Melhores ESG 2022: Transporte, Logística e Serviços Logísticos

Conheça três empresas que estão fazendo a diferença no setor
Melhores ESG 2022: conheça as empresas que estão fazendo a diferença no setor de Transporte, Logística e Serviços Logísticos (Catarina Bessell/Exame)
Melhores ESG 2022: conheça as empresas que estão fazendo a diferença no setor de Transporte, Logística e Serviços Logísticos (Catarina Bessell/Exame)
Por Rodrigo Caetano, Marina Filippe

Publicado em 24/06/2022 às 06:00.

Última atualização em 24/06/2022 às 08:59.

Movida

A Movida, empresa de aluguel de carros, é responsável por 10% da frota de carros elétricos brasileira. A companhia comprou veículos a bateria de todas as montadoras que vendem esse tipo de carro no Brasil.

Segundo Renato Franklin, CEO da Movida, a ideia é ser um agente de transformação do mercado, catalisando as mudanças necessárias para reduzir a pegada de carbono do setor de mobilidade. “Eu falo para as montadoras: vamos comprar carros elétricos”, diz Franklin.

O ideal, segundo o CEO, é reduzir as emissões de carbono, não as compensar. A meta da Movida é ser carbono neutro até o escopo 3, que inclui as emissões dos clientes. A meta só será atingida com a eletrificação, o que depende de a indústria automotiva acelerar as vendas de carros eletrificados.

LEIA TAMBÉM: “Vamos comprar carros elétricos”, diz CEO da Movida para as montadoras

Franklin passou a integrar, em maio deste ano, o grupo Liderança com ImPacto, do Pacto Global da ONU Brasil, braço das Nações Unidas para o setor corporativo. Ele será embaixador do ODS 13, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU, que versa sobre mobilidade.

“A diferença entre ser signatário do Pacto ou não é que tudo vira obrigação”, diz Franklin. “Não dá para querer fazer só para aparecer; é preciso compromisso.”

Esses compromissos se refletem na estratégia de negócios. A Movida tem a frota mais jovem do mercado, fruto de um plano, instituído em 2020, de substituir seus carros por modelos mais novos e equipados. Com isso, o tíquete médio do aluguel sobe e impulsiona a geração de receita da companhia.

No primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido­ da Movida cresceu 136% em relação ao mesmo período do ano passado, para 258,1 milhões de reais. O faturamento chegou ao inédito patamar de 2 bilhões de reais, uma expansão de 87,1% na mesma base de comparação.

Ao mesmo tempo que registrava recordes no resultado, a Movida acelerava sua estratégia de mobilidade sustentável. A empresa captou, neste ano, 1 bilhão de reais em uma debênture e aprovou uma linha de crédito de 800 milhões de reais (160 milhões de dólares) no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com parte dos recursos direcionados para a agenda ESG.

As pessoas ocupam lugar de destaque nessa estratégia. A Movida trabalha na base da pirâmide para encontrar talentos. Por trás dessa cultura está a necessidade de atender um público diverso. O executivo considera que a empresa precisa estar na vanguarda do setor, cumprindo o papel de mostrar para a cadeia o que o consumidor quer. “Não queremos comprar carros só a gasolina porque não serão vendidos”, afirma Franklin.

LEIA TAMBÉM: Localiza ainda pode saltar 76% segundo cálculos do BTG; entenda


Localiza

O grande desafio do setor de transporte e mobilidade é reduzir as emissões de carbono. Esse mercado responde por cerca de 14% do total de carbono emitido anualmente. A solução para o problema, no entanto, existe — e passa pela eletrificação dos transportes. O problema é que leva algum tempo para mudar a matriz energética de todo um setor.

“Construir o futuro passa por ações no presente”, afirma Rozália Gaudio, diretora de sustentabilidade da Localiza, empresa de aluguel de carros. A partir dessa visão, a companhia se engajou em uma estratégia para acelerar a redução de suas emissões que conta com uma solução brasileira: o etanol. “A eletrificação está no pipeline, mas há uma ação imediata que traz grandes benefícios”, diz a executiva.

A frota da Localiza é 99% flex. Os carros alugados sempre saem com o tanque cheio de etanol. Enquanto não é possível eletrificar tudo, essa é uma das maneiras que a companhia encontrou para reduzir as emissões externas (chamado escopo 3 de emissões de carbono).

No ano passado, a Localiza fez o primeiro levantamento de emissões dos clientes, passo inicial para definir suas metas net zero a partir da Science Based Targets initiative (SBTi), principal padrão de medição e mitigação de emissões — a empresa já é neutra nos escopos 1 e 2. O que não for possível eliminar será compensado, algo que a companhia já tem feito por meio de projetos de conservação florestal na Amazônia.

Para além do ambiental, a Localiza inaugurou, no ano passado, o seu instituto, que inicia as atividades com 24 projetos e investimentos de 2,5 milhões de reais. E vem trabalhando na promoção da diversidade, com programas para aumentar a presença de mulheres na alta liderança e de aceleração da carreira de pessoas negras.

Nos primeiros seis meses de 2022, a Localiza também gerou 1 gigawatt de energia renovável, de painéis instalados nos telhados das lojas e de fazendas que financiou. É o suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 28.000 habitantes.

Receba gratuitamente a newsletter da EXAME sobre ESG. Inscreva-se aqui


CCR

A CCR, empresa de infraestrutura, foi a primeira companhia a aderir ao Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo, em 2002.

Foi um passo ousado, em uma época em que pouco se falava sobre governança no país. Anos mais tarde, a Operação Lava-Jato e a necessidade de fazer um acordo de leniência de 750 milhões de reais colocou em xeque a reputação e os negócios da CCR.

Foi a maior crise vivida pela companhia, e a resposta para o desafio foi encontrada naquilo que a diferenciou no mercado por tanto tempo: a governança. De quebra, a CCR também mergulhou no ESG ao definir sua estratégia para os próximos anos. A grande virada foi dada no ano passado, quando foi aprovada a Ambição 2025, conjunto de metas com cinco dimensões: reputação, ESG, clientes, colaboradores e negócios.

“Nosso negócio está voltado para a mobilidade humana: queremos impactar positivamente a vida das pessoas que utilizam nossas rodovias, nossos metrôs e trens e nossos aeroportos”, afirma Marco Cauduro, CEO do Grupo CCR. “E o fio condutor do planejamento estratégico de toda a organização está baseado em práticas ESG.”

Esse processo teve início há três anos, quando o conselho de administração do grupo iniciou as transformações estruturais na companhia. “Cada vez mais as grandes organizações serão desafiadas por fatores endógenos e exógenos como parte do percurso voltado para o crescimento sustentável”, diz Ana Maria Marcondes Penido Sant’Anna, chairwoman do grupo, em mensagem publicada no Relatório Integrado da empresa do ano passado. “O desafio é fazer com que intenções se materializem.”