Revista Exame
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Por que não temos passagens por R$ 5 no Brasil

Impostos elevados e falta de infraestrutura estão entre as principais explicações

 (Nicolas Economou/NurPhoto/Getty Images/Exame)

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Naiara Bertão

15 de março de 2018, 17h12

Quem não gostaria de viajar pelo Brasil pagando 5 reais? Algo impensável no país, essa é a realidade há anos na Europa. Empresas aéreas, como a irlandesa Ryanair e a britânica Easyjet, oferecem com frequência passagens por 10, 5 ou até 1 euro. Aqui, os valores mais baixos, praticados por Azul e Gol, ficam em torno de 50 reais. Nos Estados Unidos, as promoções da Jetblue, da Frontier Airline e da Southwest, pioneira desse mercado no mundo, custam menos de 20 dólares.

No Brasil, parte da explicação para as tarifas mais altas vem, sem surpresa, do sistema tributário. A cobrança de impostos faz com que o preço do combustível das aeronaves, o querosene de aviação, seja entre 10% e 25% maior aqui do que no exterior. Sozinho, o combustível representa até 35% das despesas das empresas aéreas. Os aeronautas brasileiros têm uma produtividade 22% menor do que seus pares americanos, segundo a associação das companhias aéreas (Abear). Parte dessa diferença está na regulamentação da profissão, parte na eficiência do sistema aeronáutico.

Outra explicação é o fato de haver poucos aeroportos regionais, como o de Viracopos, em São Paulo, que cobram taxas mais baixas das companhias aéreas. Por fim, o fato de o mercado brasileiro ser menor do que o americano e o europeu dificulta o surgimento de empresas especializadas em vender passagens baratíssimas, dizem os especialistas. “Aqui, as empresas precisam atender a públicos diferentes para ser rentáveis e, por isso, não conseguem ter o nível de especialização que uma companhia de baixo custo demanda”, diz Alessandro Oliveira, consultor de aviação e professor no Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Quem quiser viajar por 1 euro lá fora precisa saber que terá de abrir mão de serviços — mesmo os mais básicos. Na Ryanair, fazer o check-in no aeroporto custa 55 euros. Além disso, com exceção de água, todas as comidas e bebidas servidas no avião são cobradas. Há alguns anos, a companhia chegou a anunciar que cobraria de quem quisesse usar o banheiro, mas foi largamente criticada e desistiu. Além disso, os voos geralmente são longos, com escalas esdrúxulas e em horários incômodos (de madrugada, por exemplo). Mas, pelo menos, existe a opção.