Caixa abrirá 30 milhões de poupanças para pagamento de auxílio de R$ 600

A poupança será aberta para quem não possui nenhuma conta em bancos e vai receber a renda emergencial do governo

A Caixa Econômica Federal abrirá mais de 30 milhões de poupanças para quem receberá o auxílio emergencial de R$ 600 e não tem conta em banco. O objetivo da medida é fazer o benefício chegar a quem não está no sistema financeiro, sem que todos precisem ir às agências para sacar o dinheiro.

O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Segundo ele, a medida, além de viabilizar os pagamentos do auxílio durante a crise do coronavírus, ajudará a diminuir o número de desbancarizados no país, que não têm acesso a crédito, por exemplo.

— Nós temos mais de 30 milhões de brasileiros sem acesso a nenhum tipo de conta. Normalmente, essas pessoas são aquelas que tomam dinheiro a 20% ao mês, 25% ao mês, no mínimo. Existe um componente de inclusão social muito relevante — disse Guimarães.

A criação da poupança social digital é uma exigência da lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada. O texto obriga que o governo ofereça ao menos uma transferência eletrônica por mês para a operacionalização do pagamento. Também está previsto que não haverá cobrança de tarifas.

Movimento estratégico para a Caixa

A abertura das contas digitais também será estratégica para os negócios da Caixa. Como as poupanças continuarão a funcionar depois da pandemia, a instituição vai conseguir ter acesso a um novo público, que poderá a ter acesso a outros produtos no futuro, como microcrédito.

— São milhões de brasileiros que, pela  primeira vez da vida deles passarão a ter uma conta de graça e para sempre porque a Caixa não vai fazer cobrança de absolutamente nenhuma dessas contas. Não será um movimento de três meses. É algo estratégico nosso, mais importante agora é criar esse banco de microcrédito — afirmou Guimarães.

O banco público conseguiu a exclusividade nos pagamentos após uma queda de braço interna entre técnicos que trabalharam no desenho do plano. Equipes do Ministério da Cidania preferiam que a operação fosse feita pelo Banco do Brasil. Já os técnicos do Planalto tinham preferência pela Caixa.

Outra corrente defendia que os repasses pudessem ser feitos por qualquer banco público federal, como o Banco do Nordeste e o Basa, da Amazônia. No fim, venceu o argumento sobre a capilaridade da Caixa em todo o país e a expertise de trabalhar com beneficiários do Bolsa Família.

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