Menos prestigiados, vinhos italianos são tão bons quanto os da França

Rótulos da Toscana e do Piemonte se equiparam aos melhores exemplares da França. E o bom é que nem todos sabem disso

Ernest Heming­way dizia que um Barolo continha a alegria da Itália. Beberrão e gourmet, o escritor americano, morto em 1961, sabia do que estava falando. Grandes italianos se equivalem, em qualidade, aos melhores vinhos da França. No entanto, apesar de alguns italianos chegarem a custar alguns milhares de reais e a figurar na lista de preferidos dos especialistas, até hoje muitos desses rótulos são considerados vinhos de iniciados. Ainda assim, como também acontece com os grandes franceses, é possível encontrar rótulos mais em conta dentro dessas denominações.

“Os grandes vinhos estão onde estão as grandes uvas”, diz Gianni Fabrizio, curador do guia Gambero Rosso Vinhos da Itália. “E quais são as grandes uvas italianas? Sangiovese e nebbiolo, cultivadas na Toscana e no Piemonte, que resultam no Brunello di Montalcino, Chianti Classico, Barolo e Barbaresco, entre outros.” O Brunello di Montalcino é o mais conhecido entre os consumidores de vinhos de alta qualidade. Mas até esse público tem dificuldade para escolher um Barolo, um Barbaresco ou um Chianti Classico. Em comum, os bons exemplares dessas denominações de origem controlada e garantida, ou ­DOCGs, têm a complexidade aromática, o potencial de guarda e o preço alto.

Considerada um dos melhores locais do mundo para cultivar uvas viníferas, a Toscana tem o clima e o relevo ­ideais, além de séculos de tradição. Ali a sangiovese impera entre as tintas, com vinhos frutados e de boa acidez, que desenvolvem aromas terrosos e animais com o tempo. Uma das belas surpresas é o Chianti Classico. Os grandes Chianti Classico se equiparam em qualidade aos Brunello, embora muita gente ainda não saiba disso, e são mais acessíveis.

A DOCG Chianti Classico sofre com a confusão com a DOCG Chianti, que, dos anos 1970 ao início deste século, investiu na produção em massa. Geograficamente, a Chianti Classico está cercada pela região de Chianti. “Antes, a área hoje conhecida como Chianti Classico chamava-se simplesmente Chianti”, diz o enólogo Roberto Stucchi, sócio da vinícola Badia a Coltibuono, produtora do Coltibuono Chianti Classico 2015 (vendido por 306 reais na Mistral). “O restante tinha outros nomes.” O selo com o galo negro ajuda a identificá-lo.

Nos últimos anos, houve uma mudança no perfil do produtor dessas regiões. “Quando comecei a trabalhar, em 1961, havia 110 vinícolas no Langhe”, diz Angelo Gaja, produtor de alguns dos vinhos mais caros da Itália. “Hoje são 850, na maioria pequenas propriedades bastante focadas em qualidade, que antes vendiam suas uvas às grandes vinícolas.” O Langhe, como é conhecida a região piemontesa que reú­ne Barbaresco, Barolo e outras DOCGs, é um pequeno pedaço de terra com condições especiais para a produção. O Gaja Barbaresco 2013, por exemplo, custa 2.467 reais na Mistral.

Em Barolo e Barbaresco, a única uva permitida é a nebbiolo. Os Barbaresco têm aromas de morango, rosas e algo terroso desde jovens. Conforme envelhecem, ficam ainda mais complexos. Dica: se encontrar uma safra antiga, compre. Esses vinhos melhoram com a idade. A região se divide em quatro comuni (municípios), onde há alguns crus (pequenas áreas delimitadas) importantes, como Rabajá, Pora e Asili. Guarde os nomes.

“Barolo ruim é difícil de achar”, diz Cláudia Schmidt, sommelière brasileira baseada em Monforte d’Alba. Ela explica que a DOCG Barolo engloba dez outros comuni. E, dentro deles, há pequenas áreas especiais. São os crus de Barolo. Memorize nomes como Cannubi, Vigna Rionda, San Lorenzo, Falletto e Rocche di Castiglione. São grandes vinhos, como o Bruno Giacosa Barolo Falletto 2014 (3.265 reais na Mistral). Mas há ótimos Barolo produzidos com uvas de mais de uma microrregião dentro da denominação, como o Poderi Luigi Einaudi Barolo Ludo 2014 (809 reais na Casa Flora). Se um dia você provar esse vinho, garanto que não vai sentir saudades da França.

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