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Num mundo de incertezas, veja as análises que precisam ser lidas

Exemplos que vão de Angela Merkel a Priscila Siqueira, do Gympass, estão presentes nesta edição da revista
 (Exame/Leandro Fonseca)
(Exame/Leandro Fonseca)
Por Lucas AmorimPublicado em 16/09/2021 05:48 | Última atualização em 15/09/2021 20:51Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Cabul ou Paris: onde mirar para entender este louco ano de 2021? Na capital afegã, a retomada do poder pelos talibãs traz mais uma vez à tona cenas de perseguição política e de separação social, com mulheres relegadas à vida doméstica. Na França, o Paris Saint-Germain anunciou que pagou o craque argentino Lionel Messi usando ativos digitais, impulsionando os tokens do clube em 150%. É o fantástico mundo novo convivendo lado a lado com um passado que insiste em dar as caras.

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O Brasil, como costuma acontecer, vive as duas realidades intensamente. De um lado, é palco de uma leva inédita de empreendedorismo e de renovação na liderança empresarial. Algumas das melhores lições de agilidade e modernidade estão listadas na reportagem de capa desta edição. Entre elas está a de Priscila Siqueira, CEO do Gympass, uma companhia que reformulou seu modelo de negócios em semanas e, em vez de naufragar diante da crise, passou a valer mais de 2 bilhões de dólares.

Mas esse mesmo Brasil passou a ver nos últimos meses uma retomada consistente da inflação, que drena investimentos da bolsa para a renda fixa a ponto de alguns se questionarem se o processo de sofisticação financeira ficou pelo caminho. Felipe Miranda, em sua coluna de estreia, garante que não, e que a caminhada seguirá acontecendo com acidentes. O Brasil, como lembra Miranda, tem o péssimo hábito de flertar com o abismo, mas a boa prática de não se jogar. 

A EXAME, como há cinco décadas, continuará sendo uma voz ativa para afastar os abismos — e para sofisticar o debate. O momento é dos mais relevantes. Na entrevista especial desta edição, o economista Marcos Lisboa, CEO do Insper, mostra como a instabilidade política e econômica joga por terra a possibilidade de reformas estruturais bem-feitas — como a atropelada tributária, ou uma agenda de privatizações e concessões que avança uma casa apenas para recuar outra logo depois.

“Do jeito que as reformas estão, é melhor não ter reforma”, afirma Lisboa. A alta octanagem do debate político tende, de fato, a enfraquecer as pautas e a adiar a construção de futuro. O importante parece nunca chegar. Outra reportagem desta edição reforça o exemplo alemão, em que Angela Merkel passa o bastão com 80% de aprovação após 16 anos dedicados à conciliação.

Num mundo de incertezas, Merkel foi um exemplo de estabilidade. Seu sucessor terá o desafio de fazer da Alemanha um líder do imprevisível mundo pós-pandemia. Entre as certezas na mesa: precisamos de mais histórias como a do ­Gympass, e de mais conciliação.  


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