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Hobby ou profissão: Pedro Zannoni, CEO da Lacoste, busca inspiração em momentos de lazer

O tênis define a vida pessoal e o lado empresarial do ex-jogador profissional e hoje principal executivo da marca francesa para a América Latina

Pedro Zannoni: versatilidade nos golpes e nos desafios da vida corporativa (Leandro Fonseca/Exame)

Pedro Zannoni: versatilidade nos golpes e nos desafios da vida corporativa (Leandro Fonseca/Exame)

Ivan Padilla

Ivan Padilla

Publicado em 24 de junho de 2022 às 06h00.

Última atualização em 25 de junho de 2022 às 06h51.

A maioria dos executivos tem no hobby uma ferramenta de inspiração para a carreira. Mas são poucos os que fizeram do lazer a sua profissão. É o caso de Pedro Zannoni. Ex-tenista profissional, foi professor de tênis até mudar de ramo e trilhar um caminho corporativo em empresas de esporte. Dois anos atrás, ele entrou para a Lacoste, talvez a grife de maior conexão com a tradicional modalidade da raquete. Zannoni é hoje o CEO da grife francesa para a América Latina.

Hoje, sim, o tênis cumpre uma função recreativa na rotina de Zannoni. Com amigos do tempo dos torneios juvenis, ele bate bola duas vezes por semana no Clube Paineiras, em São Paulo. Nos demais dias faz musculação ou joga futebol. Pergunto qual é seu estilo de jogo. “Gosto de jogar na base, no fundo. Engraçado, porque quem costuma ficar atrás prefere quadras de saibro, que são mais lentas, e eu gosto de quadras de piso sintético, mais rápidas, em que a bola corre mais solta.”

Quando é preciso, Zannoni até sobe à rede. Por jogar também em dupla, precisou aperfeiçoar o jogo de saque e voleio. “Nunca tive um golpe de muito destaque, mas também nenhuma deficiência. Sempre me adaptei bem às diferentes condições de jogo e sou bastante regular”, diz. Essa versatilidade é uma habilidade que lhe é bem útil na vida corporativa. “No tênis, cada ponto é diferente do outro; é preciso achar rapidamente uma solução. Em uma empresa, é preciso ter essa mesma capacidade de adaptação imediata, ainda mais em tempos de transformação digital.”

Zannoni leva outros ensinamentos das quadras para o escritório. Um deles é a disciplina. “Para praticar um esporte de alto rendimento, é preciso ter horário certo para comer, descansar, treinar, escolher os torneios, estabelecer estratégias. Nos negócios é a mesma coisa. Sem processos muito bem definidos a eficiência cai”, afirma. Outro ponto é a capacidade de trabalhar em equipe. “Na quadra o tenista está sozinho, mas atrás estão o treinador, o nutricionista, o preparador físico, além de família, patrocinadores. No ambiente corporativo o trabalho conjunto de diferentes áreas é cada vez mais importante.”

Lacoste desde criança

Pedro Zannoni lembra o primeiro contato que teve com a marca que dirige hoje. “Eu tinha 13 anos, estava começando a jogar meus primeiros torneios nacionais, já ganhava alguns torneios estaduais, quando chegou uma carta da Lacoste na minha casa. Como eu estava entre os melhores juvenis do país, eles estavam me oferecendo um kit de presente. Não era um patrocínio financeiro, eram algumas roupas. Mas isso para uma criança tinha um valor enorme. Foi a primeira marca que acreditou em mim.”

Zannoni marcou seu primeiro ponto na ATP aos 16 anos e ainda tentou a carreira profissional por quase três anos. Passou por um problema familiar, ficou sem suporte financeiro e resolveu dar aulas de tênis. Até que em 2001 foi procurado para participar de uma entrevista de emprego na Wilson. “A empresa queria alguém para o departamento de marketing que conhecesse os produtos, o mercado, conseguisse identificar jogadores com potencial para serem patrocinados”, lembra. “Eu não tinha experiência, mas entendia de bolinha, raquete, tinha bom olho para novos talentos. Acreditaram no meu potencial e resolvi fazer essa transição de carreira.”

O então tenista já era bacharel em direito e correu atrás dos estudos. Fez um curso de marketing, uma pós-graduação em administração de empresas e um curso de general management em Wharton, nos Estados Unidos. Zannoni ficou oito anos na Wilson, metade no marketing, metade como diretor comercial. Depois disso passou pela Babolat e pela Puma. Foi então chamado para a Adidas, onde teve sua primeira experiência internacional, como vice-presidente para a marca Reebok no Panamá. E na sequência assumiu seu primeiro cargo de liderança, como CEO no Brasil para a Asics. Até surgir o convite da Lacoste, no começo de 2020.

Quando estava separando a documentação para essa última mudança de empresa, Zannoni achou a carta que recebeu da Lacoste mais de três décadas atrás, quando ainda era um juvenil que sonhava em levantar troféus na quadra. O ex-tenista hoje passa a maior parte de seu dia dentro de um escritório, dirigindo as operações de Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, Peru, América Central e Caribe da Lacoste. Mas sua missão, diz, continua a mesma: “Quero ajudar a difundir o encanto desse esporte que é o tênis”.  

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