Meus dados, meu negócio

O mercado de informações pessoais na rede sempre pertenceu a gigantes da internet. Uma nova onda de empresas promete colocar os usuários no comando

São Paulo - Todos os dias, ainda que não se deem conta, usuários da internet deixam volumes enormes de vestígios sobre si mesmos na rede — sites acessados, e-mails enviados, compras efetuadas.

Somam-se a isso os dados compartilhados por conta própria em redes sociais, blogs e outras páginas, e não será difícil perceber: as informações pessoais são um dos ativos mais abundantes — e mais valiosos — da nova economia digital.

Seja para vender produtos, seja para entender melhor o comportamento de clientes, dados desse tipo sempre tiveram grande apelo entre marcas e empresas. Não por acaso, negócios que se apoiam na coleta de informações sobre consumidores, como Facebook e Google, estão entre as maiores companhias a surgir nas últimas décadas.

Mas há, cada vez mais, quem defenda que essa seja uma relação desequilibrada. Os usuários, na mira de investigação constante, poucas vezes puderam tirar proveito direto de seus próprios dados pessoais a circular pela rede. Até agora. 

Uma nova onda de startups promete virar a mesa — e colocar os usuários, pela primeira vez, no comando. Essas novas empresas esperam transferir a eles benefícios que até agora estiveram nas mãos de agentes especializados em capturar e vender dados na rede.

“Os consumidores estão cada vez mais atentos ao fato de que há enorme valor associado a suas informações pessoais”, diz Shane Green, fundador da Personal.com, uma das jovens companhias que pretendem transformar a relação entre usuários e os próprios dados na internet.

Com sede em Washington, a Personal recebeu 7,6 milhões de dólares de investimento em 2011 para criar o primeiro serviço de armazenamento e de compra e venda de informações privadas da web. 

O registro para fazer parte da Personal é gratuito. Daí para a frente, usuá­rios passam a inserir dados sobre si mesmos em compartimentos chamados de gems — pequenos cofres digitais de informações para temas diversos. Em um dos cofres, o usuário pode listar, por exemplo, todas as suas preferências na categoria de automóveis.


Em outro, escrever sobre tipos de bebida ou produtos para bebês com que simpatiza. A ideia é que no futuro os próprios usuários negociem o acesso a seus cofres de dados com anunciantes e marcas. Em troca, os benefícios podem ir de descontos na contratação de seguros de vida a pagamentos em dinheiro vivo. “É uma inversão completa na maneira como pensamos o marketing hoje”, diz Green. 

Como mercado, o potencial de venda de dados pessoais por usuários é enorme. Estima-se que o Google fature 24 dólares anuais por pessoa que utiliza seus serviços; o Facebook receberia 4 dólares por usuário. Apenas nos Estados Unidos, segundo levantamento da Forrester Research, cerca de 2 bilhões de dólares são gastos anualmente com o comércio de dados sobre indivíduos. 

A revolução do mercado dos dados pessoais ainda pode estar distante. Mas não faltam indícios de que, pela compensação correta, o modelo possa funcionar. Lançada no fim de 2007, a Mint é a grande inspiração para iniciativas como a Personal.

Tempos antes de escândalos de privacidade no Facebook, seu fundador, Aaron Patzer, fez algo que parecia impossível: convenceu milhões de pessoas a compartilhar em seu sistema informações financeiras sensíveis, como movimentações bancárias, faturas de cartão de crédito e investimentos.

Em troca, além de um serviço gratuito para administração de finanças pessoais­, usuários recebem recomendações e descontos em serviços como seguros ou cartões de crédito. O sistema é mantido com comissões toda vez que um de seus 5 milhões de usuários decide contratar um novo serviço. Aparentemente, um bom negócio para os dois lados.

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