Colecionar vinícolas? Esse é o hobby do bilionário Alejandro Bulgheroni

Depois de montar a Bodega Garzón, em Maldonado, o bilionário Alejandro Bulgheroni está decidido a replicar o modelo em mais seis países

O hobby mais conhecido do argentino Alejandro Bulgheroni só soa extravagante porque ele diz que quase não toma bebida alcoólica. O hobby em questão é colecionar vinícolas, no qual pôde mergulhar sem a menor parcimônia e nenhuma dose de modéstia. A falta de parcimônia se explica pelos seus 5,4 bilhões de dólares, que fazem dele o homem mais rico da Argentina — estimada pela Forbes, a fortuna se deve aos negócios da família no ramo do petróleo. O motivo da falta de modéstia é o sucesso da primeira vinícola que montou, a Bodega Garzón, transformada na melhor do Uruguai. Daí sua ambição de repetir a façanha em mais seis países. 

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Na Garzón, eleita a melhor vinícola do novo mundo pela revista Wine Enthusiast em 2018, ele já enterrou 250 milhões de dólares. Rodeada por vinhedos que se espalham por 240 hectares, o equivalente a um Parque do Ibirapuera e meio, ela se encontra a 75 quilômetros de Punta del Este.

O espelho-d’água que ladeia a sede e magnetiza os olhares e os 20 tanques ovais de cimento usados na hora da fermentação, trazidos de navio da Itália por 50.000 euros cada um, resumem a sofisticação do projeto. O restaurante é comandado pelo argentino Francis Mallmann, que ficou mundialmente famoso com a série Chef’s Table, da Netflix. 

Parte das instalações é exclusiva para os membros daquela que é tida como a mais seleta confraria de vinhos do mundo. Quem são eles? Pessoas do círculo de Bulgheroni, de quem partem os convites — sobre a lista não se divulga nem uma vírgula.

Pré-requisitos? Pagar uma taxa inicial de 200.000 dólares, além de outras despesas recorrentes, não divulgadas, e ser um grande entusiasta de tannats e companhia. O livre acesso ao campo de golfe da Garzón é um dos benefícios reservados aos confrades. Outro é o aval que todos ganham para produzir seus próprios vinhos em qualquer uma das vinícolas do magnata do petróleo — como se verá, não são poucas.

 (Arte/Exame)

Montada a partir de 2007, a Garzón nasceu do vago interesse do argentino por melhor aproveitar suas vastas terras na região, onde ergueu uma casa de veraneio. A ideia número 1: plantar um frondoso parque eólico, igual ao que ele tinha criado no município de Rocha, a 100 quilômetros dali. Essa teria sido abortada por Bettina, a segunda mulher de Bulgheroni, hoje com 77 anos. O motivo: ela não teria admitido a hipótese de abrir a janela da casa e avistar aquelas gigantescas pás em movimento. 

Escalado para dizer se a região escondia um terroir palatável, o renomado enólogo italiano Alberto Antonini propôs a Bulgheroni o seguinte: “Podemos plantar 4,5 hectares, esperamos uns seis anos para ver como sai o vinho e daí podemos começar”. Ao que o bilionário, então com 63 anos, respondeu: “Quantos anos imagina que ainda tenho? Não posso esperar 20 anos. Se você acha que dá para fazer bons vinhos, não se preocupe que os riscos eu assumo”.

“Investir em vinhos não é muito diferente de investir em petróleo: o retorno é demorado”, disse ele à EXAME. “Mas tenho como princípio que tudo que faço precisa ter um fim econômico. É o que garante a sustentabilidade no longo prazo.”

O sucesso da Garzón parece tê-lo deixado embriagado pelo ramo. Em 2009, virou sócio da Bodega Vistalba, em Mendoza, na Argentina — Carlos Pulenta, um dos grandes viticultores argentinos que a criou, é o outro dono. Em 2012, arrematou, no mesmo país, a Bodega Argento. Na Itália, mais exatamente na Toscana, adquiriu as vinícolas Poggio Landi, Podere Brizio e Dievole; na França, em Bordeaux, o Château Suau e o Château de Langaleri.

Ele também produz vinhos em Napa Valley, na Califórnia, numa vinícola que leva seu nome e em outra chamada Renwood. E ainda tem a Alkina, na Austrália, e a Otronia, no extremo sul da Patagônia. O gasto estimado para formar a coleção é de mais de 1 bilhão de dólares e a meta é que cada vinícola tenha o mesmo sucesso que a Garzón. 

E é de supor que ele já tenha adquirido outras sem que muita gente saiba. A Otronia, por exemplo, foi mantida em segredo até março do ano passado, quando o projeto completou dez anos. Situada na província de Chubut, a vinícola dispõe de 50 hectares habituados a temperaturas que chegam a 7 graus negativos.

Seus vinhos mais elogiados são o Otronia Block I, um pinot noir, e o Otronia Block III&VI, um chardonnay. Ambos custam 669 reais e são vendidos no Brasil pela World Wine, responsável também pelos rótulos uruguaios e italianos de Bulgheroni. A nacionalidade de sua próxima vinícola? Há quem crave que será espanhola e especializada em uvas tempranillo.   

 (Arte/Exame)

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