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O novo jeito de assistir televisão: meio série, meio novela

Os serviços on demand vieram para ficar, fato — mas as produções estão cada vez mais parecidas com as da boa e velha televisão

Do físico para o digital e do digital para o on demand, o consumo de mídia mudou completamente na última década. O ato de comprar ou alugar filmes e músicas individua­lizadas na internet virou coisa do passado, e as plataformas de streaming criaram novos hábitos na forma como consumimos entretenimento. É o novo jeito de assistir a televisão. “Não há dúvidas de que estamos na era dos streamings. O público está saindo da posição de espectador passivo para se tornar mais engajado. É ele quem decide o que, onde e quando vai consumir”, afirma Adriana Naves, head de distribuição de conteúdo para a América Latina na Roku, plataforma que agrega mais de 5.000 canais de streaming e chegou ao Brasil em 2020.

É uma tendência: todos os grandes serviços de entretenimento estão migrando ou já migraram para o streaming. “Alguns demoraram mais, outros já estão em uma segunda fase, mais avançada, que é desenvolver um produto novo, como fez a HBO Max, antiga HBO Go”, diz Naves. Dados do setor reforçam a tese. Segundo o Euromonitor International, provedor de pesquisa de mercado, no intervalo entre 2019 e 2020 o mercado global de streamings cresceu 29%, saltando de 107 para 139 bilhões de dólares.

O Euromonitor leva em consideração as vendas do varejo para o consumidor final da categoria Digital Streaming Services, que inclui plataformas de música, filmes, vídeos, esportes, educação, televisão e aulas fitness online. Em 2025, a estimativa é de um aumento de 60% no valor que os usuários gastam nesse tipo de serviço, de 139 para 231 bilhões de dólares. “Desde 2015, esse mercado cresce dois dígitos ao ano. As perspectivas são definitivamente positivas. Mas o sucesso dos streamings leva à superlotação do setor. A criação de conteúdos exclusivos continuará ganhando ênfase nos próximos cinco anos, assim como outras formas de diferenciação. Isso pode incluir streaming ao vivo ou integração de mídia convencional como parte do serviço”, afirma Frida Polyak, analista de pesquisa de services & payments do Euromonitor International.

No Brasil, o setor que hoje corresponde a 3,1 bilhões de dólares deverá chegar a 6,2 bilhões de dólares em 2025, um crescimento de 100% ante os 60% da média global. “Quando a pandemia mandou milhões de consumidores para casa, muitos recorreram aos serviços de streaming como entretenimento e para fins educacionais. A América Latina se tornou a maior região para serviços de streaming em termos de valor graças à chegada de grandes players, como o Disney+”, diz Polyak. Segundo a analista, embora esteja claro que os consumidores estão mais dispostos a investir em vários strea­mings, há um limite. Os dados revelam que menos clientes planejam assinar novos streamings em 2021 comparado a 2020. “Existe a necessidade emergente de uma plataforma mais central”, afirma.

Para lidar com o pipocar de novas plataformas, na América Latina líderes globais do on demand, como HBO Max e Netflix, estão apelando para uma conhecida fórmula que vem da televisão. No final de outubro, a HBO Max anunciou a criação de um núcleo de desenvolvimento de novelas. Entre os mandachuvas da nova frente está o ex-chefão da Globo Silvio de Abreu, autor de clássicos do folhetim como Belíssima (2005) e Passione (2010). Para o crítico de televisão Mauricio Stycer, os streamings estão começando a perceber que existe uma grande demanda entre os latinos por histórias de ficção mais longas. “Verdades Secretas 2, a primeira novela da Globo feita para o streaming, é um exemplo claro desse fenômeno”, afirma Stycer.

Dados do Globoplay revelam como a linha entre a TV e o strea­ming tem ficado cada vez mais tênue. O consumo na plataforma da Rede Globo dobrou no primeiro semestre de 2021 em comparação ao mesmo período de 2020. Os destaques foram as novelas, que cresceram 90% em audiência, e as séries, com alta de 44%.

Na seara dos investimentos locais, a Netflix prometeu dobrar o orçamento para produções brasileiras em 2022. Neste ano, o streaming não rodou novos conteúdos no Brasil por causa da pandemia, mas, em 2020, o líder do mercado investiu 350 milhões de reais em filmes, novelas e rea­lity shows nacionais. “A intenção da Netflix é produzir conteú­dos locais que rodem o mundo. Round 6 e La Casa de Papel são dois exemplos de séries locais que repercutiram globalmente. Esse é o sonho da Netflix, porque não dá para fazer 20 séries em cada país”, conclui Stycer.  

 (Arte/Exame)

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