Os melhores e os piores investimentos de maio

Investimentos em renda fixa se destacaram, puxados principalmente pelos títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação

São Paulo – Os títulos públicos, negociados via Tesouro Direto, foram os campeões de rendimento do ranking de investimentos do mês de maio.

As Notas do Tesouro Nacional série B Principal (NTN-B Principal), com vencimento em 2035, apresentaram o melhor desempenho do balanço, com alta expressiva de 10,58%.

Entre os investimentos de renda variável, que são mais arriscados, os fundos de ação small caps, tiveram a maior rentabilidade. Esse tipo de fundo investe em ações com baixo valor de mercado.

Veja na tabela a seguir a lista com o desempenho de algumas das aplicações financeiras do mercado em maio e no acumulado de 2014:

Aplicação Desempenho em maio Desempenho no ano
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2035)* 10,58% 14,75%
NTN-B (vencimento em 15/08/2050)* 7,30% 11,65%
NTN-B (vencimento em 15/05/2035)* 5,69% 10,56%
Fundos de ações Small Caps* 4,22% -3,94%
NTN-F (vencimento em 01/01/2025)* 3,54%
LTN (vencimento em 01/01/2018)* 2,64%
NTN-F (vencimento em 01/01/2017)* 2,01% 6,10%
Fundos de ações livre* 1,63% -1,09%
Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) 1,55% -0,41%
Fundos de ações dividendos* 1,53% 2,69%
Fundos de ações Ibovespa Ativo* 1,51% -1,69%
Fundos de Renda Fixa* 1,07% 4,63%
Fundos Multimercados Juros e Moedas* 1,03% 4,07%
Fundos Multimercado Multiestratégia* 1,01% 2,25%
Fundos Multimercado Macro* 0,98% 1,66%
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2015)* 0,95% 4,99%
NTN-B (vencimento em 15/05/2015)* 0,94% 4,98%
LTN (vencimento em 01/01/2015)* 0,93% 4,00%
Selic* 0,90% 4,15%
CDI* 0,89% 4,11%
Fundos referenciados DI* 0,87% 4,02%
LFT (vencimento em 07/03/2015)* 0,86% 4,14%
LFT (vencimento em 07/03/2017)* 0,78% 4,07%
Poupança antiga* 0,58% 2,25%
Poupança nova* 0,58% 2,25%
IPCA (estimativa do Banco Central)** 0,43% 3,30%
IGP-M (estimativa do Banco Central)** 0,17% 3,52%
Dólar -0,49% -5,02%
Ibovespa -0,75% -0,52%
Ouro -1,14% 0,55%

Fontes: Banco Central, BM&FBovespa, Tesouro Nacional e Anbima.

(*) O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.

(**) Expectativa de inflação para o mês de abril e para o acumulado em 2014 até maio, segundo o Banco Central.

À exceção dos fundos de investimento imobiliário, os resultados dos rendimentos de todos os fundos da tabela foram fechados no dia 26 de maio.

As expectativas sobre o IGP-M e o IPCA foram fechadas no dia 23 de maio. Os dados sobre a poupança nova e antiga, taxa Selic e o CDI foram fechados no dia 29 de maio. Os rendimentos do ouro, dólar e dos títulos do Tesouro são referentes ao fechamento do dia 29 de maio. E as rentabilidades do Ibovespa, IFIX e dos títulos públicos são referentes ao fechamento do dia 30 de maio.

Renda fixa

Os investimentos de renda fixa, que são mais conservadores, foram o destaque do mês, puxados principalmente pelas NTB-S de prazo mais longo.

As NTN-Bs são os títulos do Tesouro Nacional, negociados via Tesouro Direto, que pagam ao investidor uma taxa de juro prefixada, mais a variação do IPCA durante o período do investimento. 

Conforme explica Fabio Colombo, administrador de investimentos, as NTN-Bs tiveram um bom resultado porque os juros futuros tiveram um recuo no mês de maio. “Como são títulos com prazos muito longos, qualquer oscilação do cupom de juro futuro para baixo tem um impacto grande sobre as NTN-Bs no presente”, afirma. 

Esse movimento ocorre por causa do efeito da chamada marcação a mercado, que mostra a rentabilidade que os títulos teriam se fossem vendidos antes do vencimento. Com a previsão de queda dos juros no futuro, quando o valor das NTN-Bs negociadas hoje é trazido a presente seu valor de face (valor pelo qual o título é comprado) se valoriza.

Por causa da marcação a mercado, se o investidor vender o título antes do vencimento ele pode ter prejuízos. Por isso, para os mais conservadores recomenda-se carregar o título até a data de vencimento, já que nesse caso o título paga exatamente o que foi prometido no momento da compra.

Entenda melhor o processo de marcação a mercado.

Também tiveram destaque as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), títulos públicos prefixados que têm sua remuneração definida no início do investimento. Segundo Fábio Colombo, a valorização das NTN-Fs também foi resultado da queda dos juros futuros. 

Para quem quer se proteger contra prejuízos, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que também tiveram desempenho satisfatório, são o título do Tesouro mais indicado. Como a remuneração da LFT é atrelada às variações diárias da Selic, o investidor não corre o risco de perder dinheiro se precisar vender o título antes do prazo. 

Dentre os títulos mostrados na tabela, estão disponíveis para compra: NTN-B Principal (15/05/2035), NTN-B (15/05/2035), NTN-B (15/08/2050), LFT (07/03/2017), LTN (01/01/2018) e NTN-F (01/01/2025).

Os fundos de renda fixa e os fundos DI, que investem em ativos de renda fixa, também tiveram bom desempenho no mês.

“Pressupõe-se que esses fundos invistam em títulos públicos prefixados e indexados à inflação. Como esses títulos tiveram bom resultado, eles podem ter influenciado positivamente o resultado dos fundos, mas isso depende da carteira de cada fundo”, diz Colombo.

O investimento preferido dos brasileiros, a poupança, registrou um dos piores desempenhos entre os investimentos de renda fixa. Tanto a poupança regida pela nova regra, quanto pela antiga, têm o mesmo rendimento quando a taxa Selic passa dos 8,5% ao ano. Ambas rendem 0,50% ao mês, mais a Taxa Referencial (taxa que se aproximou dos 0,04% no último mês). 

Com a Selic aos 11%, outras aplicações que acompanham a alta da taxa ficam mais vantajosas, enquanto a poupança perde a vantagem porque seu rendimento deixa de ser atrelado aos juros básicos depois que eles passam dos 8,5% ao ano.

Renda variável

Entre os investimentos de renda variável – que são aqueles cuja forma de remuneração varia e não é definida previamente -, os fundos de ações small caps tiveram o melhor resultado, com alta de 4,22% em maio. 

Apesar do bom desempenho de algumas classes de fundos de ações, o Ibovespa, principal indicador do desempenho da Bolsa, fechou o mês com queda de 0,75%, acumulando perda de 0,52% no ano de 2014. 

Essa discrepância entre os resultados dos fundos que investem em Bolsa e do Ibovespa pode ser explicada porque o fechamento do desempenho dos fundos, divulgado pela Anbima, é feito no dia 26 de maio e não reflete as oscilações das ações nos últimos dias do mês. 

Conforme comenta Fabio Colombo, os fundos ainda podem sofrer os reflexos da queda da Bolsa no final do mês. 

Ele explica que a Bovespa vinha em uma trajetória de alta, mas recuou principalmente por causa da influência de fatores externos. “A Bolsa vinha em uma trajetória positiva e deu uma piorada, assim como outras bolsas de países emergentes, por causa da queda no preço das commodities, ocasionada pela desaceleração da China”, diz. 

Colombo acrescenta que fatores internos, como a divulgação do crescimento de 0,20% do PIB no primeiro trimestre, também prejudicaram o fechamento da Bolsa. Ainda que o resultado moderado do PIB já fosse esperado, a notícia confirmou a percepção de que a economia brasileira está praticamente estagnada

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