O segredo para realizar sonhos? Pense em dias, não em anos

Pesquisa mostra que ao estipular um objetivo e calcular o prazo para sua execução em dias, em vez de anos, as pessoas tendem a tomar uma atitude mais cedo

	Mulher sonhando: Pesquisa traz uma boa dica para tirar os planos do papel
 (Thinkstock/anyaberkut)
Mulher sonhando: Pesquisa traz uma boa dica para tirar os planos do papel (Thinkstock/anyaberkut)
Por Priscila YazbekPublicado em 25/08/2015 13:31 | Última atualização em 25/08/2015 13:31Tempo de Leitura: 19 min de leitura

São Paulo - Quantos projetos você já deixou de realizar por ter confiado que você iria executá-los em algum momento no futuro? Não seria nada surpreendente se a sua resposta fosse: "já perdi a conta".

Uma pesquisa recentemente divulgada pelo jornal Psychological Science parece ter revelado um bom antídoto contra esse tipo procrastinação: pensar nos eventos futuros em dias, em vez de anos.

O estudo, conduzido pelos psicólogos Neil Lewis, da Universidade de Michigan, e Daphna Oyserman, da Universidade da Califórnia do Sul, concluiu que as pessoas tendem a tomar uma atitude mais cedo quando são informadas de que um evento acontecerá em "X" dias, em vez de "X" anos.

Em um dos experimentos que fez parte da pesquisa, os participantes foram induzidos a imaginar que eles tinham um filho recém-nascido e deveriam poupar para pagar sua faculdade no futuro, mas enquanto alguns entrevistados foram informados de que o bebê entraria na universidade em 18 anos, outros receberam a informação de que isso ocorreria em 6.750 dias.

Resultado: aqueles que foram induzidos a pensar no evento em termos de dias planejaram economizar dinheiro quatro vezes mais cedo do que aqueles que pensaram em anos.

Em outro experimento, o casamento de um amigo pareceu 16,3 dias mais próximo quando considerado em dias, em vez de meses; e 11,4 meses mais próximo quando considerado em meses, em vez de anos.

Conclusão semelhante foi constatada em relação ao planejamento para a aposentadoria. O estudo mostrou que os pesquisados planejavam economizar quatro vezes mais cedo ao pensar que se aposentariam em 10.950 dias, em vez de 30 anos.

De acordo com os pesquisadores, a procrastinação acontece porque as pessoas confiam que seu “eu futuro” cuidará dos projetos para o futuro, o que leva seu "eu presente" a se desviar dos objetivos já que muitos desses eventos futuros exigem uma ação concreta no presente.

Para que o futuro ganhe força e motive uma ação no presente, segundo os psicólogos, ele precisa parecer iminente. Ao mudar as métricas de tempo, pensando em dias, em vez de anos, esse senso de urgência fica mais aguçado e a pessoa é capaz de sentir seu futuro de forma mais intensa.

“As métricas de tempo importavam não porque elas mudavam o senso de distância ou importância do evento futuro, mas porque mudavam a forma como elas sentiam seu eu futuro conectado e congruente com seu eu presente”, concluíram os psicólogos, no resumo do estudo.

A psicologia econômica explica

As finanças comportamentais, vertente da psicologia econômica que estuda as emoções que estão por trás das decisões financeiras, analisam alguns comportamentos que nos levam a cometer algumas gafes com dinheiro, os chamados vieses comportamentais.

Um deles, bastante relacionado ao estudo, é o viés da inércia.  Segundo Vera Rita de Mello Ferreira, consultora independente de psicologia econômica e professora da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), trata-se de uma crença infundada na nossa capacidade de realizar as coisas no futuro.

"A inércia está presente na espécie humana desde os nossos primórdios, por isso continua sendo um pensamento que predomina na nossa mente hoje. Quando a expectativa de vida era baixa, de 15 anos, 25 anos, a sobrevivência era tão incerta que era fundamental poupar energia e gasto calórico, o que criava um comportamento de inércia", diz Vera Rita.

Essa inércia, segundo a professora, é acompanhada da confiança exagerada de que podemos realizar as ações no futuro, o que nos impede de tomar uma atitude efetiva no presente.

Para evitar essa procrastinação, Vera Rita concorda que pensar nas tarefas em dias, semanas ou meses, pode ser uma estratégia eficaz. "Isso reduz a ansiedade. As pessoas pensam que não conseguem realizar um projeto durante um ano, mas ao pensar em realizá-lo por alguns dias ou semanas, elas se animam", diz.

Outra dica da especialista para conseguir tirar os planos do papel é tornar a sua meta pública. Ao planejar emagrecer, ou poupar 10 mil reais para uma viagem, por exemplo, a professora sugere que o objetivo seja compartilhado com amigos, familiares ou nas redes sociais. Assim, o comprometimento com a execução da tarefa é maior.