Os piores e melhores investimentos de janeiro

Expectativa de retomada econômica e corte de juros impulsionaram Bolsa e fundos de ações no mês, enquanto o dólar cedeu. Veja ranking

São Paulo – A redução do juro básico e a expectativa de retomada da economia favoreceram a Bolsa brasileira em janeiro, e o Ibovespa subiu 7,38% no período. Os fundos de ações small caps acompanharam esse movimento e ficaram no topo do ranking de investimentos de EXAME.com, acumulando valorização de 10,40%.

Em sentido oposto, os fundos cambiais cederam 1,87% no mês, refletindo o tombo de 3,08% do dólar no período, e acabaram na última posição do ranking.

Planejadores financeiros indicam a aplicação em fundos cambiais apenas para pessoas que precisam se proteger da oscilação de moedas estrangeiras. É o caso, por exemplo, de quem vai viajar ao exterior.

Fora dessa circunstância, esse investimento não é recomendado aos pequenos investidores, uma vez que a taxa de câmbio varia muito. Em todos os casos, a orientação é sempre lembrar que a rentabilidade passada não significa garantia de rendimento futuro.

Dentre as opções de renda fixa, que são mais conservadoras, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2021, título público vendido pela plataforma Tesouro Direto, teve o melhor resultado em janeiro, com alta de 2,86%.

É importante mencionar que o ranking de investimentos considera a rentabilidade bruta das aplicações no mês e em 2016, sem descontar Imposto de Renda. Em aplicações em fundos de ações, há IR de 15%.

Nos fundos de curto prazo, a alíquota é de 22,50% para resgates em até 180 dias e de 20% para resgates depois de 180 dias. Nas demais categorias de fundos (longo prazo), a tributação segue tabela regressiva, em que a alíquota varia entre 15% e 22,5%, conforme o prazo de vencimento.

Os títulos públicos também são tributados pela tabela regressiva de IR. Veja o passo a passo para investir no Tesouro Direto e como escolher a corretora. A poupança não tem cobrança de Imposto de Renda e a aplicação em ouro também é isenta de IR até 20 mil reais.

Confira o ranking de investimentos de janeiro:

Investimento Desempenho em janeiro Desempenho em 2017
Fundos de Ações Small Caps* 10,40% 10,40%
Fundos de Ações Indexados* 9,70% 9,70%
Fundos de Ações Livre* 7,03% 7,03%
Fundo de Ações Dividendos* 6,83% 6,83%
Fundos de Ações Investimento no Exterior* 3,48% 3,48%
Tesouro Prefixado 2021 (LTN) 2,86% 2,86%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2021 (NTN-F) 2,61% 2,61%
Ouro BM&F 2,43% 2,43%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) 2,42% 2,42%
Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) 2,42% 2,42%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTN-B) 1,83% 1,83%
Fundos Multimercados Livre* 1,56% 1,56%
Fundos Renda Fixa Indexados* 1,51% 1,51%
Fundos de Renda Fixa Investimento no Exterior* 1,36% 1,36%
Tesouro Prefixado 2018 (LTN) 1,34% 1,34%
Tesouro IPCA+ 2019 (NTN-B Principal) 1,05% 1,05%
Tesouro Selic 2017 (LFT) 1,03% 1,03%
Fundos Multimercados Investimento no Exterior* 0,98% 0,98%
Tesouro Selic 2021 (LFT) 0,88% 0,88%
Fundos Renda Fixa Simples* 0,83% 0,83%
Poupança** 0,70% 0,70%
Fundos Cambiais* -1,87% -1,87%

Referências:

Investimento Desempenho em janeiro Desempenho em 2017
Ibovespa 7,38% 7,38%
Selic*** 1,04% 1,04%
CDI*** 1,09% 1,09%
IPCA**** 0,51% 0,51%
Dólar comercial -3,08% -3,08%

*Até 26 de janeiro, dado mais atual disponível na Anbima.
**Até 28 de janeiro.
***O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.
****Projeção do Boletim Focus do Banco Central.
Fontes: Anbima, BM&FBovespa, Thomson Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional.

Avaliação

Para o economista Ignacio Rey, da Guide Investimentos, pesou positivamente o mercado de renda variável no Brasil em janeiro a calmaria no noticiário político nacional, em meio ao período de recesso em Brasília.

“Também fomos beneficiados pelo bom desempenho das commodities no exterior, o que beneficiou ações de importantes produtores de matérias-primas nacionais, como a Vale”, disse.

Rey citou ainda que o movimento positivo da Bolsa brasileira no primeiro mês do ano não foi isolado, já que os principais mercados internacionais e os emergentes também registraram ganhos em janeiro.

“Em dólares a BM&F Bovespa subiu 10,74%, enquanto o índice de emergentes MSCI avançou 5,89% em janeiro e os desenvolvidos tiveram valorização de 2,36%.”

Para a renda fixa, o cenário continua positivo, mesmo diante do ciclo de corte da Selic promovido pelo Banco Central. “A taxa vai cair ainda mais neste ano, porém, na nossa avaliação, ela segue em um patamar elevado. Assim, os investimentos em renda fixa continuam atraentes ao pequeno investidor, já que o ganho real também deve seguir interessante diante da queda da inflação”, afirmou o economista.

Dólar

Em relação ao câmbio, o economista do Insper e fundador da BeeCâmbio Fernando Pavani ressaltou que, nos últimos dias do mês, a trajetória de queda do dólar foi reforçada pela avaliação de parte do mercado de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) não deve elevar a taxa básica de juros na reunião que termina amanhã, mantendo-a na faixa de 0,5% a 0,75% ao ano.

“Mas o patamar baixo não é sustentável no longo prazo, por conta da necessidade de estímulo à exportação que o país precisa para incentivar o crescimento da economia. O equilíbrio seria alcançado na faixa de 3,40 reais, o que representa dólar atrativo e não gera disruptura. Esse patamar foi alcançado pela última vez em 7 de dezembro”, disse.

Em relação ao que esperar para fevereiro, Pavani disse que a expectativa é de que os indicadores de confiança no Brasil continuem a mostrar sinais de recuperação incipiente. “E é importante que isso se reflita nos indicadores reais da economia.”

“Já no mercado internacional, apesar dos sinais de confiança na política de Donald Trump, ainda é cedo para saber como o mercado vai reagir às decisões do novo presidente dos EUA”, completou.

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