Conheça o crediário digital, que vem para competir com o cartão de crédito

Em Amsterdã, Pedro Noll viu uma maneira digital de oferecer o crediário no varejo e trouxe a ideia para cá
 (EyeEm/Getty Images)
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Por Maria Clara DiasPublicado em 19/05/2022 05:44 | Última atualização em 24/05/2022 12:30Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Em uma viagem para Amsterdã, o empreendedor Pedro Noll percebeu que o universo dos pagamentos na Europa pouco lembrava o do Brasil. Por lá, empresas estão acostumadas ao Buy Now Pay Later (BNPL), uma espécie de crediário 100% digital. A ideia do BNPL é permitir pagamentos a prazo, sem comprometer limites ou exigir um cartão de crédito na compra. O método de pagamento, no fim das contas, é um carnê mensal. Parece coisa do passado, mas por trás da operação está um aparato digital.

De volta ao Brasil, Noll resolveu adotar o crediário digital como forma de pagamento num negócio aberto por ele havia pouco tempo, com a finalidade de “plugar” fintechs e bancos a consumidores interessados num empréstimo pessoal. No exterior, fintechs como a sueca Klarna e a americana Affirm, de um dos fundadores do PayPal, já adotavam o BNPL como método para oferecer empréstimos a compradores digitais. “Para nós foi como descobrir o mapa de uma mina de ouro”, diz Noll.

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Por causa disso, em 2018 Noll mudou tudo no negócio, a começar pelo nome. Surgiu, então, a BoletoFlex, uma empresa de tecnologia dedicada a ampliar a oferta de pagamentos aceitos por pequenas e médias empresas — em geral, adotando o BNPL. “Queríamos antecipar uma tendência mesmo antes de ela ter um nome próprio no Brasil”, diz Noll. O negócio demorou a pegar: o primeiro cliente, a varejista online Mobly, chegou 12 meses depois da adoção do crediário digital. Hoje, o portfólio da BoletoFlex também inclui grandes empresas, como CVC, Multilaser e Positivo.

Em 2021, a BoletoFlex faturou 30 milhões de reais. Em boa medida porque o BNPL está em alta mundo afora. Atualmente, 2,1% das transações do comércio eletrônico utilizam o crediário digital — até 2025, o número deverá dobrar, segundo pesquisa da consultoria Fintech Partners. Boa parte de quem o adota agora faz parte da turma dos sem conta bancária. A expectativa é de que essa forma de pagamento vire um competidor dos cartões de crédito.

(Arte/Exame)

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