Temos de formar uma classe média rural, diz Kátia Abreu

A ministra da agricultura, Kátia Abreu, pretende lançar neste ano um plano para elevar a produtividade e a renda de 100 000 agricultores

	 Kátia Abreu: “Os pequenos produtores pagam mais pelos insumos e vendem a produção por menos”
 (Wilson Dias/Agência Brasil)
Kátia Abreu: “Os pequenos produtores pagam mais pelos insumos e vendem a produção por menos” (Wilson Dias/Agência Brasil)
Por Da RedaçãoPublicado em 08/07/2015 05:56 | Última atualização em 08/07/2015 05:56Tempo de Leitura: 3 min de leitura

São Paulo - A goiana Kátia Abreu era presidente da Confederação Nacional da Agricultura quando encomendou um estudo sobre o perfil dos produtores rurais brasileiros. A constatação: há no Brasil 3,7 milhões de propriedades rurais cuja renda mensal é de 947 reais. No comando do Ministério da Agricultura desde o início do ano, Kátia elegeu como prioridade levar assistência técnica para essa população para que ela possa aumentar a produtividade e ascender socialmente.

EXAME - Como aumentar a produtividade na agropecuária brasileira?

Kátia Abreu - Temos de formar uma classe média rural, que no mundo todo é um dos motores da produtividade no campo. Mas, aqui no Brasil, apenas 17% dos produtores se encaixam nesse perfil. Estamos falando de 3,7 milhões de pequenos proprietários rurais que podem ascender socialmente — e o caminho para isso passa por dar a eles condições técnicas para que melhorem a rentabilidade de suas propriedades.

EXAME - O que é preciso fazer para que os agricultores pobres melhorem de vida?

Kátia Abreu - Boa parte dos agricultores mais pobres não tem acesso à tecnologia agrícola. Um dos programas que estou implantando no ministério propõe levar cursos de administração e programas de aperfeiçoamento para esse público. Falta a eles conhecimento técnico e de gestão.

EXAME - Quais as metas desse programa?

Kátia Abreu - Estamos num ano difícil. A economia do país passa por ajustes, o que impõe restrições no nosso orçamento. Mesmo assim, a meta é começar um trabalho com 100 000 pequenos agricultores. De início, vamos procurar instituições que possam ajudar a diminuir a carência de assistência técnica no campo.

Penso, por exemplo, em contar com apoio do Sebrae para qualificar as habilidades de gestão dos pequenos produtores, num modelo semelhante ao que é feito com os microempresários urbanos.

EXAME - Dá para fazer algo também da porteira para fora?

Kátia Abreu - Precisamos corrigir as imperfeições que existem no mercado. Os pequenos agricultores pagam mais pelos insumos do que os grandes produtores porque compram em pequenas quantidades. Como sozinhos eles têm pouca força para negociar, também acabam perdendo dinheiro por vender a produção mais barato.

Temos a ideia de agrupá-los. Onde for possível, em cooperativas, que é um modelo bastante conhecido em certas regiões, como no sul do país. Em locais onde não há a cultura do cooperativismo, porém, vamos incentivar a formação de associações de produtores para que façam negociações de compra e venda em conjunto, ganhando escala. Não é preciso reinventar a roda.

EXAME - Onde o programa vai começar?

Kátia Abreu - Em cinco estados a partir de julho — os demais devem ser incluídos até a metade do ano que vem. Aumentar a produtividade dos pequenos agricultores é importante do ponto de vista ambiental: é o melhor caminho para expandir a produção agrícola brasileira sem ter de aumentar o desmatamento. Basta fazer com que os pequenos sejam melhores.