Palmas exagera nos ônibus e o contribuinte vai pagar a conta

Em Palmas, no Tocantins, corredores de ônibus são superdimensionados; e o contribuinte vai pagar a conta

São Paulo – Considerado uma alternativa de transporte público relativamente barata de implantar, o BRT (do inglês Bus Rapid Transit), ou corredor de ônibus, está virando moda no Brasil.

Metrópoles como Curitiba e Recife já adotam o sistema e há outros 59 projetos em andamento no país. Alguns são controversos, como o de Palmas, no Tocantins. Se depender da prefeitura, em breve os 270 mil moradores da cidade terão à disposição um BRT capaz de levar por hora 90 mil passageiros — um terço da população da cidade.

Esse é o número de pessoas que usam hoje o transporte público em Palmas o dia inteiro. Orçado em 500 milhões de reais, metade com recursos da União, o projeto prevê uma nova pista no canteiro central da principal avenida da cidade, a Teotônio Segurado, que tem oito faixas.

“Nunca vi engarrafamento por lá”, diz a procuradora Renata Baptista, do Ministério Público Federal, autora de um pedido para barrar o uso de verbas federais na obra. “O superdimensionamento é claro.”

Em maio, a Justiça Federal acatou o pedido. A prefeitura afirma que vai recorrer da decisão. Se o projeto sair do papel, uma coisa é certa: em Palmas, vai ser difícil alguém reclamar de ônibus lotado.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.