, há um aumento da renda e do consumo", afirma o professor do Insper, Otto Nogami.

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